<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622</id><updated>2012-02-02T13:02:09.788-03:00</updated><category term='reflexões'/><category term='Marx'/><category term='Very Important News'/><category term='Bourdieu'/><category term='Literatura'/><category term='Amizade'/><category term='Lévis-Strauss'/><category term='Gays'/><category term='Metodo'/><category term='legitimação social da arte'/><category term='Batman'/><category term='Lésbicas'/><category term='Meu nome é Lisa'/><category term='blogue'/><category term='Violência'/><category term='Cesar'/><category term='Tese'/><category term='Pré-Alas'/><category term='aniversário'/><category term='Crise economica.'/><category term='Hoje'/><category term='Faustão'/><category term='UFPE'/><category term='Diálogos'/><category term='Pensamento Social.'/><category term='Sociologia'/><category term='Bj'/><category term='Pornô'/><category term='Prostituição'/><category term='memória'/><category term='MSN'/><category term='Crítica'/><category term='Yuri Firmeza'/><category term='cara nova'/><category term='cobra'/><category term='Souzousareta Geijutsuka'/><category term='Util'/><category term='Eloá'/><category term='Entrevista'/><category term='oxymore'/><category term='Vigilância Sanitária'/><category term='Mauss'/><category term='Putas'/><category term='Futebol'/><category term='Aniversario'/><category term='Capitalismo'/><category term='Jesse Souza'/><category term='Filosofia'/><category term='O Escafandro e a Borboleta'/><category term='Amigos'/><category term='Feminismo'/><category term='individualismo'/><category term='Televisão'/><category term='desculpas'/><category term='Saudade'/><category term='Criança'/><category term='amálgama'/><category term='Cefichianismo'/><category term='psicanalise'/><category term='Graciliano Ramos'/><category term='boa risada'/><category term='estatística'/><category term='coisinhas'/><category term='Sakozi'/><category term='política'/><category term='Pedagogia'/><category term='Noticias'/><category term='Classico'/><category term='Miserabilismo.'/><category term='Procedimento'/><category term='Sonhos'/><category term='preguiça'/><category term='Platão'/><category term='Cinema'/><category term='Santo André'/><category term='Recife'/><category term='Dominação Masculina'/><category term='Universidade.'/><category term='Inutil'/><category term='Dinheiro'/><category term='100 anos.'/><category term='Educação'/><category term='Olhar Antropologico'/><category term='Foto'/><category term='da França'/><category term='Filme'/><category term='Bachelard'/><category term='Machismo'/><category term='Andar em Recife'/><category term='Mudanças no blogue'/><category term='dosta'/><category term='Filhos'/><category term='Comparação'/><category term='Gilmar Mendes.Links'/><category term='Luiz Costa Lima'/><category term='Classe média'/><category term='Urbanização'/><category term='Misoginia'/><category term='Morta'/><category term='Olho'/><title type='text'>oxymore</title><subtitle type='html'>Espaço para uma retórica de tensão.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>181</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-501441494863989669</id><published>2010-11-24T09:07:00.000-03:00</published><updated>2010-11-24T09:07:55.934-03:00</updated><title type='text'>Mudança</title><content type='html'>O Oxymore deixa de existir por aqui. Agora o autor das linhas desse blogue passa a escrever em &lt;a href="http://jampapernambuco.wordpress.com/"&gt;outro formato&lt;/a&gt;. Espero vocês por lá.&lt;br /&gt;Grande abraço.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-501441494863989669?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='enclosure' type='' href='http://jampapernambuco.wordpress.com/' length='0'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/501441494863989669/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=501441494863989669&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/501441494863989669'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/501441494863989669'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2010/11/mudanca.html' title='Mudança'/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-7977071054382584950</id><published>2010-07-22T15:03:00.002-03:00</published><updated>2010-07-22T16:14:52.564-03:00</updated><title type='text'>Viva e deixe morrer</title><content type='html'>A tese acabou. O que não acabou foi o que a pesquisa quis encontrar. Graciliano Ramos, um dos maiores escritores brasileiros do século passado, continua sendo uma incógnita sociológica em muitos sentidos para mim. O que é bom, porque trabalho não me faltará...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quatro anos não dá tempo suficiente para reter o necessário para uma sociologia da literatura minimamente consistente. Isso é ainda mais verdadeiro quando falamos de um trabalho solitário, individual, como é o da feitura de uma tese doutoral. Um esforço coletivo seria muito mais proveitoso, tenho certeza. Talvez fosse mais difícil em muitos sentidos, mas é mais rentável nos resultados, porque a qualidade de aperfeiçoamento do texto é dada por meio da censura coletiva das falhas encontradas, o que minimiza os erros e dá robustez aos acertos. É sonho meu meu ver trabalhos individuais em desenvolvimento na universidade um dia serem balizados por um esforço crítico coletivo, em que os colegas de trabalho intelectual, pautados em critérios específicos de qualidade argumentativa (sociológicos de preferência), julguem coletivamente as falhas de procedimentos analíticos das pesquisas em andamento visando, com isso, um resultado final de excelência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tive alguns méritos na feitura da tese que agora passo a reconhecer. O maior deles, talvez, aventuro-me a dizer, é que fui sociólogo da literatura no sentido próprio que se pode dar ao termo. Tentei ao máximo não ter medo das etiquetas que servem de munição aos que querem ver a sociologia longe dos objetos artísticos: "redutor", "frio", "positivista", "empiricista" etc.&lt;br /&gt;Fui tudo isso em um meio que a sociologia da literatura se confunde com tantas outras coisas anti-sociológicas: textocentrismo analítico, leitura atemporal (sincrônica) dos textos literários, elogio da genialidade e da precocidade do artista etc. Nesse contexto, o esforço para encontrar tratamento sociologicamente apropriado à literatura tem ainda grande valor, mesmo que seja apenas o de lembrar a importância da historicidade, porque todas as coisas que digo são mais do que sabidas, mas por lógicas também a serem reveladas pela sociologia, precisam sempre ser &lt;em&gt;relembradas&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Graciliano Ramos, escritor famoso, conhecido, lido e relido. Graciliano Ramos, desconhecido. Eis duas constatações que não se excluem na medida em que percebemos que as informações retidas sobre a obra e o autor serviram durante muito tempo para ocultar as lógicas que o levaram a ser o que era para nós hoje, depois de tantos anos de sua morte. Lógicas que são tão mais difíceis de se indentificar quão mais fortes são os impedimentos tácitos que ofuscam o problema do processo social de legitimação de sua obra. Por em evidência o processo de legitimação social de uma obra dá medo, porque todos nós consideramos, em certa medida, que um autor é grande quando sua obra "foge" aos condicionamentos sociais, quando ela, em uma palavra, "transcende" o mundo social e se revela em plena &lt;em&gt;autonomia&lt;/em&gt;. Mostrar o suporte dessa crença foi parte da tarefa ardua que me impus para realizar o trabalho de tese e que, em parte, acredito ter atingido a contento com resultado crítico alcançado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devo admitir que trabalhar a sociologia da literatura a partir de um aparato teórico de uma sociologia crítica dos intelectuais é coisa muito tensa. Muitas vezes me vi em uma situação delicada de estar me sentindo um verdadeiro traidor da própria classe, da "grande família dos intelectuais". Mostrar que as lógicas do mundo social não operam apenas para os "outros", mas também "explicam" os que "trabalham para explicar o mundo social" é uma maneira de inquirir de maneira mais radical sobre os limites e alcances da reflexão sociológica. Foi também acreditando nisso que fiz meu trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha tese não tem um interesse amplo. Por isso, o público que talvez tenha mais interesse nela é muito específico. Talvez críticos literários, quiça os admiradores da obra do Velho Graça. Bem... Fica a certeza de mais um ciclo que se passa e da chegada de outros, espero que tão ou mais desafiadores quanto esse.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-7977071054382584950?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/7977071054382584950/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=7977071054382584950&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/7977071054382584950'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/7977071054382584950'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2010/07/viva-e-deixe-morrer.html' title='Viva e deixe morrer'/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-5322774438999753028</id><published>2010-07-22T14:42:00.000-03:00</published><updated>2010-07-22T14:57:51.915-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-5322774438999753028?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/5322774438999753028/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=5322774438999753028&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/5322774438999753028'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/5322774438999753028'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2010/07/blog-post.html' title=''/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-6165503351870546897</id><published>2010-07-21T15:12:00.003-03:00</published><updated>2010-07-21T15:39:32.642-03:00</updated><title type='text'>A volta do blogue</title><content type='html'>O blogue passou um bom tempo dormindo. Hibernou para que eu pudesse dar conta da tese. Agora ele volta. Talvez para que eu possa dar conta de um monte de coisas prometidas por aqui e não realizadas, como a série sobre os cemitérios, por exemplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gente se vê por aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jampa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-6165503351870546897?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/6165503351870546897/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=6165503351870546897&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/6165503351870546897'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/6165503351870546897'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2010/07/volta-do-blogue.html' title='A volta do blogue'/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-8946424387899311548</id><published>2009-11-09T19:42:00.005-03:00</published><updated>2010-08-24T10:21:58.134-03:00</updated><title type='text'>Caxambu em fragmentos 4 : micelianas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esperei um pouco para escrever esse post. Quis experimentar algo parecido com aquilo que Graciliano Ramos descreveu ao falar da experiência de escrever suas memórias de prisão tantos anos depois do evento, e sem o auxílio de notas. Na verdade, essa impressão de estar vulnerável às imprecisões da memória gera um gostinho voluptuoso de estar reproduzindo fielmente uma verdade quase inventada...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meu caso o tempo que separa meu texto do evento no qual apresentei meu trabalho são apenas alguns dias. Os dois primeiros dias de GT 30 foram descritos com a parcimônia  impaciente do imediato no dito: escrevi minhas impressões logo após a vivência daqueles momentos. A sociabilidade foi aquilo que mais me marcou, o isolamento de ser para aquelas pessoas ilustres um "inútil desconhecido".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha apresentação foi um dia depois do contudente posicionamento de Sergio Miceli. Ele havia barbarizado os trabalhos do dia anterior, colocado em questão seus postulados, criticado a maneira leve de lidar com o intelectuais ali sendo analisados. Pontuou a fraqueza metodológica, a secura bibliográfica, o modo de operar.  Depois daquele cataclisma o que esperar do depoimento dele para o meu trabalho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu apresentei meu texto depois da Maria Arminda Arruda. O trabalho dela de alguma forma recortava aspectos do meu. Ela busca problematizar, se eu bem entendi, as razões pelas quais a literatura social dos anos trinta se desenvolve na periferia das regiões onde ela supõe que o modernismo se afirmou (São Paulo- Rio) e de alguma forma se difundiu  para as regiões periféricas do Brasil(o professor Dimas criticou-a justamente nesse ponto por achar que existe aí uma analise difusionista da cultura que não condiz com a realidade da produção cultural brasileira naquele período). Meu trabalho trata um aspecto mais específico dessa produção, tentando localizar a posição simbólica de uma obra (sua função, seus objetivos, seus conteúdos) a partir da análise documental da maneira que essa obra fôra recebida. Uso o caso emblemático da obra de Graciliano Ramos, que tem sido reverenciada por sua qualidade formal em detrimento de obras que seriam menos cuidadosas nesse sentido (a de Jorge Amado, por exemplo, que seria mais de um realismo chulo), para mostrar que essa obra fôra recebida em função de qualidades pouco ligadas a sua sutileza formal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trabalho foi muito bem acolhido. O professor Dimas, que é de literatura na USP, disse que era um trabalho que trazia reflexões importantes para quem exerce o ofício da crítica. Ele ponderou, porém, que no meu texto existia um certo "ímpeto juvenil", uma maneira por demais incisiva de defender certos pontos de vista que podem ser vistos como problemáticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante a apresentação, lembro agora, eu estava muito nervoso e com medo do Miceli. Tanto, que falei meu texto quase que olhando apenas para ele. As vezes me dava conta do cacuete, e tentava desfazê-lo, o que fazia transparecer ainda mais meu nervosismo nas trepidação de minha voz e no esforço desajeitado de reter a tremulação do microfone em mãos que só queriam ser mais firmes. Como algo do meu trabalho dialoga com elementos do trabalho dele, meu receio era de ser acusado de "uso indevido" ou de "tratamento desarticulado" da sua proposta de trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois do depoimento do Dimas, vi que o Miceli havia pedido a palavra para comentar meu trabalho. Ao contrário de Dimas, mas sem contrapô-lo, elogiou a disposição para "enfrentar os grandes" e a qualidade do trabalho que com uma análise de contexto trazia a obra para narrativa que contemplava elementos importantes de sua inteligibilidade sociológica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois a Lilia Schwarz chegou a ler um trecho do meu texto onde ela dizia estar explícito aquilo que o Dimas havia salientado. Ele diz na página tal " A sociologia não pode titubear quanto ao seu papel...".  Dimas havia colocado também como crítica importante, além de meu estilo por demais enfático, que o fato de me servir apenas de uma fonte, o Arquivo Graciliano Ramos, também era problemático do ponto de vista da validação histórica do meu argumento que se daria de forma mais completa, o que concordo plenamente, a partir do cruzamento de diversas fontes. Sugeriu-me que buscasse encontrar os números do Boletim de Ariel (revista de crítica literária talvez a mais importante na época), para tentar confrontar a documentação que tenho com um material mais completo de produção da crítica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu respondi às críticas de maneira honesta. Disse que o  meu estilo virulento tinha como origem, além de minha juventude, uma razão institucional, na medida que o tipo de trabalho que venho defendendo não condiz com o modelo de excelência vigente na instituição na qual desenvolvo meu trabalho.  Falei que por conta do tempo, para minimizar os efeitos da seleção dada de textos contidas nos recortes de jornais recolhidos por Graciliano, faço uso de um esquema de análise que considera bons e maus críticos alí contidos da mesma maneira: o critério é  identificar que atributos qualificavam a obra como de boa ou má qualidade, o que tornou possível a descrição de um padrão de leitura que condizia com as propriedades da obra que estava sendo avaliada. Dimas também havia criticado o fato de eu não ter anunciado desde início do texto o que vinha a ser sociologia implícita, o que dificultava a tarefa do leitor. Eu concordei com a crítica, e disse que aquela falha era tributária do esforço de alocar no mesmo texto partes díspares de minha tese, o que levou a um condensar de elementos de maneira estruturada em função ainda da construção do objeto de estudo. É a ausência da retórica,  que é que produz uma clareza de propósito, a razão do defeito apontado. Na verdade, no meu texto o sentido vem junto com a trajetória do pensamento, ele não é então posterior, mas concomitante ao exercício de reorganizar as idéias depois de uma pesquisa já pronta. No meu artigo não tinha ainda a camuflagem onde os esforços que trazem o rendimento heurístico  não mais se encontram,  onde a modelagem do texto apaga  a luta constante para captar o melhor caminho para produzir a melhor inteligibilidade. Eu concordo, é um defeito dificultar a tarefa para o leitor. Mas quando  apagamos os traços de nossas dificuldades em detrimento da clareza retórica do "já descorberto"  não estaríamos em nome dessa preocupação sendo desonestos ocultando os processos que nos levaram ao nosso propósito?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mim o GT e a Anpocs foram um bom momento de reflexão para minha tese. Talvez o único momento onde tive um retorno crítico importante onde quesões metodológicas e técnicas importantes foram colocadas (sobretudo pelo professor Dimas) para o melhoramento do trabalho. Agora é meter bronca nessa reta final. Pois o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;locus &lt;/span&gt;do trabalho parece não estar equivocado em abosluto.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-8946424387899311548?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/8946424387899311548/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=8946424387899311548&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/8946424387899311548'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/8946424387899311548'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2009/11/caxambu-em-fragmentos-4-micelianas.html' title='Caxambu em fragmentos 4 : micelianas'/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-3428023440382129745</id><published>2009-10-29T20:59:00.003-03:00</published><updated>2009-10-30T10:56:11.120-03:00</updated><title type='text'>Caxambu em fragmentos 3</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ontém os trabalhos foram todos de pensamento social brasileiro.Comparação entre Alberto Torres e Rui Barbosa, análise sobre o conceito de mudança social no pensamento de Maria Isaura Pereira de Quiroz, comparação entre Florestan Fernandes e Guerreiro Ramos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro comentário do debatedor Sergio Miceli: eu não gostei dos trabalhos. Então não vou comentá-los individualmente porque vocês são jovens e eu não quero desencorajá-los. Eu vou apenas dizer o que é que falta no trabalho de todos vocês...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Existia um clima tenso na sala. Os rostos dos apresentadores estavam sem expressão. Ouviam Miceli dissecar sobre a irrelevância de se comentar os comentaristas já tão comentados. De se fazer isso sem levar em conta a fortuna crítica daquele autor. De aceitar a relevância do autor como dada, sem probelmatizá-la. Cadê a justificativa? Dava para se ouvir os suspiros por conta do silêncio sepulcral que se dera como reflexo das palavras do debatedor. O que faltava naqueles trabalhos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;***&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;E o Miceli usava todo o arsenal bélico e fino da sociologia da cultura para reduzir ao quase nada todos os elementos ainda resistentes de uma história das idéias, segundo ele, extremamente mal feita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não houve resposta em mesmo nível. O que é uma pena. Eu gostaria de ter visto um posicionamento contrário, do Leopoldo W., por exemplo, que apresentara um trabalho engenhoso sobre Villa Lobos no dia anterior e que não recorria sistematicamente aos pressupostos da sociologia da cultura e dos intelectuais. Mais próximo da crítica literária, partindo inclusive de uma reflexão do Antonio Candido do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Formação da Literatura Brasileira&lt;/span&gt;, ele discorre justamente sobre um ponto de inflexão formal na obra de Villa Lobos que fugiria, naquele ponto, a determinantes externas de cunho social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;***&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas não houve refute individual, só recalque coletivo. Quiseram ler as críticas do Miceli como críticas de ordem metodológicas. Ora, se bem entendo os argumentos ali colocados, e se os levo às suas últimas consequências (que é a própria reflexividade), seria preciso encontrar o argumento institucional não mais apenas na história feita dos intelectuais estudados, mas na história sendo feita daqueles jovens que não escreveram aqueles trabalhos num vázio institucional. A pergunta é: quem são os orientadores daqueles trabalhos, quais são os critérios analíticos oriundos das ementas de aula das instituições que os formaram,  identificadores  reais das  normas as quais guiaram seus esforços reais de interpretação daquelas obras? Sem essa pergunta só tiramos o curativo da ferida e a deixamos descoberta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;***&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Os trabalhos eram bons? Todos ficaram de acordo com Miceli: não. Sobrou como sempre para o lado mais fraco: o dos pesquisadores entrantes que se caracterizam pela fragilidade na relação de poder estabelecida com os representantes ilustres do pensamento social brasileiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-3428023440382129745?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/3428023440382129745/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=3428023440382129745&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/3428023440382129745'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/3428023440382129745'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2009/10/caxambu-em-fragmentos-3.html' title='Caxambu em fragmentos 3'/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-4298988773552802695</id><published>2009-10-28T07:42:00.002-03:00</published><updated>2009-10-28T08:13:20.605-03:00</updated><title type='text'>Caxambu em fragmentos 2</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chego à sala vazia. Aos poucos as pessoas vão chegando. Capto conversas desconexas  sobre um assunto ou outro. As pessoas se conhecem entre elas. Sorridentes, felizes do reencontro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;***&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;E eu só nesse mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;O GT de pensamento social é um antro feudal da intelectualidade brasileira. Estão todos falando a mesma língua (do pensamento social)? Não importa. É a sociabilidade e não os embates intelectuais que apontam meu desconforto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt; O lugar pode ser descrito como um feudo. Um lugar onde quando os plebeus se arrogam a falar algo, as "besteiras" ditas transparecem no desconforto dos "Senhores" que se apressam a dizer "pode finalizar essa pergunta", o que logo minha tecla sap traduziu por: "vamos discutir algo realmente interessante". Para mais a frente completar: “algo no nosso nível de apreensão”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;***&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Isso deveria parecer natural para mim. Deveria. Afinal, nas regras do jogo acadêmico, o que está realmente em jogo, ou seja, a qualidade argumentativa própria do "pensamento social'' ali posto, deveria ser tido como prioridade. É verdade, deveria me dizer, não vamos peder tempo com perguntas tôlas e sem sentido. Isso faz parte de uma lógica de produção que gera excelência no pensamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Mas aquela sociabilidade me deixou a flor da pele, angustiado: o que é aquilo? Que desconforto é esse?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Os trabalhos foram bons, de alta qualidade, mas algo que não saberia descrever bem me incomodou profundamente, mais do que em outros congressos que participei. Sim, as exposições foram muito cuidadosas, com intelectuais experientes, talentosos e porque não dizer: eruditos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;***&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu achava que estava preparado, mas nem na França vi semelhante imagem de autoreferenciamento coletivo. Não é intextualidade. É o comportamento das pessoas entre elas que evidencia a forma endogâmica de um grupo que pouco se mistura, ou, para dizer o mínimo, se se mistura, só o faz com alguns “iguais”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;***&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Eu entrei mudo e saí calado nesse primeiro dia. E meu calar tão raro nessas ocasiões onde os temas me são tão caros tem a ver com meu espanto em ver de maneira tão explícita a segregação regional da sociologia brasileira. USP, UNICAMP, PUC, definitivamente não são em nada parecidas com as uefepeéis da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;***&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Leopoldo Waizbort apresentou um trabalho novo dele sobre Villa Lobos, solicitando uma leitura formalista da obra do compositor... Segundo comentário dele, já respondendo as perguntas, esse trabalho de conhecimento substantivo da obra é fundamental para garantir um equilibrio entre as análises históricas (segundo ele hegemônicas no caso dos estudos de Villa Lobos) e as análises formalistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;***&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Outro trabalho que eu gostei foi o de Paulo Renato Guérios. “O uso de trajetória de vida como estratégia de análise sociológica: o caso de Heitor Villa Lobos”. Aqui minha percepção se concentrou mais no trabalho de reflexão metodológica do autor que lidava  com uma reflexão a respeito das formas de integrar estudo de trajetória e o contexto social. Isso a partir de uma comparação entre os estudos de trajetória sociológicos e algumas interpreções de Villa Lobos que levavam em conta seu contexto social.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-4298988773552802695?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/4298988773552802695/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=4298988773552802695&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/4298988773552802695'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/4298988773552802695'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2009/10/caxambu-em-fragmentos-2.html' title='Caxambu em fragmentos 2'/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-1079591678988267324</id><published>2009-10-25T19:16:00.005-03:00</published><updated>2009-10-26T17:57:32.036-03:00</updated><title type='text'>Caxambu em fragmentos 1</title><content type='html'>...caramba, essa viagem não acaba. Esse ônibus continua a ziguezaguear como se estivesse em cima do símbolo matemático do infinito. Não quero vomitar. Não posso passar mal, não peguei a porra do saquinho de plástico. Não entendi porque haviam tantos na entrada. O motorista parecia tão tranquilo. Nada em seu semblante transparecia prever tormento na natureza da viagem...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sede havia passado. E o enjôo começou a sumir. Eu tinha a Piauí nas mãos. Li o interessante diário da jovem polonesa Marysia Wróblewska. Ele me fez lembrar de muitas coisas pelo avesso. Com aquela coisa de que as vezes, tentando fugir de clichês, a gente termina se tornando um deles. (Não que a polonesinha seja de todo um clichê, não é isso. Mas não seria um clichê uma jovem inteligente e já culta querer fugir dos clichês ao chegar num país de tantos lugares comuns?) Por outro lado, é muito bom ver os mundos que podem ser descobertos por alguém com uma boa educação: abrir-se para conhecer o outro e aprender mais sobre os próprios limites (a disposição dela ao sair de seu cantinho para conhecer algo tão diferente é muito bonita).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Distraído, a leitura me levou para as palavras de pessoas amadas que aterrizaram nessa terra incrível e quase inexplicável que é o Brasil e seus tantos brasis. Palavras que descrevem com espanto o centro de gravidade do corpo feminino estando na bunda, palavras que titubeiam a dor quase sempre disfarçada dos brasileiros ao falarem de sua alegria real, mas sem sal. Afinal, ninguém consegue assumir que ninguém é capaz de assumir completamente o fardo que é viver em meio a nossa violência urbana. Quem sofre, cuida. Mas cuidar termina sendo se manter no medo ao tentar evitar o pior. Padecemos nessa redundância sem sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bebi na fonte da Majestade Leopoldina, logo senti os benefícios da realeza: grandes poderes trazem maiores responsabilidades. Daí sentei ainda sentido dos saculejos no juízo causados pela viagem. Fiquei num banquinho esperando o efeito terapêutico da àgua chegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda estava cansado. Mas ainda assim li a matéria sobre Serra. Gostei bastante. Mas talvez porque por demais acostumado com o jornalismo ora marketeiro ora detratante de nossa grande imprensa, achei que o equilíbrio dado por Daniela Pinheiro ao retratar um Serra mais complexo, menos caricato, tendia um pouco em desfavor do pré-candidato. As vozes em off denuciavam com muita ênfase os esforços naturais de pessoas próximas e queridas ao tentarem proteger seu ente de possíveis usos impróprios de suas palavras. Esse recurso técnico, muito usado em entrevistas sociológicas e em descrições entnográficas para contextualizar elementos discursivos de entrevistas, tem um incrível efeito de aclarar as intenções por trás da fala. Em todo caso, é uma matéria de bom, muito bom jornalismo. Ela traça um perfil do lado de Serra, jogando meio que contra ele, através desses recursos do qual eu cito um (a descrição das vozes em off), o que é uma meneira a meu ver muito inteligente de equilibrar uma matéria onde a voz inimiga não pode dar o contraponto realmente ponderado sobre o assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje acordei às cinco da manhã. Jorge foi novamente super atencioso comigo. Tomamos o café da manhã juntos. Havia um taxi me esperando embaixo para me levar até a rodoviária. Entrei sim, no que viria a ser o inferno das curvas sem fim...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-1079591678988267324?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/1079591678988267324/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=1079591678988267324&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/1079591678988267324'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/1079591678988267324'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2009/10/caxambu-em-fragmentos-1.html' title='Caxambu em fragmentos 1'/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-8641607998970093446</id><published>2009-09-24T12:22:00.013-03:00</published><updated>2009-09-24T19:48:37.970-03:00</updated><title type='text'>Toda sua vida para chegar aqui.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu e meu amigo Bernardo Jurema passamos um dia inteiro o ano passado passeando pelo Cemitério de Santo Amaro. Tiramos algumas fotos. A idéia era voltar mais vezes. Visitar outros cemitérios, fotografar a vida que vive às proximidades da morte. A atividade causou estranhamento de alguns, o que já era de se esperar. Uns dizendo ser uma bizarrice de nossa parte, outros julgando uma falta de respeito com a memória dos mortos. Ouvimos um pouco de tudo e de tudo um pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que fomos lá e encontramos coisas muito interessantes. Por trás dos jazigos, tumbas e covas ficam escondidos aqueles traços e troços da vida que só a morte ajuda a decifrar mais um pouquinho. Claro, com o empurrãzinho da consciência amarga dos que ainda estão em vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia lá dia cá serão postadas aqui algumas fotos. Umas serão comentadas. Já outras, como as que seguem, não. O objetivo: apenas captar aspectos temáticos, para que a imaginação de cada um sugira com mais liberdade aquilo que as fotografias revelam como &lt;span style="font-style: italic;"&gt;registro&lt;/span&gt;.  Uma ironia, um sarcasmo. Tudo vale diante de algo tão indecifrável. Só não vale ter medo da dita cuja... afinal, no final, dia ou outro&lt;a href="http://funeraria-descanco-eterno.br.telelistas.net/vct/funerarias/aracruz/103753062.htm"&gt;...&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, começo o trabalho com o &lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;Descanço&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_AHR7xuNxsvI/SruQb5i5NVI/AAAAAAAAAA8/X0GhTJWRXfU/s1600-h/DSC00823.JPG"&gt;&lt;img style="cursor: pointer; width: 400px; height: 300px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_AHR7xuNxsvI/SruQb5i5NVI/AAAAAAAAAA8/X0GhTJWRXfU/s400/DSC00823.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5385056588429604178" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;A pá inerte&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_AHR7xuNxsvI/SruST1___eI/AAAAAAAAABE/tfRMKzW0TEE/s1600-h/DSC00824.JPG"&gt;&lt;img style="cursor: pointer; width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_AHR7xuNxsvI/SruST1___eI/AAAAAAAAABE/tfRMKzW0TEE/s400/DSC00824.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5385058649062243810" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_AHR7xuNxsvI/SruUIi67OzI/AAAAAAAAABM/vvtXp-ZqnXc/s1600-h/DSC00866.JPG"&gt;&lt;img style="cursor: pointer; width: 300px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_AHR7xuNxsvI/SruUIi67OzI/AAAAAAAAABM/vvtXp-ZqnXc/s400/DSC00866.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5385060653985381170" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;Repouso profundo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_AHR7xuNxsvI/SrvwITPBOTI/AAAAAAAAABU/nVONISF0oIU/s1600-h/DSC00867.JPG"&gt;&lt;img style="cursor: pointer; width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_AHR7xuNxsvI/SrvwITPBOTI/AAAAAAAAABU/nVONISF0oIU/s400/DSC00867.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5385161804844448050" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_AHR7xuNxsvI/SrvwpuYto3I/AAAAAAAAABc/wD_DRF_4ulY/s1600-h/DSC00845.JPG"&gt;&lt;img style="cursor: pointer; width: 400px; height: 300px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_AHR7xuNxsvI/SrvwpuYto3I/AAAAAAAAABc/wD_DRF_4ulY/s400/DSC00845.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5385162379068547954" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Apenas descanço&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_AHR7xuNxsvI/Srvx2Bj6OEI/AAAAAAAAABk/tiG8P8BYB64/s1600-h/DSC00887.JPG"&gt;&lt;img style="cursor: pointer; width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_AHR7xuNxsvI/Srvx2Bj6OEI/AAAAAAAAABk/tiG8P8BYB64/s400/DSC00887.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5385163689885841474" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;O sebastianismo antenado&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-8641607998970093446?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/8641607998970093446/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=8641607998970093446&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/8641607998970093446'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/8641607998970093446'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2009/09/toda-sua-vida-para-chegar-aqui.html' title='Toda sua vida para chegar aqui.'/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_AHR7xuNxsvI/SruQb5i5NVI/AAAAAAAAAA8/X0GhTJWRXfU/s72-c/DSC00823.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-420770154658926770</id><published>2009-09-09T19:43:00.003-03:00</published><updated>2009-09-09T20:01:35.040-03:00</updated><title type='text'>Cometário Cretino</title><content type='html'>Li esse comentário no &lt;a href="http://scienceblogs.com.br/cretinas/2009/09/popularidade_do_lula_cai_dilma.php"&gt;Idéias Cretina&lt;/a&gt;s a respeito das pesquisas de opinião sobre a queda de popularidade do presidente Lula. Resolvi escrever um comentário cretino porque... tava com vontade:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bem. Margem de erro, intervalo de confiança, tudo bem. Mas senti dificuldade no entendimento de como a opinião vira estatística e vice-versa. Pense comigo... Se para verificar se uma sopa que minha mãe fez está boa sem precisar bebe-la toda, eu preciso um método amostral consistente que me leve a mexer bem a bendita (a sopa e não a minha mãe, convenhamos...) para evitar distorções na amostra (colherada que darei com sal devidamente distribuído na totalidade da sopa), por exemplo, imagine o que devo "mexer" quando a "amostra representativa" trata-se de uma opinião sobre algo? A sopa a gente até entende o porquê da mexidinha ser tão importante. Mas como é isso com gente humana assim, tão contraditória? A elegância corretiva da "margem de erro" e do "intervalo de confiança" traduzem bem o que de contraditório pode existir numa "opinião"? Fico tão escasquetado com essas coisas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-420770154658926770?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/420770154658926770/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=420770154658926770&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/420770154658926770'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/420770154658926770'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2009/09/comentario-cretino.html' title='Cometário Cretino'/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-4147725372851064527</id><published>2009-09-02T18:55:00.002-03:00</published><updated>2009-09-02T19:03:18.638-03:00</updated><title type='text'>Morte de Nascimento do Passo</title><content type='html'>De Nascimento do Passo lembro de dois momentos: meu pai fazendo aulas de frevo com ele e uma visita que fiz à casa dele com Valéria Vicente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje vinha ouvindo a CBN no carro e soube de sua morte. Reproduzo aqui um e-mail desabafo de Valéria que penso ser também uma &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;denúncia&lt;/span&gt; sobre o trato com nossos artitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="font-style: italic;" class="EC_MsoNormal"&gt;Gostaria de dividir minha tristeza diante do falecimento do inventor da dança frevo, como conhecemos hoje. Nascimento do Passo foi o grande tradutor de uma dança extremamente subversiva criada no Recife no final do séc. XIX e início do século XX.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-style: italic;" class="EC_MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-style: italic;" class="EC_MsoNormal"&gt;O frevo de rua, que de tão debochado ficava fora dos cordões dos clubes de frevo, até meados do séc. XX, foi disseminado através do trabalho pedagógico de Nascimento. Nascimento do Passo defendia o frevo como dança, como ginástica e como terapia. De fato, ao ser afastado da dança que praticamente ressuscitou, morreu. Primeiro afetivamente, depois três AVCs reduziram sua capacidade de movimento e fala. Agora, um câncer no estômago o levou. Antes, uma de suas ex-esposas conseguiu retirar cinqüenta por cento de sua pensão por “abandono de lar”. &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-style: italic;" class="EC_MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-style: italic;" class="EC_MsoNormal"&gt;Diante da morte:&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-style: italic;" class="EC_MsoNormal"&gt;A sensação de que poderíamos ter sido mais veementes na ajuda financeira e humana. A sensação de injustiça a um homem que deu tudo pela arte e que em troca foi condenado antes do julgamento.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-style: italic;" class="EC_MsoNormal"&gt;A responsabilidade diante de seu legado.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-style: italic;" class="EC_MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-style: italic;" class="EC_MsoNormal"&gt;É importante que se saiba: o Método Nascimento do Passo de ensino de frevo não é mais ensinado na Escola Municipal. A falta de uma política de registro e transmissão para a dança do frevo, respeitando as etapas históricas, suas aquisições e limitações de forma séria, nos coloca como partícipes de uma perda inestimável do nosso patrimônio imaterial. Atualmente, apenas o Grupo Guerreiros do Passo (http://guerreirosdopasso.blogspot.com) mantém o trabalho de transmissão desse método. Curiosamente,este grupo não conta com nenhum apoio público e este ano não desfilou com sua Troça, no carnaval, por falta de patrocínio.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-style: italic;" class="EC_MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-style: italic;" class="EC_MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;span style="font-size: 12pt; font-family: 'Times New Roman'; font-style: italic;"&gt;Valéria &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-4147725372851064527?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/4147725372851064527/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=4147725372851064527&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/4147725372851064527'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/4147725372851064527'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2009/09/morte-de-nascimento-do-passo.html' title='Morte de Nascimento do Passo'/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-1067601693542380753</id><published>2009-08-10T09:47:00.002-03:00</published><updated>2009-08-10T09:51:05.796-03:00</updated><title type='text'>Sarney por Glauber (1966)</title><content type='html'>&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/t0JJPFruhAA&amp;color1=0xb1b1b1&amp;color2=0xcfcfcf&amp;hl=en&amp;feature=player_embedded&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowScriptAccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/t0JJPFruhAA&amp;color1=0xb1b1b1&amp;color2=0xcfcfcf&amp;hl=en&amp;feature=player_embedded&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" allowScriptAccess="always" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Via: &lt;a href="http://pedrodoria.com.br/2009/08/09/glauber-e-sarney/"&gt;Pedro Doria&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-1067601693542380753?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/1067601693542380753/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=1067601693542380753&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/1067601693542380753'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/1067601693542380753'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2009/08/sarney-por-glauber-1966.html' title='Sarney por Glauber (1966)'/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-1283770581517407862</id><published>2009-07-31T12:29:00.003-03:00</published><updated>2009-10-15T14:27:42.274-03:00</updated><title type='text'>Prêmio Florestan Fernandes: indissiocrasias e instituições na SBS</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu comentei aqui certa vez &lt;a href="http://ooxymore.blogspot.com/2008/04/o-oxymore-volta-oxigenado.html#links"&gt;minhas impressões &lt;/a&gt;sobre o congresso do BRASA que aconteceu ano passado nos EUA. Falei naquele momento das relações de poder entre pesquisadores que, brasileiros ou americanos, dependendo de qual instituição representavam, pareciam se situar dentro de uma relação de dominação muito peculiar, onde os intelectuais fixados em universidades americanas tinham maior relevância e se mostravam impaciêntes com certas práticas oriundas de vícios na forma de pensar tupiniquim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, estou no XIV congresso da Sociedade Brasileira de Sociologia. E a socialidade dos sociólogos parece revelar aos meus olhos, mais uma vez, as relações também discretas de poder muitas vezes camufladas e apaziguadas pelos ritos formais de apresentação do universo acadêmico.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Silke Weber, FHC e o prêmio Florestan Fernandes&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Silke é minha professora na UFPE. É uma pessoa a quem respeito muito, porque exerce com muita seriedade, depois de tanto tempo, as tarefas que lhe são dadas como professora da Pós-Graduação. É esse o lado dela que conheço, o da professora antenta e atenciosa com os estudantes. Acho sim muito comovente o entusiamos com que ela anima o seminário de sociologia do PPGS, que considero por várias razões o melhor momento da formação dentro da pós-graduação em sociologia. Seu discurso, coerente com ela mesma e seus sentimentos, seguiu no seguinte sentido: não entendo porque recebo esse prêmio, porque se fiz algo extraordinário, foi cumprir as tarefas que foram dadas a minha geração de garantir a existência da universadade no sentido de formar quadros capacidados etc... Não lembro ao certo o que foi dito, mas a linha foi essa. O que me emocinou, porque condizia com o que vejo nela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Henrique Cardoso. Não vou falar da biografia do príncipe, né? Vou direto a linha do discurso dele: eu aceitei vir receber esse prêmio porque, claro, uma das razões, ele tem o nome do Florestan. Depois com aquela modéstia que lhe é tão característica, disse: para vocês terem uma idéia da minha relação com o Florestan, quando eu era presidente e ele ficou doente, eu fui visitá-lo... etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Constraste: Silke se perguntava os porquês de merecer tal prêmio, FHC se dava as razões pelas quais aceitou receber a premiação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FHC e Silke Weber, que dizem eles de nosso universo de produção intelectual? Esses opostos que podem, é verdade, representar apenas personalidades distintas não poderiam também ser vistos como indicadores de concepções institucionais onde USP e UFPE encarnam suas respectivas representações de si no universo de produção acadêmica?  Claro que não, me dirão alguns... o príncipe dos sociólogos quase não ensinou na USP. Depois de sua aposentadoria compulsória, ele nunca mais voltou. Como poderia ele representar isso? É verdade, responderia. Mas a idéia de colocar as coisas dessa maneira me pareceu tão natural quanto a de associar o nome de FHC a da USP que o formou. Aquela mesa USP que ele fala hoje em dia com certo falso desdem, insinuando que não aprendeu nada direito ali porque não entendia as aulas que eram dadas em francês... Aquela mesma USP do Florestan que prezava pelo rigor e a cientificidade... Ah, aquela USP aclamada e invejada pela posteridade que a estuda como verdadeiro pilar da fundação institucional da sociologia no Brasil... Quantos não ditos aí ? Quanto ainda para serem ditos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado como não associar o discurso de Silke às condições particulares de produção do saber sociológico na UFPE? Um departamento que teve sim que se preocupar durante muito tempo com a formação de seus quadros para sua própria manutenção.Um departamento que, excetuando alguns esforços localizados encontrados em textos memorialísticos de Heraldo Solto Maior, não encontra força para reconhecer em si mesmo base para ser pilar de fundação de qualquer sociologia no Brasil. Que obra o PPGS produziu que se tornou referência no Brasil? Já a USP...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, FHC é uma figura autocentrada em si mesmo com requintes egocêntricos megalomaníacos (adoro redundâncias que condizem com a realidade dos fatos). Mas ele representa um estado de espírito uspiano de ser... Como Silke, um modo de ser cefichiano da UFPE. E isso...  Digo, e nisso, acho que podemos e devemos pensar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-1283770581517407862?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/1283770581517407862/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=1283770581517407862&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/1283770581517407862'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/1283770581517407862'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2009/07/premio-florestan-fernandes.html' title='Prêmio Florestan Fernandes: indissiocrasias e instituições na SBS'/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-440857084921487948</id><published>2009-07-20T22:00:00.003-03:00</published><updated>2009-07-20T22:32:23.730-03:00</updated><title type='text'>Modos de aprender, modos e medos de dizer como se aprende... (Notas sobre a recepção de Bourdieu no Brasil)</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal  {mso-style-parent:"";  margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:12.0pt;  font-family:"Times New Roman";  mso-fareast-font-family:"Times New Roman";} @page Section1  {size:612.0pt 792.0pt;  margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm;  mso-header-margin:36.0pt;  mso-footer-margin:36.0pt;  mso-paper-source:0;} div.Section1  {page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable  {mso-style-name:"Table Normal";  mso-tstyle-rowband-size:0;  mso-tstyle-colband-size:0;  mso-style-noshow:yes;  mso-style-parent:"";  mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;  mso-para-margin:0cm;  mso-para-margin-bottom:.0001pt;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:10.0pt;  font-family:"Times New Roman";  mso-ansi-language:#0400;  mso-fareast-language:#0400;  mso-bidi-language:#0400;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Aprendi lendo algo de sociologia da educação certas coisas. Talvez a mais importante delas seja a lição que diz que devemos considerar os &lt;i style=""&gt;modos de apredizado&lt;/i&gt; como um elemento importante para identificar processos sociais complexos, como os que se evidenciam na descrição de lógicas violentas de “aceitação de si” em alunos “fracassados”, ou com pouca chance de “vencer na vida” &lt;i style=""&gt;através&lt;/i&gt; &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;da escola. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Podemos lembrar que falar de aprendizado é lidar com questões caras a sociologia. O que seria da sociologia sem conceitos como assimilação, por exemplo? Ou como o de aculturação? &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Na filigrana dos conceitos pode-se dar acento ao primeiro usando o segundo como suporte semântico. Nesse sentido aculturação é um tipo de assimilação onde se envidencia com mais ênfase a violência das relações pedagógicas &lt;i style=""&gt;presentes nas distâncias sociais&lt;/i&gt; que as diferentes culturas (socialmente marcadas e marcantes) produzem. Por exemplo, o fato de filhos de indivíduos com pouco grau de escolaridade terem de enfrentar mais dificuldades no processo de assimilação do conhecimento exigido pela escola por lidarem cotidianamente em suas famílias com uma linguagem por demais distante daquela da sala de aula.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A palavra que explica e justifica o aprendizado de tipo escolar em qualquer lugar do mundo é uma só: pedagogia. Aqui não me atenho a etimologia. Da simples descrição da postura pedagógica e do contraste dela com as maneiras de aprender dadas naturalmente no mundo ( apredizado mimético, por imitação, por repetição mecânica, por tentativa e erro, etc.) –, encontramos em crisálida, sem mais considerações, uma separação estrutural e estruturante que se não explica “replica”, representa, reproduz a estrutura social assim dividida e&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;hierarquizada: o verbo e a teoria de um lado( o de cima), o fazer e a prática de outro (o de baixo).&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Existe um texto estupendo a esse respeito que exemplifica bem tudo isso que digo em linguagem teórica. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Pena que o contexto que a teoria abarca seja tão diferente do nosso. Aliás, o que é triste é que não façamos do contraste entre os contextos um pretexto para entender melhor como se agencia as lógicas das desigualdades sociais através de nossas escolas pelo Brasil a fora. Mas isso é um outro papo...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;O texto a que me refiro é o &lt;i style=""&gt;La Noblesse d’État&lt;/i&gt;(1989). Livro que por sinal, incompreensivelmente, ainda não foi traduzido no Brasil. E isso é incompreensível porque o livro retoma e refina teses do &lt;i style=""&gt;La Réproduction&lt;/i&gt; (1970) que foram abundantemente usadas e debatidas por aqui, inclusive de maneira muitas vezes inócua, tendo seu conteúdo servido apenas para apresentar suas idéias e teses como mero discurso refratário do estruturalismo reprodutivista, que no final das contas, diziam nesse debate, tinha o grande defeito de não levar em conta o potencial libertador da educação.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Grande balela, o livro velho, datado dos anos setenta, &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;mas em certa medida ainda atual, tinha muitos defeitos, sendo o maior deles, a meus olhos de hoje, o de querer produzir muito precocemente os “elementos para uma teoria do sistema de ensino”. Não os tinha. Porque a Escola francesa não era nem é a Escola. E sim uma, ela representa um sistema de ensino. Mas era um trabalho extraordinariamente contra-intuitivo que tratava o mito da escola republicana francesa de frente, numa época onde isso soaria como blasfêmia, uma afronta ao alicerce do regime replublicano como um todo. Do ponto de vista metodológico o texto descrevia de maneira competente questões de difícil acesso ao sensível. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;E mérito maior: usava as ferramentas da sociologia - aliadas a uma reflexão lógico-filosófica extremamente exigente(é só lembrar o gráfico que reproduzia as relações lógicas entre as partes do livro)-, para caracterizar a homologia das estruturas que faziam com que a escola republicana ao invés de funcionar como &lt;i style=""&gt;garantia&lt;/i&gt; das &lt;i style=""&gt;igualdades de condições&lt;/i&gt;, terminasse por ser na verdade a vilã que ajudava a &lt;i style=""&gt;perpetuar a reprodução das desigualdades&lt;/i&gt; sociais. Mas me parece que pouco daquela metodologia foi realmente assimilida, quem dera criticamente assimilada, pelo debate acadêmico brasileiro. Parece que o fato de já existir uma separação mais visívil, socialmente marcada, entre a escola pública e a privada, proibiu ou inibiu a vontade de conhecer os mecanismo de funcionamento da estrutura escolar que coadunam ou não (vai saber!) com a da estrutura social correlatamente hierarquizada. Mas uma vez é uma pena. Mas isso é um outro papo...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Nosso papo conta aqui que Bourdieu no Noblesse d’Etat descreveu em nuance algumas contradições insolúveis no processo de seleção da nata intelectual da qual, vejam só, ele mesmo fazia parte. Insolúveis, é preciso dizer, não&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;por serem metafísicas ou paradoxais no sentido teórico do termo, mas por ganharem sentido específico ao designarem os nóis tensos existindo nas avaliações, que marcam e separam, articulam e escamoteiam o social nas avaliações acadêmicas,  sempre escolhendo os “melhores”, &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;para e pelas práticas que egendram e estruturam o &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;ensino superior de alto nível na França. &lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Traduzo aqui uma parte para vocês:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;“ As diferenças entre as disciplinas &lt;i style=""&gt;recobrem&lt;/i&gt;, em duplo sentido, diferenças sociais: as disciplinas canônicas, como o francês ou letras clássicas e as matemáticas ou a física, socialmente designadas como mais importantes e mais nobres, consagram estudantes mais frequentemente oriundos de familias abastadas tanto por sua posição social quanto por seu capital cultural, mas também proporcionalmente esses estudantes são mais numerósos a terem seguido a via real dos &lt;i style=""&gt;Lycées&lt;/i&gt; e as sessões clássicas da 8ª série ao científico e a ter saltado de turma no estudo secundário, e  são mais informados das orientações e das carreiras possíveis.&lt;i style=""&gt; &lt;/i&gt;Nada de surpriendente dentro dessas condições se a hierarquia escolar das disciplinas coincide com aquela que se estabelece segundo a idade média dos laureados e que vai das matemáticas à física e às ciências naturais dentro das matérias científicas e do francês ou letras clássicas à história e geográfia ou línguas, para as disciplinas literárias.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Uma das melhores provas do privilégio acordado aos valores carismáticos que leva a instituição escolar a ignorar o trabalho propriamente escolar de aquisição é o culto assumido à precocidade, valorisado como índice do “dom”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A idéia de precocidade é uma construção social que se define apenas na &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;relação entre idade na qual se realiza uma prática e a idade considerada como “normal” para sua realização ou, mais precisamente, a idedade modal a qual ela é realizada dentro da população de referência-, ou seja, em se tratando da precocidade escolar, a idade modal dos indivíduos encontrados em um certo nível de estudo.Se vê imediatamente que, como a idéia de precocidade sexual supõe a diferença a uma definição mais ou menos fortemente instituida da divisão em classe de idade, a idéia de precocidade escolar supõe a existência de um &lt;i style=""&gt;cursus &lt;/i&gt;distribuído em classes escolares marcando a mesma quantidade de etapas (&lt;i style=""&gt;gradus&lt;/i&gt;) na aquisição progressiva dos conhecimentos e associadas a uma idade determinada: ora, como mostrou Philippe Ariès, uma tal estrutura só se constituiu a partir do início do século XVI. A pedagogia indiferenciada da Idade Média ignorava a idéia de uma relação entre “a estruturação das capacidades e aquela das idades”. A medida em que a estrutura do &lt;i style=""&gt;cursus &lt;/i&gt;se precisa e se endurece, particularmente a partir do século XVII, as carreiras precoces se tornam mais raras e é neste momento que elas começam a aparecer como um indício de superioridade e uma promessa de sucesso social.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;O aluno precoce, que o limite é a “criança prodígio” ou, como se diz hoje, o “superdotado”, atestaria, pela sua rapidez quase miraculosa de seu aprendizado, a extensão dos dons que lhe permitem economizar o lento trabalho de aquisição o qual são destinados os indivíduos ordinários. Na verdade,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;a precocidade é apenas uma das retraduções escolares do privilégio cultural. Observa-se dessa forma que a parte dos laureados que o pai e a mãe detem um diploma superior ao segundo grau completo passa de 38% e 3% (respectivamente) entre os que tem 18 anos ou mais no penúltimo ano antes do vestibular, ou 19 anos ou mais no último ano, a&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;39% e 21% para os 17-18 anos, 52% e 31% para os 16-17 anos, 69,5% et 37% pour les 15-16ans (as origens sociais variam segundo a mesma lógica). Nada de surpriendente dentro dessas condições se aquilo que designa-se como precocidade, e que é na realidade uma manifestação da herança cultural, está estreitamente associado a todos os índices de sucesso.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A idéia de dom é tão fortemente ligada a de precocidade que a juventude tende a constituir em si uma garatia de talento. Dessa forma, os jurados da agregação podem reconhecer um concurso “brilhante” da parte dos recem chegados, dos “novos talentos”: “ Ora nós temos visto este ano muitos desses jovens recrutas se distinguir. De vinte-sete recebidos, conta-se quatorze candidatos não tendo ensinado, e oito entre eles são classificados entre os dez primeiros (...). O sucesso deles não nos faz esquecer os méritos dos professores em exercicio que, estando em condições de trabalho menos favoráveis, forneceram um &lt;i style=""&gt;esforço valoroso&lt;/i&gt; e triumfaram das dificuldades. Mas aos que se afirmaram &lt;i style=""&gt;desde o seu primeiro concurso&lt;/i&gt; nós reconhecemos não apenas de ter &lt;i style=""&gt;animado&lt;/i&gt; a prova oral pelo seu &lt;i style=""&gt;entusiamo&lt;/i&gt; e seu desejo de convencer, mas também por nos ter fornecido um precioso testemunho” (concurso de agregação de gramática masculina, 1963). “ Na prova oral, os “quadrados” [cadidatos mais jovens] se revelam frequentemente os melhores: mais “vivos” na entrevista, mais “despertados”, mais “disponíveis”. Ao longo do concurso, o &lt;i style=""&gt;peso&lt;/i&gt; se substitui pela &lt;i style=""&gt;graça&lt;/i&gt; (concurso para entrar na École normale superieur d’Ulm, prova oral de filosofia, 1965). O estudante precoce, criança querida do juri é objeto de uma indulgência especial, suas lacunas e seus erros podem mesmo, a título de “pecado de juventude”, concorrer a provar seu talento: “ Elas são mais jovens que os anos precedentes. Não devemos pensar que muitas pecaram pela falta de maturidade, d’experiência, e que seus defeitos poderiam ser rápidamente corrigidos (...). Sob a &lt;i style=""&gt;falta de destresa&lt;/i&gt; [gaucherie]&lt;i style=""&gt; &lt;/i&gt;delas, sob a &lt;i style=""&gt;igenuidade&lt;/i&gt; delas, as vezes &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;i style=""&gt;dons&lt;/i&gt; e qualidades sérias que são de mesma forma &lt;i style=""&gt;promessas&lt;/i&gt; (concurso de agregação de letras modernas feminino, 1965).&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Na verdade, a precocidade é apenas um dos indícios, mas um particularmente certo, do modo de aquisição de cultura que privilegia a instituição escolar. Se os sistemas de maneiras que distiguem as taxonomias escolares remtem sempre (qualquer que seja o grau de refinamento) às diferenças sociais, é que em matéria de cultura a maneira de adquirir se perpetua dentro do que é adquirido sob a forma de uma certa maneira de usa-lo. A relação que um indivíduo matem com a Escola, com a cultura que ela transmete e com a língua que ela utiliza e exige depende dentro de sua modalidade da distância entre seu meio familiar e o universo escolar e de suas chances genéricas de sobrevida dentro do sistema, ou seja da probabilidade de acessar uma posição escolar determinada que é objetivamente ligada ao seu grupo de origem. Desta forma, uma vez que acredita-se reconhecer as nuances indefiníveis que definem a “facilidade” ou o “natural” as condutas ou os dicursos que considera-se como autenticamente “cultos” porque eles não carregam nenhuma marca do esforço nem nenhum traço do trabalho de aquisição, refere-se na realidade a &lt;i style=""&gt;um modo particular de aquisição&lt;/i&gt;: aquilo que chama-se facilidade é o privilégio daqueles quem, tendo adquirido sua cultura por familiarização insensível no seio mesmo de sua família, tem a cultura acadêmica como cultura materna e pode manter com ela uma relação de familiaridade implicando inconsciência da aquisição. [...]  " (p.33-36)&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Pierre Boudieu(1970), La reproduction: éléments pour une théorie du système d'enseignement&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Pierre Bourdieu (1989), La Noblesse d'Etat: grandes écoles esprit de corps&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-440857084921487948?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/440857084921487948/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=440857084921487948&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/440857084921487948'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/440857084921487948'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2009/07/modos-de-aprender-modos-e-medos-de.html' title='Modos de aprender, modos e medos de dizer como se aprende... (Notas sobre a recepção de Bourdieu no Brasil)'/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-2410735211978294480</id><published>2009-07-16T15:54:00.003-03:00</published><updated>2009-07-16T16:03:17.518-03:00</updated><title type='text'>Direto de Londres</title><content type='html'>&lt;p style="text-align: justify;" class="EC_EC_MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=";font-size:36;color:black;"  &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="EC_EC_MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=";font-size:36;color:black;"  &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Meu amigo BJ lembrou de mim lá do reino de Tão Tão Distante. Mandou-me em letras garrafais as seguintes palavras:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="EC_EC_MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=";font-size:36;color:black;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="EC_EC_MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=";font-size:36;color:black;"  &gt;O que é oxímoro...&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;b&gt;&lt;span style="font-size:18;"&gt;Oxímoro é, segundo o dicionário Houaiss, uma figura de retórica, na qual se combinam palavras de sentido oposto que parecem excluir-se mutuamente&lt;span style="color:black;"&gt;,&lt;/span&gt; mas&lt;span style="color: rgb(31, 73, 125);"&gt; &lt;/span&gt;que, no contexto, reforçam uma expressão..&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:18;"&gt;Por exemplo: &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size:13;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:13;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:18;"&gt;o grito do silêncio, silêncio ensurdecedor, obscura claridade,&lt;span style="color: rgb(31, 73, 125);"&gt; &lt;/span&gt;contentamento descontente, ilustre desconhecido e por aí vai.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:18;"&gt;Noutro exemplo, Escola Superior de Guerra é um oxímoro, na opinião de Millor&lt;span style="color: rgb(31, 73, 125);"&gt; &lt;/span&gt;Fernandes. &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size:13;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:13;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:18;"&gt;Segundo ele, sendo de guerra não poderia ser superior.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:18;"&gt;Pois é.  &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size:13;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:13;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:18;"&gt;O Brasil, além de tudo, é mesmo um país "oximoroso". O autor da&lt;span style="color: rgb(31, 73, 125);"&gt; &lt;/span&gt;descoberta é o Professor&lt;span style="color: rgb(31, 73, 125);"&gt; &lt;/span&gt;de português Sérgio Rodrigues.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:18;"&gt;Há um tremendo oxímoro que não sai das manchetes dos jornais nos últimos&lt;span style="color: rgb(31, 73, 125);"&gt; &lt;/span&gt;dias:&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:18;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:18;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:36;"&gt;"Conselho de Ética do Senado"&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Retórica de tensão é isso...  né não!&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-2410735211978294480?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/2410735211978294480/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=2410735211978294480&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/2410735211978294480'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/2410735211978294480'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2009/07/direto-de-londres.html' title='Direto de Londres'/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-6809037800856226587</id><published>2009-06-27T23:45:00.002-03:00</published><updated>2009-06-28T10:30:50.614-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='coisinhas'/><title type='text'>Passado</title><content type='html'>"Jampa,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existem livros que não podem ser lidos de uma só vez nem de uma vez só&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é um deles. Por isso eu lembrei de te dar para que você possa saboreá-lo da melhor forma possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;01 de Setembro de 1995. "&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém andava feliz com meu aniversário. Ele se deu o trabalho de comprar o " Morte e Vida Severina e Outros Poemas Para Vozes" e dar um João inteligente para um outro, menos sabido tanto em prosa quanto em verso. Os anos passaram, eu passarinho, continuo um João-Sem-Verso-Nem-Prosa.  Fiéis heróricos leitores.Fiéis. Heróicos. Leitores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feliz do homem e da mulher que consegue se repensar ao tentar pensar o mundo. Talvez a grande descorberta de Freud não tenha sido o inconsciênte alheio, mas o dele mesmo. É verdade, estamos presos a nós mesmos. 24 horas por dia. Que horror! Sendo assim, nada mais lógico do que aplicarmo-nos em si aquele método que acreditamos ser bom para explicar o outro. Afinal, o conhece a ti mesmo parece ser um elemento condicional da sanidade mental de qualquer saber pós-freudiano.  Alguns em plena conscência de si não se sentem asquerosos, ainda. Outros percebem no asco a definição mesma de qualquer eu realmente profundo, só assim identificado.  Eu divago e evito o sordidez imperiosa que é aceitar quem sou do jeito que sou. Tento tolerar o fato de estar "resistindo" ao meu objeto de estudo, também por ele dizer quem eu sou. Sentido-me fraco, falta-me a força-sevirina: como é escassa em mim a secura pedagógica da pedra do outro João. Tem João para tudo nessa vida. O meu pede socorro. E com ele o blogue, que definha, como sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De 1995 para cá tanta coisa se passou. Amores. Universidades. Países. Perdido no mundo querendo se encontrar. Encontrando no mundo lugar para ficar perdido. Querendo no mundo encontrar lugar perdido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo piegas. Brega. Como eu...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-6809037800856226587?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/6809037800856226587/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=6809037800856226587&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/6809037800856226587'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/6809037800856226587'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2009/06/passado.html' title='Passado'/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-7626272517671109520</id><published>2009-06-16T16:30:00.004-03:00</published><updated>2009-06-16T16:54:24.163-03:00</updated><title type='text'>... é minha qualificação... um ato "blogueiro petrobras"?</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A grande dificuldade de lidar com uma "qualificação" é passar por ela sem entender o seu real siginificado e relevância. Então, não tendo me feito as perguntas nos moldes que me foram feitas, como num questionário sociológico mal construído, tenho que responder questões que não me fiz , e achar que elas são relevantes para meu trabalho, mesmo achando que, da maneira que elas são postas, elas não dizem nada a respeito das fraquezas e possíveis riquezas do meu trabalho... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui vai primeiro quesito com sua resposta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justifique suas escolhas teóricas diante das&lt;br /&gt;alternativas possíveis mais relevantes ao seu objeto,&lt;br /&gt;problemas de estudo e objetivos a serem alcançados&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para justificar minhas escolhas teóricas diante das alternativas possíveis&lt;br /&gt;relevantes ao meu objeto, reconstruo de maneira resumida as questões e problemas&lt;br /&gt;sociológicos que acredito estarem ligados aos documentos que analiso. Explico e&lt;br /&gt;justifico porque o meu referencial teórico se encontra difuso no corpo da tese (e não&lt;br /&gt;explicitado em um capítulo autônomo) e identifico a base espistemológica que dá&lt;br /&gt;coerência aos diferentes autores e abordagens que me servem de surporte para dar conta&lt;br /&gt;dos problemas propostos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em meu trabalho, parti do princípio que para estabelecer um bom equilíbrio na&lt;br /&gt;argumentação sociológica, eu não poderia fazer minhas escolhas teóricas de maneira&lt;br /&gt;apartada da construção do objeto e problemática de pesquisa. Acredito que o&lt;br /&gt;estabelecimento prévio de um referencial teórico me faria tomar com demasiada&lt;br /&gt;facilidade a teoria como uma pré-explicação do fenômeno estudado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Evitei me fazer questões do tipo “ a teoria dos campos de Bourdieu poderia me&lt;br /&gt;ajudar a dar conta do objeto literatura no Brasil?”, e partir de tal questão para justificar&lt;br /&gt;uma suposta superioridade teórica da teoria dos campos para integrar tipos de análises&lt;br /&gt;divergentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Preferi instrumentalizar boa parte do potencial heurístico contido na&lt;br /&gt;sociologia da socialização e diferenciação social do sociólogo francês, sem pretender&lt;br /&gt;com isso que meu trabalho devesse supor a existência prévia de um campo literário no&lt;br /&gt;Brasil. Ao invés disso, problematizo mais diretamente a realidade social estudada, a&lt;br /&gt;partir da análise documental informada sociologicamente por elementos genéricos da&lt;br /&gt;teoria social como os contidos nesse pilar da sociologia que é a idéia de diferenciação&lt;br /&gt;social. Grande parte de minha verve curiosa está contida na expectativa mesma de&lt;br /&gt;entender melhor como o mundo social funciona em contextos específicos, função que&lt;br /&gt;atribuo à sociologia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A teoria nesta tese é entendida estando mais próxima de sua origem grega, onde&lt;br /&gt;o verbo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;theorein&lt;/span&gt; queria dizer “olhar para”, “contemplar” (Castro Rocha, 2004, p. 156),&lt;br /&gt;coisa que se perde depois, mas que faz notar desde sua gênese a teoria necessitando&lt;br /&gt;desse contato impuro com a realidade. Acreditando que dessa “relação impura” saiu o&lt;br /&gt;que de melhor a teoria sociológica produziu, uso desse “espaço lógico próprio à&lt;br /&gt;sociologia” para fugir da rigidez formalista que engessaria o trabalho numa falsa&lt;br /&gt;dicotomia do tipo “referencial teórico x pesquisa empirica”. Como tão bem descreveu&lt;br /&gt;Jean-Claude Passeron, a sociologia se efetua num espaço assertórico híbrido onde o&lt;br /&gt;raciocínio sociológico é na prática um tipo de conhecimento muito distante da idéia de&lt;br /&gt;“ciência experimental dos fatos sociais” como a sonhada por Durkheim (Passeron,&lt;br /&gt;2006). A tese não resume sua &lt;span style="font-style: italic;"&gt;démarche&lt;/span&gt; a um referencial teórico adotado simplesmente&lt;br /&gt;contrapondo-o a outros. O que ela faz é atrelar o objeto às perspectivas sociológicas que&lt;br /&gt;são teórica e epistemologicamente coerentes entre si, confrontando as últimas com a&lt;br /&gt;realidade social, mesmo que isso seja feito em função de problemas ordenados por&lt;br /&gt;questões teóricas oriundas da sociologia clássica (sobretudo Durkheim, Weber e Marx)&lt;br /&gt;e contemporanea (Bourdieu, Passeron e Miceli, por exemplo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A consequência disso na estruturação do trabalho é que organizei sempre as&lt;br /&gt;partes da tese dividindo-as em capítulos que buscam sempre sair da análise mais&lt;br /&gt;concreta para as teorizações e interpretações de veio sociológico. Acontecendo o mesmo&lt;br /&gt;entre as próprias partes, sendo a última, por exemplo, um esforço de formalização das&lt;br /&gt;análises empíricas e teóricas das duas primeiras (Cf. Sumário).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O referencial teórico usado para dar conta do objeto de estudo e problema&lt;br /&gt;sociológico propostos nesta tese, foi construído em função de critérios epistemológicos&lt;br /&gt;de historicidade e rentabilidade empírica das teorias a disposição da pesquisa. Autores&lt;br /&gt;que fudamentaram teoricamente a sociologia dos intelectuais e das obras dentro de uma&lt;br /&gt;perspectiva histórica de análise relacional e diferencial das disciplinas intelectuais&lt;br /&gt;(Bourdieu, 1998 ; Chamboredon, 1986 ; Lahire, 2004, 2006 ; Lepenies, 1990 ; Moretti,&lt;br /&gt;2008 ; Ramos, 1989) são utilizados de maneira difusa e diversa no corpo da tese,&lt;br /&gt;sempre com precaução de mediar as apropriações feitas também pela leitura crítica dos&lt;br /&gt;esforços interpretativos locais (Candido, 2000a, 2000b ; Guimarães, 2004 ; Lima, 2007 ;&lt;br /&gt;Miceli, 1995, 2001a, 2001b ; Rocha, 1998, 2004 ; Waizbort, 2007) auxiliados pela&lt;br /&gt;instrumentalização da leitura da crítica e história literária sociologicamente informadas&lt;br /&gt;(Bueno, 2006 ; Candido, 1992, 2000a, 2000b ; Dubois, 2000 ; Schwarz, 1992, 2000).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A coerência interna dessas abordagens se encontra na tese na medida em que estão&lt;br /&gt;sendo operadas para descrever, interpretar e objetivar fenômenos em contraposição às&lt;br /&gt;análises formalistas (transhistoricas e/ou ahistóricas) como as presentes sistematicamente nas perspectivas de cunho eminentemente fenomenológico na sociologia da arte (Cf. Dubet , 1994 ; Boltanski, 1990 ; Heinich, 1994,1998, 1999, 2000, 2005) ou de maneira parcial no procedimento da crítica literária mesmo a mais sociolologicamente informada (Candido, 2000a, 2000b ; Lima 2007).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Continua...)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-7626272517671109520?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/7626272517671109520/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=7626272517671109520&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/7626272517671109520'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/7626272517671109520'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2009/06/e-minha-qualificacao-um-ato-blogueiro.html' title='... é minha qualificação... um ato &quot;blogueiro petrobras&quot;?'/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-8266413922129409890</id><published>2009-06-05T06:41:00.002-03:00</published><updated>2009-06-05T07:44:02.966-03:00</updated><title type='text'>A grande imprensa brasileira e o acidente do AF447</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Deixo aqui apenas mais um ponto que comprova a &lt;a href="http://avoltadosquenaoforam.wordpress.com/2009/06/01/af447-e-a-histeria-dos-portais/"&gt;histeria dos portais&lt;/a&gt; de "informação".   Não sei se é necessário existir&lt;a href="http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/06/04/as-licoes-da-bbc/"&gt; lição de jornalism&lt;/a&gt;&lt;a href="http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/06/04/as-licoes-da-bbc/"&gt;o&lt;/a&gt; nesses casos onde uma tragédia imensa deixa a todos sem muito norte.  No calor das emoções até quem &lt;a href="http://ohermenauta.wordpress.com/2009/06/01/af-447/"&gt;informa melhor&lt;/a&gt; fica ansioso quando &lt;a href="http://ohermenauta.wordpress.com/2009/06/02/ainda-o-af-447-5/"&gt;informações que gostaríamos que fossem verdade&lt;/a&gt; aparecem.  Mas de fato existe uma afobação muito grande em torno do ocorrido, o que já trouxe algumas declarações erradas porque pautadas em especulações precoces. Em texto de hoje do &lt;a href="http://www.lemonde.fr/societe/article/2009/06/05/l-origine-des-debris-recuperes-ne-provient-pas-de-l-airbus-disparu_1202604_3224.html#ens_id=1200707"&gt;Le monde&lt;/a&gt; o secretário dos transportes Dominique Bussereau é citado em seu pedido de (traduzo): "[...] mais prudência sobre os dados da enquete" e é indicado quando diz "que a prioridade das buscas seja das caixas-pretas".  Em tom de simpatia indica o mesmo secretário ainda sinaliza: " não é o caso de incriminar os brasileiros, que são 'irmãos' na dor." O que me deu a impressão de impaciência com a precipitação das autoridades responsáveis brasileiras que, ao contrário das francesas, não se preocupam muito em dizer e depois terem que desdizer as coisas logo em seguida:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Dans la matinée de jeudi, le général &lt;a href="http://www.lemonde.fr/sujet/770b/ramon-cardoso.html" class="listLink"&gt;Ramon Cardoso&lt;/a&gt;, directeur du département de contrôle de l'espace aérien brésilien, avait annoncé que la marine avait récupéré une première pièce provenant de la soute à bagages de l'Airbus. Mais quelques heures plus tard, il a dû faire machine arrière : &lt;em&gt;"Jusqu'à  présent, aucune pièce de l'avion &lt;/em&gt;[d'Air France]&lt;em&gt; n'a été récupérée"&lt;/em&gt;, a-t-il dit à  la presse. Il a expliqué que la pièce remontée par un hélicoptère était &lt;em&gt;"en bois"&lt;/em&gt; et  qu'il &lt;em&gt;"n'existait pas de pièces en bois sur cet avion"&lt;/em&gt; (l'Airbus, NDLR). Le général Cardoso a aussi affirmé que l'huile découverte à la surface de la  mer était celle &lt;em&gt;"d'un navire, pas d'un avion"&lt;/em&gt; car il s'agissait d'huile et pas  de kérosène."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tradução: " Na manhã de quinta-feira, o general Ramon Cardoso, diretor do departamento de controle do espaço aério brasileiro, anunciou que a marinha havia recuperado uma primeira peça oriunda do porta-bagagens do Airbus. Mas algumas horas mais tarde, ele teve que retroceder no que disse: ' Até o presente momento, nehuma peça do avião [da Air France] foi recuperada', ele disse a imprensa. Ele explicou que a peça alçada por um helicoptero era "de madeira" e que ' não existia peças de madeira nesse avião' ( o Airbus, NDLR). O general Cardoso afimou também que o oleo descoberto na superficie do mar era 'de um navio, não de um avião', porque se tratava de oleo e não de querosene."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O interessante é que, antes mesmo desse anúncio, eu já havia ouvido das autoridades francesas que se deveria evitar qualquer tipo de precipitação nesse sentido, visto que na possível área do desaparecimento existe muito destroços desconhecidos de naufrágios de návios ilegais entre outras possibilidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu assisti os jornais franceses pela TV5 e sou testemunha da chamada que a imprensa e autoridades vem fazendo por lá pela prudência com as informações e especulações feitas a respeito do acidente. Acho que já seria hora de se pedir o mesmo  por aqui, das autoridades e da imprensa também.&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-8266413922129409890?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/8266413922129409890/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=8266413922129409890&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/8266413922129409890'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/8266413922129409890'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2009/06/grande-imprensa-brasileira-e-o-acidente.html' title='A grande imprensa brasileira e o acidente do AF447'/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-6066815580813259098</id><published>2009-04-26T19:38:00.002-03:00</published><updated>2009-04-26T19:47:26.824-03:00</updated><title type='text'>Quem com ferro fere...</title><content type='html'>Gostei muito de assistir essa &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=KMcnVCFIHxM&amp;amp;feature=player_embedded"&gt;brincadeira séria&lt;/a&gt; sobre o isolamento de genes dos católicos por cientistas gays. Vale a pena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por hoje é isso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-6066815580813259098?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/6066815580813259098/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=6066815580813259098&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/6066815580813259098'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/6066815580813259098'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2009/04/quem-com-ferro-fere.html' title='Quem com ferro fere...'/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-1283826227559620484</id><published>2009-04-20T14:55:00.002-03:00</published><updated>2009-04-20T15:16:31.951-03:00</updated><title type='text'>Chavez reabrindo as veias...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Engraçado. Não esperava que o presente do presidente venezuelano a Obama tivesse tanta repercussão. Resultado, &lt;em&gt;As&lt;/em&gt; &lt;em&gt;Veias Abertas&lt;/em&gt; já é o &lt;a href="http://www.amazon.com/gp/bestsellers/books"&gt;segundo em vendas &lt;/a&gt;na Amazon (via &lt;a href="http://pedrodoria.com.br/2009/04/20/chavez-traz-eduardo-galeano-de-volta-a-moda-ainda-que-seja-so-por-alguns-dias/"&gt;Pedro Dória&lt;/a&gt;).  Vale ver a caixa de comentário do &lt;a href="http://www.interney.net/blogs/lll/2009/04/19/as_veias_abertas_da_america_latina_class/"&gt;Alex Castro&lt;/a&gt; sobre o mesmo assunto. Nela você encontra questões  sobre a atualidade, validade, pertinência, registro de leitura de obras de cunho híbrido  como a de Galeano. Lida às vezes sob o registro da história, a crítica é feita ao leitor de esquerda que veria nela não o que ela é (literatura, ensaio sem base empirica que guia a interpretação grosseira da realidade de dominação) e a ergue ao estatuto de obra de ciência histórica. Bom, é a dica do dia.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-1283826227559620484?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/1283826227559620484/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=1283826227559620484&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/1283826227559620484'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/1283826227559620484'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2009/04/chavez-reabrindo-as-veias.html' title='Chavez reabrindo as veias...'/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-294647233194413802</id><published>2009-04-15T20:10:00.003-03:00</published><updated>2009-06-05T07:45:46.302-03:00</updated><title type='text'>2 links feministas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na internet aprendo muitas coisas importantes. Tenho tentado manter um contato sádio com o feminismo há algum tempo. Li ontém &lt;a href="http://quecazzo.blogspot.com/2009/04/quem-pode-sofrer.html"&gt;um texto&lt;/a&gt; de Sheila, muito bom, que analisa alguns discursos jurídicos sob o prisma de um olhar feminista. E hoje, ah essa blogosfera que não me deixa escrever minha tese, li &lt;a href="http://marjorierodrigues.wordpress.com/2009/04/15/pensamentos-soltos-sobre-a-pornografia/"&gt;esse muito inteligente texto&lt;/a&gt; sobre pornografia dentro de um olhar feminista bem heterodoxo (heterodoxo para maestreim feminista eu acrescentaria!). Aconselho fortemente a leitura que é, além de interessante, muito agradavel, nada a ver com os  post-tijólos encontrados aqui nesse espaço. Um pouquinho para dar vontade:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="font-style: italic; text-align: justify;"&gt;"Toda vez que resmungo contra a objetificação e a humilhação da mulher nos filmes pornô, tomo o cuidado de escrever “pornô mainstream”. Que é o pornô feito pela “Hollywood xxx” norte-americana, uma indústria multibilionária, e as pequenas empresas que os copiam — tipo o “brasileirinhas”. Estes são os filmes mais conhecidos e acessíveis. Neste tipo de filmes, é comum que a misoginia role solta. É comum que a mulher seja tratada como menos do que uma lata de lixo. Tanto na frente das câmeras quanto nos bastidores. Robert Jensen, da universidade do Texas, fez uma ampla pesquisa sobre o assunto e detalha como isso acontece. Não é a primeira vez que eu linko &lt;a href="http://uts.cc.utexas.edu/%7Erjensen/articles_gender.html" target="_blank"&gt;os artigos &lt;/a&gt;dele. Recomento MUITO, embora você precise de estômago para ler. Na primeira vez que li, me senti tão mal pelas mulheres das quais ele fala que chorei feito uma pateta na frente do computador.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-style: italic; text-align: justify;"&gt;No entanto, é como eu disse &lt;a href="http://marjorierodrigues.wordpress.com/2009/04/07/o-problema-e-o-de-verdade/" target="_blank"&gt;naquele post ali abaixo&lt;/a&gt;. A gente tem de saber contra o que se está lutando. Objetificação, violência e discriminações são &lt;em&gt;consequências &lt;/em&gt;da misoginia. Misoginia que nós aprendemos e internalizamos ao sermos submetidos às normas arbitrárias de gênero: “mulher de verdade se porta assim, homem de verdade se porta assado. Todo o resto será marginalizado”. Para acabar com um mal, é necessário cortá-lo pela raiz. Por isso que eu digo que a luta feminista é contra a &lt;em&gt;cultura&lt;/em&gt;, não contra os veículos através dos quais esta cultura é reproduzida e reforçada. Nossa luta não é contra a pornografia. É contra a misoginia no mercado pornográfico. São coisas diferentes. Favor não confundir alhos com bugalhos.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-style: italic; text-align: justify;"&gt;Defender o fim da pornografia porque há uma caralhada de filmes misóginos, para mim, faz tanto sentido quanto defender o fim da publicidade porque há uma caralhada de propagandas misóginas. Ou defender o fim do cinema porque há uma caralhada de obras misóginas. Ou o fim da literatura porque há uma caralhada de livros misóginos. E assim por diante."&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-294647233194413802?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/294647233194413802/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=294647233194413802&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/294647233194413802'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/294647233194413802'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2009/04/2-links-feministas.html' title='2 links feministas'/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-3808399365779801316</id><published>2009-04-12T23:53:00.006-03:00</published><updated>2009-11-10T09:58:05.611-03:00</updated><title type='text'>UFPE via Universités en France: estranhamento antropológico na experiência acadêmica de um jovem suburbano (Parte II)</title><content type='html'>&lt;h3&gt;Já que promessa é dívida:&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;h3&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;Lembrando...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;  &lt;h3&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;  &lt;h3 style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;font-size:12;" &gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;Em novembro de 2008, escrevi uma rápida introdução à reflexão que venho agora terminar. Resumiria da seguinte forma &lt;a href="http://ooxymore.blogspot.com/2008/11/ufpe-via-universits-en-france.html"&gt;aquele texto introdutório&lt;/a&gt;: tendo notado diferenças e semelhaças entre as experiências de estadia na França minha e do professor Luciano Oliveira, vi-me motivado a escrever sobre um “estranhamento” que não entrou no foco de reflexão do &lt;a href="http://quecazzo.blogspot.com/2008/09/brasil-via-paris-descobertas-de-um.htm"&gt;belo texto do professor&lt;/a&gt;. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;h3 style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;font-size:12;" &gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;Então é um texto&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;de complemento ao que foi dito por Luciano com desdobramentos críticos possíveis, já que reflete especificamente sobre o estranhamento meu com universo acadêmico brasileiro ao voltar do francês.&lt;blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;h3 style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;h3 style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;A gramática de ida de um estranhamento: da UFPE à França&lt;blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;h3 style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;h3 style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;font-size:12;" &gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;O choque ao entrar na universidade francesa foi imenso. Demorei para entender o sistema de organização da vida acadêmica. A complicação começou para mim, como diriam eles por lá, no começo. Diferentemente da organização do curso de Ciências Sociais no Brasil ( que você tem o primeiro diploma ao final de 4 anos ou 5 anos), lá o curso de sociologia, o que eu escolhi, era divido em diversas etapas mais curtas. Cada uma delas era marcada pela entrega de um diploma que garantia, objetivamente, a possibilidade de se postular vagas de trabalho num determinado nível de emprego, tal como acontece com os concursos públicos brasileiros. Na França, porém, o primeiro diploma você leva com apenas dois anos de universidade.&lt;blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;h3 style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;h3 style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;font-size:12;" &gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;Então lá fui eu, cursar o que eles chamavam na época de DEUG (Diploma de Estudo Universitário Geral), o tal que tinha duração de 2 anos. Como consegui validar as disciplinas que havia feito na UFPE, entrei já no segundo ano. É engraçado como as vezes a trama oficial de uma instituição pode ser enganosa: ao ler termo a termo as formas de organização, o modelo organizacional das universidades brasileira e francesa, você encontra muito mais semelhanças do que realmente existem na realidade.&lt;blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;h3 style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;font-size:12;" &gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;As ementas das disciplinas eram, no que diz respeito aos autores, e estranhamente, muito semelhantes às brasileiras. Claro, classico é classico, diriam. Mas toda a dinâmica era diferente. Cursei disciplinas obrigatórias e opcionais. As obrigatórias: sociologia geral, estatística, métodos. As opcionais: sociologia do trabalho, sociologia cognitiva, sociologia das organizações, sociologia da família, sociologia da velhice, etc. A cada semestre você podia escolher duas ou três opcionais. Os cursos eram divididos também em “aulas magistrais” e “trabalho dirigido”. &lt;blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;h3 style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;h3 style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;font-size:12;" &gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;A aula magistral tinha um tom solene. Era bem expositiva, sem nenhuma interação entre professor e aluno. Nela, por conta disso, era muito grande o volume de conteúdo a ser anotado. Geralmente o que se via nelas eram sínteses históricas mais ou menos bem feitas (dependia do professor) a respeito de cada disciplina. O curso magistral, como era também chamado, era dado nos anfiteatros com a presença massiva de alunos (cheguei a ver aula com mais de trezentos estudantes). Você tanto tinha cursos mais gerais (socialogia geral) que tratavam de expor, de maneira as vezes bem simplificada, o pensamento dos clássicos (Weber, Durkheime, Marx, Mauss, Escola de Chigago, um pouco de Merton, etc.), como também, no mesmo formato, você tinha cursos de sociologias mais específicas, sociologia do trabalho, por exemplo, que situava historicamente como esses clássicos fudavam, naquela especialidade, a perpectiva sociológica.&lt;blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;h3 style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;font-size:12;" &gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;Na minha cabeça esses cursos magistrais tinham a função de inculcar nos estudantes iniciantes as perspectivas históricas que fundam o raciocinio sociológico. Assim, a maioria deles estava organizada de maneira muito semelhante: começavam por uma descrição sobre como um determinado objeto era analisado ou entendido socialmente num dado momento histórico, passavam por uma contextualização da modernidade e o advento da sociologia a patir das revoluções indutrial e francesa, e concluiam com a especificação sociológica do objeto em questão(que podia ser o trabalho, a velhice, a economia etc.).&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Claro, esse modelo variava e ganhava ou perdia em sofisticação dependendo da qualidade do professor, mas no geral, isso tinha tom de ladainha, excetuando aí, claro, as aulas magistrais de estatística. Note-se: sssas aulas eram de cultura sociológica, digamos assim, eram aulas para decorar conteúdo tal como dado.&lt;blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;h3 style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;font-size:12;" &gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;As aulas de trabalho dirigido eram aulas de interpretação de texto, o &lt;i style=""&gt;close reading&lt;/i&gt; dos anglossaxonicos. Basicamente treinavamos técnicas e mais técnicas de leitura. Análise estrutural, leitura vertical, etc. Tudo isso, em cima de textos escolhidos dos cursos magistrais. Nelas você tinha um contado maior com o professor havendo mais interação e diálogo. Note-se: aqui tinhamos e podíamos fazer uma distinção muito clara entre o procedimento decoreba das aulas magistrais e o das técnicas de leitura e pesquisa, dois procedimentos que, apesar de relacionados, tinham dinâmicas bem específicas. Essa distinção, como visto, está inscrita nas instituições na maneira mesma de dividir o trabalho de ensino.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;h3 style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;font-size:12;" &gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;Uma outra coisa importante que também notei: a carga horária de aulas é extremamente reduzida se comparada à brasileira. E ela vai diminuindo ainda mais na medida em que você vai passando as etapas. A título de exemplo, no mestrado, por exemplo, eu tinha apenas duas aulas por semana com duas horas de duração cada, e isso durante um semestre. O segundo semestre não havia aulas e você dedicava o seu tempo aos seminários de pesquisa e ao seu próprio trabalho.&lt;blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;h3 style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;h3 style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;h3 style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;O estranhamento em detalhe: ainda lá&lt;blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;h3 style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;font-size:12;" &gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;Além da lingua francesa e suas especificidades, era para mim muito esquisito no início ver a aplicação com que a maioria dos estudantes simplesmente anotava tudo o que era dito nas aulas. Anotação dos cursos, ou seja, transcrever quase que palavra por palavra tudo que o professor diz, parecia para mim coisa de copista. Mas a transcrição é uma verdadeira instituição escolar &lt;i style=""&gt;à part entière&lt;/i&gt; na França.&lt;blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;h3 style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;font-size:12;" &gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;Para que as notas se realisem por inteiro existem técnicas de abreviação de idéias e palavras e até mesmo de frases inteiras. Essas técnicas são todas assimiladas na escola francesa. Elas funcionam, quando bem feitas, como exercício para articulação lógica do pensamento. Mas para mim que estava acostumado a assistir aula ouvindo sem escrever absolutamente nada, tentando apenas entender o que o professor estava dizendo, aquilo tudo foi um grande tormento, além da surpresa de rever coisas do arco da velha sendo operadas ali naquele meio. Aprender de cor e salteado, era algo que achava não mais ouvir falar na minha vida.&lt;blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;h3 style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;font-size:12;" &gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;Mas depois dessas surpresas vinheram as provas e entendi a razão de ser daquela técnica.É que os professores fazem provas que são na verdade “maneiras de transcrever o que se falou durante o curso”. O que para mim, ao menos naquele momento, não deixava de ser justo, na medida em que de fato se subentende, sempre, numa situação de avaliação escolar, que o que está sendo avaliado é o conteúdo assimilado &lt;i style=""&gt;durante&lt;/i&gt; o curso oferecido. E, falando em justiça, o anonimato das provas, que eram corrigidas identificadas apenas com número de matrícula, não podendo o professor saber julgar por critérios pessoais uma prova de tal ou de qual aluno, também foi algo novo para mim na universidade.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;h3 style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;font-size:12;" &gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;Outra coisa que me marcou foi a presença desse pressuposto pouco didático muito forte no ambiente universitário francês, que ao meu ver, se traduz na fórmula mesma da aula magistral: a distância entre o professor e o aluno é também marcada pela fraqueza de uma relação pedagógica instaurada sob premissa de que os “alunos devem alcançar a seu custo o nível dos professores e não o contrário”, o que faz com que, muitas vezes, pouco ou nenhum esforço seja feito por parte dos mestres para que se retire das diversas&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;“maneiras de dizer a mesma coisa” uma que funcione, como quer a pedagogia, para facilitar a entrada dos alunos naquele universo árido da sua disciplina específica. &lt;blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;h3 style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;&lt;b style=""&gt;Sociologias francesas&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;Na França estudei em várias universidades, em diferentes cidades, situadas em diferentes regiões do país do &lt;i style=""&gt;fromage&lt;/i&gt;, mas também a terra de Durkheim, Bataille, Bourdieu, Aron, Sartre, Koyré, Lévis-Straus, etc. a lista não tem fim. O que percebi? Notei que cada universidade tem uma linha. Cada uma assimila de maneira mais ou menos coerente os incontornaveis dos autores incontornaveis.A cada geração de intelectuais franceses você encontra correspondentes de um pensamento que se tornou &lt;i style=""&gt;necessário&lt;/i&gt;. Assim, mesmo com a superioridade econômica e de produção das universidades americanas, dos EUA ao Brasil você encontra essas leituras francesas que se tornaram obrigatórias, em vários sentidos, porque instauraram novos ângulos, novos paradigmas providos de força e autonomia para imanar ao sistema mais geral de produção intelectual referências &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;sem as quais seu trabalho estaria “incompleto”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;Na verdade, o que eu gostaria de salientar é que apesar dessa diversidade de linhas, existe uma estabilidade que é dada pela estrutura geral da educação universitária. Por exemplo, estudei em três cidades diferentes, em três universidades: Nancy, Monpellier e Lyon. As três bem diferentes entre si, mas todas elas trabalham naquele esquema das aulas magistrais e trabalhos dirigidos, efetuando assim, cada uma delas dentro de seu filtro específico, a distinção entre acumulação e produção de conhecimento sociológico.&lt;blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;Na primeira o foco era sociologia do trabalho. Existiam dois grupos que disputavam espaço e poder dentro da universidade e essa disputa também se traduzia nas opções intelectuais, expressas por afinidades ou contrastes com idéias já firmadas dentro universo acadêmico conhecido:&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;de um lado, grosso modo, você tinha uma corrente que se identificava com a tradição durkheimiana orietada pelo viés histórico como a trazida pela obra de Pierre Bourdieu. Do outro, um grupo se indentificava, de maneira mais ou menos explícita, com a orientação de trabalho do individualismo metodologico cujo mais alto representante francês era nanquele momento Raymond Boudon e cuja filiação na tradição francesa se dava no vínculo e imbricação daquele pensamento com a filosofia da liberdade de Sartre.&lt;blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;Na segunda a grande influência era de Michel Marfesolli. A assimilação dos dois grandes expoentes da sociologia francesa (Boudon e Bourdieu) se dava de maneira completamente diferente. Os dois eram lidos como representantes nefastos de uma ciência racionalista, positivista, empiricista,etc. Tive professores como Jean-Marie Brohm, que era de uma erudição enorme, de uma impressionante cultura filosófica, que pautava seus trabalhos nas referencias da fenomenologia, da psicanálise, do marxismo (esse tipo de salada só tinha espaço lá em Montpellier). Foi com ele que fiz meu primeiro trabalho de final de curso, que era uma análise dos &lt;a href="http://www.almedina.net/catalog/product_info.php?products_id=6638"&gt;cadernos&lt;/a&gt; de &lt;a href="http://www.saude-mental.org/pdf/vol7_rev6_leituras2.pdf"&gt;Nijinsky&lt;/a&gt; (gosto deste texto de um psiquiatra sobre o caso do bailarino). Para mim aquilo não era sociologia, mas hoje percebo como o exercicio foi bastante expressivo para mim por conta do contexto daquela universidade. Percebi, com aquilo, que apesar de toda a diferença entre uma e outra universidade, existia um espécie de coeficiente mínimo comum, um denominador comum que fazia da sociologia uma disciplina que era ensinada da mesma maneira nas diversas universidades. Tive aulas de estatística lá, por exemplo, e os professores apesar de defender àquela “filosofização” toda da sociologia, ensinavam os procedimentos técnicos de análise que hoje fazem parte do patrimônio comum da disciplina.&lt;blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;Já em Lyon encontrei um grupo forte trabalhando com sociologia da socialização, o &lt;a href="http://recherche.univ-lyon2.fr/grs/"&gt;GRS&lt;/a&gt; (Groupe de Recherche sur la socialisation).O grupo era e é animado e dirigido pelo sociólogo Bernard Lahire que se auto-intitula um bourdieusiano heterodoxo. Na univesidade de Lyon, no GRS, defini as linhas de trabalho e o enquadramento teorico-medotodologico que hoje guiam o meu trabalho de tese. A universidade também era bem diversa e encontrei, pela primeira vez, &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;um grupo de pesquisa que trabalhava com a sociologia das ciências inspirada na obra de Bruno Latour. Tenho até uma amiga que trabalhava a simetria de não sei o que num contexto onde se discute o impacto na natureza em regiões com turbinas de minério... Sinceramente, nunca entendi do que se tratava.&lt;blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;&lt;b style=""&gt;Vontando à UFPE: descreveria assim meu estranhamento ...&lt;blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;Meu processo de formação na França, que durou 6 anos mais ou menos, gerou uma forte aculturação. Voltei para fazer um doutorado no CFCH e descobri: todo o esforço de assimilação que fiz para entrar naquele universo,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;de adaptação à cultura e às práticas intelectuais ali operando, causaram um grande impacto em mim.&lt;blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;O estranhamento do retorno se deu de maneira muito intensa e forte nos primeiros momentos. Eu voltei querendo desbravar sociologicamente o Recife, Pernambuco, o Brasil, mas encontro um ambiente intelectual extremamente avesso ao trabalho rasteiro, mas extremamente importante, da sociologia empirica. Sinto-me isolado, apesar de ter sido acolhido com entusiasmo pelos professores e orientadores. As práticas de produção do programa me pareceram ancoradas muito fortemente numa perspectiva que não distingue com devida ênfase o trabalho de acumulação do saber do de &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;produção de conhecimento através da pesquisa: base forte de minha formação francesa. Assim, fui acolhido no seio do PPGS (program de pós-graduação em sociologia) sendo avaliado por um projeto de pesquisa, e, durante o percorrer do doutorado, o primeiro ano é todo dedicado a disciplinas teóricas, me vi tendo que reviver um processo reflexivo que ancora seu procedimento na acumulação de cultura sociológica de maneira completamente apartada do universo da pesquisa. &lt;blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;Essa apartação é extremamente nociva porque produz trabalhos quando empiricos, vázios de propósito sociológico proprimente dito (são muitas vezes mera sociografia em linguagem estatística rasteira formulada nas tabelas do SPSS). Quando teóricos, são apenas isso, ou seja, são teóricos em demasia, o que se tranforma em suma, em sua grande maioria, na generalizão precoce de explicações que ainda não fizeram sua prova em contextos como o do nordeste brasileiro. O que ocorre nesses casos é a impultação da explicabilidade formal da teoria a um contexo exogeno ao de sua aplicação inicial. O que implica, bem das vezes, num reforço à situação de colonialismo mental a qual nos submetemos de muito bom grado aos grandes centros de produção acadêmica.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;Diria mais, não é só na quase absoluta falta de disciplinas que estudem , digamos assim, a tradição sociológica brasileira e os problemas específicos que um sociólogo precisa enfrentar aqui na periferia para produzir conhecimento válido a respeito do mundo social que me sentia só, mas na postura mesma de inquerir o mundo social sem “tocar” nele,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;jogando conceitos de la para cá e de cá para lá, sem a responsabilidade cosequente de contruir interpretações válidas a partir de fatos sociais verificáveis do ponto de vista de “experimentação empirica”, ou seja, de dados que possam ser analisados de maneira independente do ponto de vista que vai analisá-los. Seria por isso, e apenas nesse sentido, que a sociologia trabalharia dentro de um quandro onde suas teses podem ser refutadas e ou validadas. Não conheço outra forma. Com isso, quero crer, não é preciso entrar numa sangria desatada na busca de uma cientificidade popperiana ou coisa dessa natureza. O propósito híbrido da construção da episteme sociologica admite um espaço assertivo mais ameno, onde a idéia de verificação anda de mãos dadas com a certeza de que a linguagem sociológica só anda para frente diante do arbitrio que representa a interpretação em liguagem corrente, ou seja, fora do jargão mais formalizado, por exemplo, da estatística, usada pelos sociólogos como ferramenta.&lt;blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;Mas não me arrependo da volta. É nesse estranhamento aqui que vou descobrindo empiricamente o significado profundo do que são as chamadas condições sociais (materiais e simbólicas) de produção do conhecimento sociológico em Pernambuco (ao menos, no que diz respeito ao meu &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;realmente amado CFCH). Sem esta experiência tenho a impressão de que minha sociologia seria uma espécie de paisagismo exótico do Brasil para francês ver. Claro, hoje as relações de dominação intelectuais são bem mais complexas do que a simples idéia de colonialismo cultural poderia dar conta, mas sendo colonialismo cultural ou outro nome que se queira dar, parece-me claro o quanto precisamos percorrer para nos livrar de algumas dessas práticas para obter mais autonomia. É isso em todo caso que meu estranhamento diz...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:Times new roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-3808399365779801316?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/3808399365779801316/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=3808399365779801316&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/3808399365779801316'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/3808399365779801316'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2009/04/ufpe-via-universites-en-france.html' title='UFPE via Universités en France: estranhamento antropológico na experiência acadêmica de um jovem suburbano (Parte II)'/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-560376667616177134</id><published>2009-04-10T20:08:00.001-03:00</published><updated>2009-04-10T20:13:56.518-03:00</updated><title type='text'>Notícula sobre Blogosfera: ela me impressiona</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;O mundo dos blogues é dos universos que entrei em contato nos últimos anos o mais surpriendente de todos, para mim. Falo mais do brasileiro, aquele que acompanho mais, mesmo que, esse “mais”, seja um “nem tanto assim”. O que me impressiona: volume de informação, a maneira como se discute abertamente sobre as maneiras mais corretas e adequadas de ser um bom “blogueiro”, a força palpitante dos debates acolorados existindo muitas vezes de maneira imediata aos fenômenos que desencadearam questões, o como a blogosfera se tornou um lugar onde jornalistas discutem blogueiramente seu papel, função, mérito, etc., e como tudo isso revela, ao mesmo tempo em que apaga, é verdade, fronteiras entre práticas jornalísticas (antes obscuras aos profissionais exteriores ao universo da imprensa) e outras práticas intelectuais de nossos dias. Tudo isso acho muito bom, apura nosso senso crítico. O jornalismo, por exemplo, aos meus olhos se abriu enquanto prática como nunca havia feito antes. Existem muitos jornalismos,  e ainda, alguns jornalistas.&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu último post mais “informativo” do que o de hábito me fez pensar nessas coisas. Não sou um “blogueiro” decente, admito. Descobri que tinha que ser, lendo blogues de excelente qualidade, que postulavam como “postura mínima”, no caso de textos com elementos não opinativos, a transparência das fontes, o esforço da demonstração do fato, coisas que são, acredito, qualidades do que se convencionou chamar de “bom jornalismo”. Não sou bom com essas coisas, seria um péssimo jornalista.&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu adoro meu blogue. E embora respeite e admire muito quem consegue “informar”(opinando, pensando em cima de fatos, analisando e recompondo contextos), um blogue é um blogue oras, e, é claro, pode ser outras coisas que um blogue jornalístico (de opinião ou denuncia, de reportagem ou especulativo). Bem. Isso é mais uma justificativa para manter meu espaço diante de minha apurada incapacidade de ser bom como tantos outros. Continuarei tentando sê-lo, de outras formas também.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-560376667616177134?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/560376667616177134/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=560376667616177134&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/560376667616177134'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/560376667616177134'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2009/04/o-mundo-dos-blogues-e-dos-universos-que.html' title='Notícula sobre Blogosfera: ela me impressiona'/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-819507216388108380</id><published>2009-04-07T11:59:00.002-03:00</published><updated>2009-04-07T12:04:36.474-03:00</updated><title type='text'>A Folha de S. Paulo e Dilma (Reprodução da carta aberta de Antonio Roberto Espinosa)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;(De Antonio Roberto Espinosa&lt;br /&gt;Jornalista, professor de Política Internacional, doutorando em Ciência Política pela USP, autor de Abraços que sufocam.  E outros ensaios sobre a liberdade e editor da Enciclopédia Contemporânea da América Latina e do Caribe. )&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caros amigos,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Folha de São Paulo preparou uma "armadilha" para a Dilma usando uma entrevista que concedi a uma das suas repóteres da sucursal de Brasília. Encaminhei a carta abaixo à redação. E peço que todos os amigos que a façam chegar a quem acharem necessário: redações de jornais, revistas, emissoras de TV e pessoas que talvez possam ser afetadas ou se sintam indignadas pela má fé dos editores do jornal. Como sabem, sou favorável à transparência, por achar que a verdade é sempre o melhor caminho e, no fundo, revolucionária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Á coluna painel do leitor Seguem cópias para o Ombudsman e para a redação. Vou enviar cópias também a toda a imprensa nacional. Peço que esta carta seja publicada na próxima edição. Segue abaixo: &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Prezados senhores, &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Chocado com a matéria publicada na edição de hoje (domingo, 5), páginas A8 a A10 deste jornal, a partir da chamada de capa "Grupo de Dilma planejou seqüestro de Delfim Neto", e da repercussão da mesma nos blogs de vários de seus articulistas e no jornal Agora, do mesmo grupo, solicito a publicação desta carta na íntegra, sem edições ou cortes, na edição de amanhã, segunda-feira, 6 de abril, no "Painel do Leitor" (ou em espaço equivalente e com chamada de capa), para o restabelecimento da verdade, e sem prejuízo de outras medidas que vier a tomar. Esclareço preliminarmente que:&lt;br /&gt;Não conheço pessoalmente a repórter Fernanda Odilla, pois fui entrevistado por ela somente por telefone. A propósito, estranho que um jornal do porte da Folha publique matérias dessa relevância com base somente em "investigações" telefônicas;&lt;br /&gt;Nossa primeira conversa durou cerca de 3 horas e espero que tenha sido gravada. Desafio o jornal a publicar a entrevista na íntegra, para que o leitor a compare com o conteúdo da matéria editada. Esclareço que concedi a entrevista porque defendo a transparência e a clareza histórica, inclusive com a abertura dos arquivos da ditadura. Já concedi dezenas de entrevistas semelhantes a historiadores, jornalistas, estudantes e simples curiosos, e estou sempre disponível a todos os interessados;&lt;br /&gt;Quem informou à Folha que o Superior Tribunal Militar (STM) guarda um precioso arquivo dos tempos da ditadura fui eu. A repórter, porém, não conseguiu acessar o arquivo, recorrendo novamente a mim, para que lhe fornecesse autorização pessoal por escrito, para investigar fatos relativos à minha participação na luta armada, não da ministra Dilma Rousseff. Posteriormente, por e-mail, fui novamente procurado pela repórter, que me enviou o croquis do trajeto para o sítio Gramadão, em Jundiaí, supostamente apreendido no aparelho em que eu residia, no bairro do Lins de Vasconcelos, Rio de Janeiro. Ela indagou se eu reconhecia o desenho como parte do levantamento para o seqüestro do então ministro da Fazenda Delfim Neto. Na oportunidade disse-lhe que era a primeira vez que via o croquis e, como jornalista que também sou, lhe sugeri que mostrasse o desenho ao próprio Delfim (co-signatário do Ato Institucional número 5, principal quadro civil do governo ditatorial e cúmplice das ilegalidades, assassinatos e torturas).Afirmo publicamente que os editores da Folha transformaram um não-fato de 40 anos atrás (o seqüestro que não houve de Delfim) num factóide do presente (iniciando uma forma sórdida de anticampanha contra a Ministra). A direção do jornal (ou a sua repórter, pouco importa) tomou como provas conclusivas somente o suposto croquis e a distorção grosseria de uma longa entrevista que concedi sobre a história da VAR-Palmares. Ou seja, praticou o pior tipo de jornalismo sensacionalista, algo que envergonha a profissão que também exerço há mais de 35 anos, entre os quais por dois meses na Última Hora, sob a direção de Samuel Wayner (demitido que fui pela intolerância do falecido Octávio Frias a pessoas com um passado político de lutas democráticas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A respeito da natureza tendenciosa da edição da referida matéria faço questão de esclarecer: &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;1) A VAR-Palmares não era o "grupo da Dilma", mas uma organização política de resistência à infame ditadura que se alastrava sobre nosso país, que só era branda para os que se beneficiavam dela. Em virtude de sua defesa da democracia, da igualdade social e do socialismo, teve dezenas de seus militantes covardemente assassinados nos porões do regime, como Chael Charles Shreier, Yara Iavelberg, Carlos Roberto Zanirato, João Domingues da Silva, Fernando Ruivo e Carlos Alberto Soares de Freitas. O mais importante, hoje, não é saber se a estratégia e as táticas da organização estavam corretas ou não, mas que ela integrava a ampla resistência contra um regime ilegítimo, instaurado pela força bruta de um golpe militar; &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;2) Dilma Rousseff era militante da VAR-Palmares, sim, como é de conhecimento público, mas sempre teve uma militância somente política, ou seja, jamais participou de ações ou do planejamento de ações militares. O responsável nacional pelo setor militar da organização naquele período era eu, Antonio Roberto Espinosa. E assumo a responsabilidade moral e política por nossas iniciativas, denunciando como sórdidas as insinuações contra Dilma; &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;3) Dilma sequer teria como conhecer a idéia da ação, a menos que fosse informada por mim, o que, se ocorreu, foi para o conjunto do Comando Nacional e em termos rápidos e vagos. Isto porque a VAR-Palmares era uma organização clandestina e se preocupava com a segurança de seus quadros e planos, sem contar que "informação política" é algo completamente distinto de "informação factual". Jamais eu diria a qualquer pessoa, mesmo do comando nacional, algo tão ingênuo, inútil e contraproducente como "vamos seqüestrar o Delfim, você concorda?". O que disse à repórter é que informei politicamente ao nacional, que ficava no Rio de Janeiro, que o Regional de São Paulo estava fazendo um levantamento de um quadro importante do governo, talvez para seqüestro e resgate de companheiros então em precárias condições de saúde e em risco de morte pelas torturados sofridas. A esse propósito, convém lembrar que o próprio companheiro Carlos Marighela, comandante nacional da ALN, não ficou sabendo do seqüestro do embaixador americano Charles Burke Elbrick. Por que, então, a Dilma deveria ser informada da ação contra o Delfim? É perfeitamente compreensível que ela não tivesse essa informação e totalmente crível que o próprio Carlos Araújo, seu então companheiro, diga hoje não se lembrar de nada; &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;4) A Folha, que errou a grafia de meu nome e uma de minhas ocupações atuais (não sou "doutorando em Relações Internacionais", mas em Ciência Política), também informou na capa que havia um plano detalhado e que "a ação chegou a ter data e local definidos". Se foi assim, qual era o local definido, o dia e a hora? Desafio que os editores mostrem a gravação em que eu teria informado isso à repórter; &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;5) Uma coisa elementar para quem viveu a época: qualquer plano de ação envolvia aspectos técnicos (ou seja, mais de caráter militar) e políticos. O levantamento (que é efetivamente o que estava sendo feito, não nego) seria apenas o começo do começo. Essa parte poderia ficar pronta em mais duas ou três semanas. Reiterando: o Comando Regional de São Paulo ainda não sabia com certeza sequer a freqüência e regularidade das visitas de Delfim a seu amigo no sítio. Depois disso seria preciso fazer o plano militar, ou seja, como a ação poderia ocorrer tecnicamente: planejamento logístico, armas, locais de esconderijo etc. Somente após o plano militar seria elaborado o plano político, a parte mais complicada e delicada de uma operação dessa natureza, que envolveria a estratégia de negociações, a definição das exigências para troca, a lista de companheiros a serem libertados, o manifesto ou declaração pública à nação etc. O comando nacional só participaria do planejamento , portanto, mais tarde, na sua fase política. Até pode ser que, no momento oportuno, viesse a delegar essa função a seus quadros mais experientes, possivelmente eu, o Carlos Araújo ou o Carlos Alberto, dificilmente a Dilma ou Mariano José da Silva, o Loiola, que haviam acabado de ser eleitos para a direção; no caso dela, sequer tinha vivência militar; &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;6) Chocou-me, portanto, a seleção arbitrária e edição de má-fé da entrevista, pois, em alguns dias e sem recursos sequer para uma entrevista pessoal  apelando para telefonemas e e-mails, e dependendo das orientações de um jornalista mais experiente, no caso o próprio entrevistado -, a repórter chegou a conclusões mais peremptórias do que a própria polícia da ditadura, amparada em torturas e num absurdo poder discricionário. Prova disso é que nenhum de nós foi incriminado por isso na época pelos oficiais militares e delegados dos famigerados Doi-Codi e Deops e eu não fui denunciado por qualquer um dos três promotores militares das auditorias onde respondi a processos, a Primeira e a Segunda auditorias de Guerra, de São Paulo, e a Segunda Auditoria da Marinha, do Rio de Janeiro. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Osasco, 5 de abril de 2009Antonio Roberto EspinosaJornalista, professor de Política Internacional, doutorando em Ciência Política pela USP, autor de Abraços que sufocam  E outros ensaios sobre a liberdade e editor da Enciclopédia Contemporânea da América Latina e do Caribe.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-819507216388108380?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/819507216388108380/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=819507216388108380&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/819507216388108380'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/819507216388108380'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2009/04/folha-de-s-paulo-e-dilma-reproducao-da.html' title='A Folha de S. Paulo e Dilma (Reprodução da carta aberta de Antonio Roberto Espinosa)'/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-1143370231355455019</id><published>2009-03-28T19:56:00.006-03:00</published><updated>2009-03-30T10:06:59.610-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Tese'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Luiz Costa Lima'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sociologia'/><title type='text'>Momento Tese</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Caramba, é muito difícil para mim ficar tranquilo no momento de criticar uma obra monumental como a de Luiz Costa Lima.  A intranquilidade pode existir por uma série de motivos. Por conhecê-la a pouco tempo,  sinto-me constragido de situar meu trabalho com tanta ênfase em contraponto ao que Costa Lima vem defendendo há tanto tempo. Na verdade, o impasse aparece mais nitidamente,  o mesmo acontece quanto a Antonio Candido(que conheço a mais tempo) , naquilo que a crítica e a teoria literária relegam como tarefa fundamental para sociologia. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Só consigo concordar com o que ele diz a esse respeito quando do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;lugar da sociologia&lt;/span&gt; (lugar de ponto de vista, de ajuda, de suporte à crítica) consegue-se colocar também no seu devido lugar os lugares da crítica e teoria literárias no mundo social.Existe ainda a hipótese de que o desconforto a cima referido ser fruto do peso de disposições cefichianas ( tomadas emprestadas de sua dinâmica conservadora de pesquisa). Quiça  seja apenas o respeito por um caminho sincero e respeitável intelectualmente(o de Costa Lima), o que quero e espero que o meu também seja. Como no debate de idéias, respeito não deve corresponder à submissão passiva de argumentos, penso ver nos meus, quando conseguem se livrar do cefichianismo, momentos interessantes da afimação de uma maneira de ver a sociologia trantando de assuntos literários.&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Vejam se concordam comigo. O ponto central do que digo está no seguinte, do que Costa Lima defende comento: &lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:arial;" &gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:arial;" &gt;É preciso ter todo o cuidado. Mas está dito: não se pode, ao risco da igenuidade mais ignata, ler textos literários como se fossem documentos. Certo. Ao que tudo indica, com os olhos educados pela crítica moderna, " em termo de modernidade", Costa Lima desqualifica, em razão de uma perspectiva teórica de horizonte normativo (como não poderia deixar de ser?), a quase totalidade de leituras feitas da obra de Graciliano Ramos na época de sua publicação.&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:arial;" &gt;No subcapítulo intitulado ' Graciliano Ramos e a recusa do caeté' ( Costa Lima, 2007, p. 437-446), após mostrar a semelhança de uma descrição feita por Graciliano a tantas outras feitas e tidas como " relatos realistas", Costa Lima reafirma o veio e o julgamento que caracteriza seu trabalho:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;u1:worddocument&gt;   &lt;u1:view&gt;Normal&lt;/u1:View&gt;   &lt;u1:zoom&gt;0&lt;/u1:Zoom&gt;   &lt;u1:hyphenationzone&gt;21&lt;/u1:HyphenationZone&gt;   &lt;u1:punctuationkerning/&gt;   &lt;u1:validateagainstschemas/&gt;   &lt;u1:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/u1:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;u1:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/u1:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;u1:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/u1:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;u1:compatibility&gt;    &lt;u1:breakwrappedtables/&gt;    &lt;u1:snaptogridincell/&gt;    &lt;u1:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;u1:useasianbreakrules/&gt;    &lt;u1:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/u1:Compatibility&gt;   &lt;u1:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/u1:BrowserLevel&gt;  &lt;/u1:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;u2:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/u2:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;i&gt;"[É] evidente a procura de documentar até o detalhe. Mas o tipo de realismo de Graciliano não resulta da fidelidade da apresentação de uma procissão interiorana senão a densidade como a cena se compõe: o absoluto distanciamento do narrador diz de forma sintética e pelas &lt;/i&gt;brechas &lt;span style="font-style: italic;"&gt;entre as palavras da falsa religiosidade da cerimônia alegórica do desfile de ''destaques''. [...] O descritivismo documentalista é superado pela proximidade da náusea e do grotesco&lt;/span&gt;.&lt;span style="font-style: italic;"&gt; Essa é uma das poucas passagens de&lt;/span&gt; Caetés &lt;span style="font-style: italic;"&gt;em que o escritor ultrapassa a mera documentação das aflições do medíocre narrador"&lt;/span&gt; (Costa Lima, op. cit., p.442).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;u3:p&gt;&lt;/u3:p&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:arial;" &gt;É passar os olhos na documentação do Arquivo Graciliano Ramos e perceber que o olhar construído pela teoria literária e pela crítica, ao menos na versão aqui estudada, é, na medida em que tenta afirmar a autonomia da obra como critério de leitura mais correto,&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;font-family:arial;" &gt; um contraponto idealizado da realidade histórica de uma época&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:arial;" &gt; que, esta, é o que revela a análise dos documentos daquele contexto, leu &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Caetés &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:arial;" &gt;com os olhos de um realismo chinfrim (chinfrim aos olhos da crítica dos dias de hoje, entenda-se), sociologizado e pouco afeito às nuances do "realmente ficcional" da literatura.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:arial;" &gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Se&lt;/span&gt;rá que estou extrapolando minha função de sociólogo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Costa Lima, L. A Trilogia do Controle (2007), Topbooks, Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt; text-align: justify; line-height: 200%;"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-1143370231355455019?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/1143370231355455019/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=1143370231355455019&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/1143370231355455019'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/1143370231355455019'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2009/03/momento-tese.html' title='Momento Tese'/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-2658961366449315036</id><published>2009-03-24T15:42:00.003-03:00</published><updated>2009-03-24T18:31:56.340-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Souzousareta Geijutsuka'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sociologia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Yuri Firmeza'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='legitimação social da arte'/><title type='text'>Um texto publicado</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aqui vai um texto  de Clarissa Diniz co-escrito por mim que foi publicado ano passado num livro chamado "Souzousareta Geijutsuka".  O toque sociológico do texto, que busca entender os mecanismos de desvelamento das lógicas de legitimação encontradas no experimento (explicação &lt;a href="http://patriciaholiveira.multiply.com/reviews/item/6"&gt;aqui &lt;/a&gt;) do artista Yuri Firmeza ( resuminho &lt;a href="http://digitador.blogsome.com/2007/12/11/souzousareta-geijutsuka/"&gt;aqui&lt;/a&gt;) são bem interessantes. Espero que gostem. Por não ser sociologia em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;sentido estreito&lt;/span&gt; (a que eu gosto), hesitei um tempinho em colocar no meu currículo (de sociólogo). Pressionado, terminei cedendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Firmeza: historieta da contradição legitimadora&lt;/span&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;As lógicas de legitimação são a um só tempo objeto e sujeito da obra de Yuri Firmeza. Objeto porque é disso que trata seu trabalho, sujeito porque seu trabalho é isso - o debate acerca das lógicas legitimadoras através delas mesmas. Ao falar de através de, o artista faz ver - claramente - o quanto os objetos são constituídos não somente de suas matérias específicas, mas, mormente, dos mecanismos de agenciamento dessas matérias.&lt;/span&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Com Souzousareta Geijutsuka, interessa a Firmeza demonstrar o quanto, no contexto do sistema de arte, uma obra é, em grande parte, o conjunto de conceitos e verdades socialmente construídas acerca dela. Souzousareta, por exemplo, era menos suas obras (representadas apenas por poucas fotografias) do que seu currículo - o fato de já ter supostamente exposto quatro vezes no Brasil, bem como em Tóquio e Nova Iorque: grandes centros produtores e corroboradores da arte internacional.&lt;/span&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Assim, consciente dessas lógicas, Yuri desenvolveu uma ação que visava revelá-las, apostando em seu desvelamento como forma de crítica às práticas excessivamente sociais de arte que, prioritariamente interessadas nas legitimidades das obras com as quais lidam, por vezes negligenciam outros aspectos - habitualmente menos sistêmicos e, quem sabe, mais transcendentais- das mesmas. Ainda que a ênfase da sua crítica estivesse na mídia, sua atitude pode ser estendida a todas as instâncias legitimadoras da produção de arte ( a crítica, curadoria, instituições, mercado, público, entre outras) que, agentes dos processos de construção de reputações e validades sociais, são, na maior parte das vezes- como demonstrou a imprensa cearense-, meros instrumentos desse processo: de algum modo, Yuri fez ver que nós, produtores de legitimidades, somos mais manipulados por tais legitimidades do que de fato as manipulamos.&lt;/span&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Também o artista, na dinâmica condição de ser- como todos- simultaneamente produto e produtor do sistema de disputa por legitimidade, dele não se desvia. Ainda que sua obra tenha - ao expor a fragilidade (ou mesmo a falsidade) do processo de construção da verdade midiática - colocado em xeque os jornais de Fortaleza, ela, contudo, não se desvencilhou desses mesmos processos. A partir de uma mentira legítima, Yuri, por sua vez, foi legitimado diante não só da imprensa, como do público, da crítica, etc. E mais: foi legitimado como um questionador das legitimações.&lt;/span&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tal qual sua obra - ao mesmo tempo sujeito e objeto de seu "tema" -, o artista, ao criticar a vulnerabilidade de nosso sistema de arte, foi corroborado por efeito reverso de tal susceptilidade: não fosse a imprensa tão, digamos, "ingênua",  Firmeza não teria sido tão legitimado. Sua ação, apesar de ter alcançados tamanha reverberação, não foi capaz, todavia, de instaurar outras dinâmicas legitimadoras para além daquelas por ele criticadas- aquelas em relação às quais ele é,  inclusive, "benificiado".&lt;/span&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ao fim do processo, mesmo que estejamos todos ainda completamente filiados ao jogo social colocado em questão,  parece-nos, todavia, que dele tomamos maior consciência. O desvelamento intencionado pelo artista aconteceu, e os "mistérios" de um processo legitimador que se faz passar por verdadeiro e justo foram (ao menos parcialmente) "descorbertos". Ainda que por um breve momento, o artista foi capaz de fazer sumir a aura das dinâmicas sociais que fazem parecer imparciais as legitimidades construídas. Abriu-se um espelho sobre nós, e foi impossível negar a realidade refletida a partir de nossas ações.&lt;/span&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E, desfeita a ilusão da imparcialidade, resta a crueza da consciência de sabermos, mais uma vez, que somos nós que, de maneira sistêmica, somos os responsáveis por um campo de arte que não só fabrica verdades - como é natural e,  provavelmente, inevitável-, como também as falseia. A um só tempo produtos e produtores deste sistema, é preciso que deixemos de lado a infame tentativa de procurar um culpado- como fez a imprensa cearense. Quando a responsabilidade fragmenta-se (como ocorre entre os menbros do campo da arte), a culpa dilui-se. É preciso, portanto e sobretudo, analisar o sistema em sua inteireza.&lt;/span&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E analisar o sistema é autoanalisarmo-nos. É falar de através de - questioná-lo ao questionarmo-nos a nós mesmos, recursivamente.  Sem maiores pretensões de suceder, é válido e urgente que, tal qual Yuri Firmeza, tentemos. Mudar um é mudar o outro, e isso faz pensar que, talvez, se Souzousareta fosse mais inventor que inventado, as lógicas de legitimação de nosso sistema não tivessem sido "apenas" desveladas, mas também postas, de fato, em entropia.&lt;/span&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Façamos como o japonês que, ao deslocar a verdade do campo da resposta ao da pergunta, fez sacudir as estruturas do sistema. Apostemos, então, no potencial da pergunta, após a historieta de Firmeza, não quer calar: "mas como mudar?".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-2658961366449315036?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/2658961366449315036/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=2658961366449315036&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/2658961366449315036'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/2658961366449315036'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2009/03/um-texto-publicado.html' title='Um texto publicado'/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-4619499316359072299</id><published>2009-03-14T07:49:00.003-03:00</published><updated>2009-03-14T08:25:20.953-03:00</updated><title type='text'>O bispo que lembrou</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: left;"&gt;É importante trazer a opinião da CNBB sobre o caso da menina estuprada. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Jõao, &lt;/span&gt;tá vendo, você foi ouvido por&lt;span style="font-weight: bold;"&gt; &lt;/span&gt;setores da própria igreja. Eles lembraram que o crime maior foi o estupro, que não deveria ser esquecido &lt;span style="font-style: italic;"&gt;por conta&lt;/span&gt; do debate sobre a excomunhão:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O presidente da CBNBB reclamou que, diante da excomunhão, a gravidade do crime contra a menina acabou sendo esquecida. “Parece que diante da excomunhão se esqueceu de quem cometeu crime”. Ele destacou que é necessária punição ao estuprador, mas não como “vingança”.&lt;span style="font-weight: bold;"&gt; &lt;/span&gt;(texto na integra &lt;a href="http://amigosdeoracaonoticia.blogspot.com/2009/03/para-cnbb-ninguem-foi-excomungado-em.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;)&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Acho que é isso.&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;  &lt;/span&gt;Segundo a CNBB (apagando o fogo do inferno acendido pelo bisbo Dom José)&lt;span style="font-weight: bold;"&gt; &lt;/span&gt;o que houve foi uma lembrança&lt;span style="font-weight: bold;"&gt; &lt;/span&gt;a respeito de um pecado que existe&lt;span style="font-weight: bold;"&gt; &lt;/span&gt;e muitas vezes é esquecido&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;...  &lt;/span&gt;Só não dá para apagar o que o padre&lt;a href="http://padreedson.blogspot.com/2009/03/caso-da-menina-de-alagoinha-o-lado-que.html"&gt; escreveu&lt;/a&gt;.&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-4619499316359072299?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/4619499316359072299/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=4619499316359072299&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/4619499316359072299'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/4619499316359072299'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2009/03/o-bispo-que-lembrou.html' title='O bispo que lembrou'/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-4172331728931179106</id><published>2009-03-11T10:39:00.005-03:00</published><updated>2009-03-11T11:25:55.606-03:00</updated><title type='text'>À Santa Morte de um bisbo: louvemos</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal  {mso-style-parent:"";  margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:12.0pt;  font-family:"Times New Roman";  mso-fareast-font-family:"Times New Roman";} a:link, span.MsoHyperlink  {color:blue;  text-decoration:underline;  text-underline:single;} a:visited, span.MsoHyperlinkFollowed  {color:purple;  text-decoration:underline;  text-underline:single;} @page Section1  {size:595.3pt 841.9pt;  margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm;  mso-header-margin:35.4pt;  mso-footer-margin:35.4pt;  mso-paper-source:0;} div.Section1  {page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable  {mso-style-name:"Table Normal";  mso-tstyle-rowband-size:0;  mso-tstyle-colband-size:0;  mso-style-noshow:yes;  mso-style-parent:"";  mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;  mso-para-margin:0cm;  mso-para-margin-bottom:.0001pt;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:10.0pt;  font-family:"Times New Roman";  mso-ansi-language:#0400;  mso-fareast-language:#0400;  mso-bidi-language:#0400;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Hoje pedi &lt;a href="http://www.emdiacomacidadania.com.br/entaomeexcomungue.php?PHPSESSID=33922b83cbb6f46d787cb0816b5dd259"&gt;excomunhão&lt;/a&gt; por e-mail ( Via: &lt;a href="http://www.locoporti.blog.br/a-santa-madre-igreja/"&gt;Lula&lt;/a&gt;). Coisas da nova era. Foi minha primeira&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;vez. E a primeira vez a gente nunca esquece, não é seu padre?&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;Ora bolas, não creio em Deus e nutro certo desgosto pela Igreja Católica. Mas tendo a tentar ser tolerante com os principios defendidos pela Igreja. Eu tento, juro.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;O contraponto do meu ateismo é meu respeito laico pela crença católica de meus familiares. Sempre transijo : preciso conviver pacificamente com dizeres racistas, com posturas anacrônicas, homofobicas, preconceituosas (que tem sua lógica na &lt;a href="http://padreedson.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="text-decoration: underline;"&gt;razão conservadora da Igreja&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;) e não destruir laços e vínculos afetivos importantes para mim. Eis minha postura quando penso no que vivi com meus avós, por exemplo. Mas não, dessa vez não dá para respeitar. E me digo: ainda bem que meus avós já morreram e esse conflito vai ser evitado, que outro Deus os tenha.&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;O problema é que tenho aquela gostosa descrença provinda de realmente não saber, sabem? Então é fácil. Formado em sociologia, vejo-me descontente com a arrogancia insuperável da metafísica, tenho horror das palavrar fixadoras de essências improvadas e, provavelmente, improvaveis. E apesar de ainda escorregar muito pela fé escorregadia e teorreica das palavras começadas com maiusculas, eu sempre me corrijo quando pego-me falando em “realidades fixas” (na verdade creio que elas sejam mais “fixadas do que fixas”) , porque entendo que entre as palavras e as coisas  existe, sempre, uma “política do entendimento”, uma “vontade de saber” que nos impele a se ater, também, sobre esse “aspecto de política” onde encontramos nossas mascaras , esconderijos recalcados de quem procura as “supostas verdades escondidas no mundo”.E quem procura e reconhece essas mascaras ainda tá bem, mas quem já tem respostas e ainda esconde que quer esconder certos interesses... ai meu Deus, que prezo tanto por Sua inexistência, tende piedade de Nós.&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;Entendi mais sobre a “lógica” da “defesa da vida” quando li o e-mail endereçado a nós, povo brasileiro, por um &lt;a href="http://www.gabrielferreira.com.br/index.php/sobre-excomunhes/"&gt;mensageiro-impiedoso-arauto-da-pseudo-inteligência-juridico-religiosa&lt;/a&gt; (Via: &lt;a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2009/03/apoio_as_feministas_e_ao_cisam_no_caso_da_menina_de_9_anos_estuprada_em_alagoinha.php"&gt;Idelber&lt;/a&gt;) do Deus do Bisbo Endiabrado Dom José do Cão Infernal.&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Deus escrevera através Dele. E escrevera em letra Times New Roman. Uma mensagem muito bonita, onde falava que a justiça era coisa invertida. Aborto, sejamos justos, é um crime. Estupro de uma criança, ora bolas, é pecado pequeno. Mandou foto. Pense num Homem Bonito, Barbudo, Inteligente. Com aquela cara dele eu me disse orgulhoso: Homem, Adulto, Macho, sempre no comando!&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;Sem medo do eco, oremos: Morte Santa ao nosso bispo que defende com tanto vigor a morte santa para &lt;i&gt;os outros&lt;/i&gt;...&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Ps: O "Vinde a mim as crianças” mais conhecido dos padres, sabemos, é bem outro... o melodrama do aborto , o apelo ao &lt;a href="http://padreedson.blogspot.com/2009/03/se-perguntassem-ele-diria-por-favor.html"&gt;feto morto&lt;/a&gt;, tem muito de hipocrisia.&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-4172331728931179106?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/4172331728931179106/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=4172331728931179106&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/4172331728931179106'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/4172331728931179106'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2009/03/normal-0-21-false-false-false.html' title='À Santa Morte de um bisbo: louvemos'/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-4132341211914032856</id><published>2009-03-07T14:47:00.006-03:00</published><updated>2009-03-07T21:09:48.104-03:00</updated><title type='text'>Até quando a paixão?</title><content type='html'>&lt;p  style="text-align: justify;font-family:arial;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Conversar. Pense numa atividade esquisita. Você vê suas palavras faladas se pederem na efemeridade própria do que foi dito. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: justify;font-family:arial;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Meu primo me explicou: “estavamos todos juntos e discutindo. Falavamos sobre o tempo de duração das paixões e eu havia lido em algum lugar que a ciência havia provado que a paixão dura apenas e no máximo 2 anos. Será que é verdade? Se for, o que diabos faço com a minha mulher?” &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: justify;font-family:arial;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Bem, resposta para o que fazer com a mulher dele eu não tenho. Até porque acho que ela não precisa, necessariamente, de um homem para viver bem e feliz. E óbvio, como é coisa pessoal demais, cada um sabe e não sabe o que faz de sua vida. E quando se decide ficar mais seriamente dividido, ficando intimamente na vida com outra pessoa, seja ela do sexo oposto ou não, o tempo se torna inimigo e aliado das coisas do amor. Mas eu sei bem de uma coisa. Nesses debates acolorados entre primos e primas (netos da especialíssima Maria Pereira), eu começaria, pelo seguinte conselho de sociólogo:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: justify;font-family:arial;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Sobre o que consideramos “científico”, levemos primeiro em conta outros aspectos do debate. De bom grado, eu que não sou “cientista” nem nada, teria muito cuidado ao aceitar um texto de &lt;a href="http://super.abril.com.br/superarquivo/2003/conteudo_273821.shtml"&gt;vulgarização&lt;/a&gt; como sendo algo que &lt;i&gt;traduz&lt;/i&gt; com justeza os resultados e os inqueritos de uma pesquisa. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: justify;font-family:arial;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Muitas vezes, o que os cientistas realmente dizem (ou querem dizer) a respeito de dados, objetos e fenômenos é distorcido pela liguagem inapropriada usada para dar acesso ao maior número de pessoas numa vulgarizção. Não digo isso desmerecendo o trabalho da vulgarização que em si, é importatíssimo. Quando este é bem feito, não tenho dúvidas, ele é mais um instrumento que ajuda também a ciência ganhar seu &lt;a href="http://scienceblogs.com/rightfulplace.php"&gt;melhor lugar&lt;/a&gt; em sociedade, lugar esse que deve ser sempre debatido, mas nunca questionado em seu alicerce de liberdade nas pesquisas, na produção de conhecimento, acredito.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: justify;font-family:arial;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Dito isso, convém mostrar um exemplo...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;h1  style="text-align: justify;font-family:arial;"&gt;&lt;span style=";font-family:times new roman;font-size:100%;"  &gt;&lt;span style="font-weight: normal;font-size:130%;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: justify;font-family:arial;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;"seres humanos são biologicamente programados para se sentirem apaixonados durante 18 a 30 meses". Ela entrevistou e testou 5.000 pessoas de 37 culturas diferentes e descobriu que a paixão possui um "tempo de vida" longo o suficiente para que o casal se conheça, copule e produza uma criança. E então eu pergunto: E NO CASO DOS HOMOSSEXUAIS?? Se for parar pra pensar, a ciência nem ninguém explica muita coisa!!” (&lt;a href="http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20080921132830AA4hgMX"&gt;daqui&lt;/a&gt;)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: justify;font-family:arial;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O comentário vinha seguido de resposta de cunho minimamente sociológico que dizia: &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: justify;font-family:arial;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;“Olha, parece que a paixão não dura muito não. Se são três anos mesmo, como diz a ciência, eu não sei. Mas arriscando responder sua última pergunta, parece que o elo entre o animal e o homem está perdido para todo o sempre, se é que algum dia foi achado. Existe um abismo entre nós e o cachorro, por exemplo, que foi cavado pela linguagem e pela possibilidade da cultura. Então essa explicação baseada na biologia e reprodução que a ciência realmente propaga é uma furada e não explica tudo.”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: justify;font-family:arial;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Dos dois comentários tiro a seguinte reflexão: estou certo de que as coisas estabelecidas nas relações humanas tem uma natureza distinta da existente em fenômenos meramente descritiveis e explicaveis por metodologia indutiva proposta por certas “enquetes científicas”. É possível que a pesquisa revele algo sobre algumas manifestações daquilo que se convencionou chamar paixões num dado momento da história humana em diferentes culturas. Mas como todo “dado culturamente estruturado” as paixões possuem “dimensões artificiais demais de auto-apreciação” que exigiria do método de investigação utilizado, no mínimo, uma definição mais historicizada da categoria paixão. Isso revelaria, sem dúvidas, para desespero de certa ciência, muito mais coisas existindo entre a produção bioquimica de substancias geradoras de sensação de bem estar e encantamento do mundo no cerebro humano e as práticas culturais (namoro, encontro casual, traição conjugal etc.)que tornam possíveis a exitência daquilo que se convencionou chamar paixões, e só assim, encotrar aspectos mais específicos de sua “durabilidade&lt;i&gt;”&lt;/i&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: justify;font-family:arial;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Conselho decorrente: nunca tente justificar atitude sua (sempre moralmente orientada por certos valores que podem também sempre serem questionados) por argumentos supostamente científicos de que certas coisas teriam tempo para acabar em nossas vidas amorosas (socio-culturalmente estruturadas). É conselho, não verdade. Da sociologia do amor, que não fiz nem quis fazer aqui, fica só o substrato que diz: “amar se aprende amando”, todo amor é construcionista, com mais ou menos paixão.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-4132341211914032856?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/4132341211914032856/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=4132341211914032856&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/4132341211914032856'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/4132341211914032856'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2009/03/conversar.html' title='Até quando a paixão?'/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-325611705766202822</id><published>2009-02-26T18:28:00.001-03:00</published><updated>2009-02-26T18:28:39.127-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Futebol'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='psicanalise'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Morta'/><title type='text'>O futebol e a morta</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Cheguei no CFCH para ver uma defesa de tese sobre futebol. Eu havia visto a apresentação parcial do trabalho em seminário e fiquei curioso para ver o resultado final. Deixei o carro estacionado atrás do prédio, ao lado do Centro de Educação. Observei o espaço retrabalhado na estrutura lateral inferior do colosso vertical e pensei nas reclamações de meu amigo Bernardo acerca do desrespeito ao patrimônio moderno que constitui as modificações ali feitas. E ensimesmado refleti : eu sempre achei que o característico de nossa arquitetura - mais do que as linhas mestras desenhadas por um arquiteto, e redesenhadas pelos os usuários e outros arquitetos- eram as inumeras reapropriações e modificações realizadas ao longo dos anos sob o mero improviso das demandas práticas do espaço.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;O pensamento veio rápido e, sem o vento típico do lugar, não mais voltou. Subi o elevador pensando coisas desconexas. Tentei inutilmente modificar meu Currículo Lattes na sala de computadores do PPGS. Saí da sala meio irritado e...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A mulher estava lá, no chão com a cabeça espragatada. Tomou o lugar da minha reflexão e o da de Bernardo (que estava lá só em meu pensamento). O CFCH virou um espaço simbólico marcado pelo suicidio desesperado de alguém. Por que não colocar grades, perguntaram alguns já acostumados com outras prisões civis. Por que não telas? Devolveu um de relance. Um outro, mais nobre, fala em crachás, mas é retrucado em seguida: “a maioria dos suicidas era estudante daqui.” &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Não houve tréplica.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Eu gostaria de ter assistido a defesa da tese até o fim. Mas tinha psicanálise, ou seja, o meio de campo estava embolado. Naquele campo molhado, cheio de lama, falei da morta e do impalpável pathos da morte. O futebol, apesar de ser vários (profissional, amador, pelada), perdeu o impacto. A torcida morbida continuava presente, olhando o corpo colado ao solo. A inerte se perdeu para sempre, sem drible de volta... "sem drible de volta" respondeu a analista. Sim, "sem drible de volta". Respondi...&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-325611705766202822?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/325611705766202822/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=325611705766202822&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/325611705766202822'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/325611705766202822'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2009/02/o-futebol-e-morta.html' title='O futebol e a morta'/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-3025541366248639304</id><published>2009-01-10T20:32:00.004-03:00</published><updated>2009-01-12T08:32:48.526-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aniversário'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='oxymore'/><title type='text'>Balanço do Oxymore: fronteiras da história de um blogue</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Esse post vem falar do aniversário simbólico do Oxymore. Apesar de não ser exatamente o aniversário do blogue, já que ele teve início formal em &lt;a href="http://ooxymore.blogspot.com/2004/03/o-oxymore-aqui-farei-meu-diario-quase.html#links"&gt;março de 2004&lt;/a&gt;, existe um momento histórico que é de longe bem mais importante do que a data formal que o inaugurou: a eleição do meu pai para prefeito da cidade do Recife em 2000 (volto a isso mais adiante no texto).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro, o Oxymore surgiu e se firmou da confluência de várias pequenas coisas. Poderia citar algumas, sem ordenar a importância de cada uma delas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- a sugestão de um amigo que me convenceu de que um blogue podia ser mais do que um mero espaço para publicação do vazio interior das pessoas. Para isso, ele primeiro argumentou: “ rapaz, um blogue pode ser também um espaço para debates, troca de idéias, etc.” Depois ele me &lt;a href="http://donquijote.blogspot.com/2003_12_01_archive.html"&gt;mostrou&lt;/a&gt; (leiam esse antigo mas atualíssimo comentário de Cesar no Don Quijote, o segundo post dele , sobre o “caso Edward Said” e seu posicionamento sobre o conflito israelo-palestino). Fui convencido de vez porque vi na prática um blogue funcionando como espaço onde se escreviam muitas coisas interessantes e inteligentes sobre os mais diversos assuntos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ter saído do país e ter ido morar e estudar na França. Estar longe me estimulava a querer manter algum contato com o meu Brasil falando coisas sobre ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- o blogue era uma maneira relativamente fácil de manter contato com as pessoas queridas do Brasil que saberiam um pouco do que fazia e estudava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas apesar todos esses elementos serem importantes, acredito que o mais determinante para a forma e conteúdo que o blogue tem ainda hoje tenha sido outro: eleições de 2000 e vou tentar explicar as razões. Não sem antes explorar outras aspectos menores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do primeiro contato com o mundo dos blogues retenho meu problema incial. Eu precisei responder a seguinte pergunta: será que como Cesar eu teria coisas interessantes a dizer sobre acontecimentos do mundo, sobre filmes, livros lidos, etc. ? Na minha cabeça a resposta era clara, eu não tinha. Ora bolas, de alguma forma o &lt;a href="http://www.ooxymore.blogspot.com/"&gt;Oxymore&lt;/a&gt; é o resultado da não aceitação de minha resposta. Até hoje ele é a prova (para mim) de que a consciência de minha prórpria incapacidade não me serve como desculpa para nada nessa vida. Tanto, que a boa pergunta a se fazer hoje é de que forma o blogue se tornou um elemento de superação pessoal que continua funcionando para além de interesses meramente individuais meus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de ter mudado muito nesses quase cinco anos de funcionamento, o blogue sempre manteve um certo padrão. Acho que hoje posso dizer que a linha diretriz encontrada aqui foi delineada já no seu primeiro momento de existência. Fiquem à vontade para discordar, mas, pessoalmente, eu vejo todo sentido em afirmar que minha atividade blogueira foi um esforço para me situar diante das novas configurações que se colocavam para mim naquele momento inicial. Eu quis fazer desse esforço algo de valor para um público mais amplo que meu próprio umbigo. Sinceramente não sei se consegui. E talvez por isso esse post faça ainda mais sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que fiz das limitações e medos inciais? Eu diria o seguinte: por conta de minha insegurança (e de incapacidades concretas) eu assumi uma postura que designaria mista na produção dos textos que hoje formam o conjunto até aqui postado. Mista porque ela se expressa através testemunhos pessoais que gostariam de ter um valor minimamente coletivo. Explico isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso reconhecer que eu ainda não sabia ao certo a amplitude que um blogue poderia ter. Terminei por conta disso dando uma certa “amplitude quase familiar” aos textos, uma dimensão quase íntima contida nas &lt;a href="http://ooxymore.blogspot.com/2004/03/tarde-metafsica-ao-amigo-ton-era-uma.html#links"&gt;recordações&lt;/a&gt; que nada mais eram do que posts direcionados aos amigos citados naquelas lembranças e que, na minha cabeça, eram os únicos que leriam os textos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas essa tentativa de recordar foi algo mais também. Trazer minhas reflexões sobre coisas vividas, normalmente as que tivessem mais a ver com minha atividade intelectual, era uma maneira de buscar desmistificar um pouco minha própria trajetória para mim e para os outros (os amigos). Essa maneira de me relacionar com os textos tinha uma razão de ser que funcionava como modus operandi da produção. O que estruturava\estrutura o blogue era\é uma espécie de consciência difusa que me fazia/faz sentir fazer parte de maneira um pouco diferente da história política recente do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, vejo hoje que na minha cabeça a única contribuição individual de interesse coletivo minha para um espaço como é o do Oxymore seria a o do testemunho. O que de interessante eu tinha para dizer só poderia vir do fato de ser filho de um dos principais expoentes da política de esquerda local. Mas é preciso entender isso de uma forma muito específica. O mais impotante não é o fato, mas aquilo que está escondido por trás dele. A importância da trajetória do meu pai no meu blogue estaria menos na posição por ele ocupada(veriador, depudato, prefeito), e mais no caminho, no percurso de transições bruscas que as &lt;a href="http://ooxymore.blogspot.com/2004/03/histria-do-sindicato-dos-metalurgicos.html#links"&gt;vitórias políticas do PT e de meu pai&lt;/a&gt; desencadiaram na minha própria vida. O Oxymore tem sido através de mim um retrato social de alguém que sintetiza internamente um pouco das tensões das disparidades sociais do Recife.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que quero dizer com isso? Que o interesse maior do Oxymore para o seu autor está naquilo que ele conseguiu fazer até agora. A meu ver o grande mérito do blogue foi o de expor alguém que, mal ou bem – através dos anseios, oscilações, afirmações, comentários, análises, erros de português, do estilo pouco convencional, dos temas tratatos, dos receios internos de falar sobre alguns assuntos – enfim, expor alguém que condensa, pelos defeitos e qualidades, os traços de uma trajetória de ascensão social e política num país estruturado e se desenvolvendo em meio a um fosso social incomensuravel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imaginei que simplesmente contar coisas a partir desse ponto de vista, do de alguém que evoluia em tensão dentro desse processo socio-político maior, que desse contar e contar-me num &lt;a href="http://ooxymore.blogspot.com/2004/03/reflexividade-pela-mimesis-sempre.html#links"&gt;&lt;em&gt;work in progress&lt;/em&gt; de si&lt;/a&gt; e das inúmeras “tensões sem síntese” geradas pelo rebuliço de me ver mudando de classe social, de estatuto, de ambições, imaginei que disso tudo sobraria algo interessante para quem pudesse e quisesse se servir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia primeiro meu pai deixou de ser prefeito da cidade. Talvez ele não tenha muito idéia de como o avanço dele balança firme com o resto de nós, os da família. É provável que o impacto da trajetória dele não seja o mesmo em cada um separadamente.O Oxymore, nesse seu tempo de existência, tentou resgatar e registrar os aspectos mais significativos dessa relação implícita que é tão mais evidente quando os elementos que a fundam se dissipam no passado, mesmo que ainda recente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me bem dos tempos em que já no segundo mandato de deputado dele (ele foi veriador por dois anos, e depois três vezes deputado estadual), ainda morávamos na UR-6 por alguma razão. Qual seria? Por que ficamos nesse lugar onde amigos de infância entram no crime e se matam entre si? Seria a presença dos meus avós ainda então vivos? Seria um sentimento difuso de culpa que nos dizia que sair do suburbio seria uma espécie de traição social? O fato é que nossa condição social havia mudado. Daquele ponto em diante, tudo era possível. Meu pai ser prefeito da cidade. E eu criar um blogue. Lugar onde eu não quis confudir a lógica das minhas coisas com as coisas da lógica (minha e dos outros). E que hoje comemora um aniversário simbólico, com toda coerência antinômica desse mundo que se chama o Oxymore. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;(continua... em breve) &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-3025541366248639304?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/3025541366248639304/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=3025541366248639304&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/3025541366248639304'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/3025541366248639304'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2009/01/balano-do-oxymore-fronteiras-da-histria.html' title='Balanço do Oxymore: fronteiras da história de um blogue'/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-3336870358395912279</id><published>2009-01-03T06:58:00.001-03:00</published><updated>2009-01-03T07:12:30.761-03:00</updated><title type='text'>Balanço ...</title><content type='html'>Em breve, o Oxymore trarah balanço de seu tempo de vida. Ele vem um pouco retardado por andanças em além mar, porém com muita vitalidade... Afinal o blogue se segura desde &lt;span&gt;05/03/04, quando seu proponente se viu impelido a dizer algo de si ... e depois do que ela via e pensava a respeito de coisas do Recife, do Brasil entre outas paragens.  Nesse entretempo, feliz tudo que passou... Natal, virada de ano... para amigos e simpatizantes do blogue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-3336870358395912279?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/3336870358395912279/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=3336870358395912279&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/3336870358395912279'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/3336870358395912279'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2009/01/balano.html' title='Balanço ...'/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-1561249598443272983</id><published>2008-12-15T15:37:00.005-03:00</published><updated>2008-12-15T15:56:16.972-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Entrevista'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Gilmar Mendes.Links'/><title type='text'>"Entrevista" com Gilmar Mendes Links</title><content type='html'>Para quem vai acompanhar a "entrevista"de Gilmar Mendes no Roda Morta na TV Cultura hoje à noite a sugestão é antes ler o post do &lt;a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2008/12/gilmar_mendes_entrevistado_na_tv_dantas.php#comments"&gt;Idelber&lt;/a&gt;, passar pelo do &lt;a href="http://bocejando.blogspot.com/2008/12/notcia-e-contexto.html"&gt;B J&lt;/a&gt;, e depois, se tiver uma pergunta a acrescentar, fazê-la ao próprio Gilmar Mendes, &lt;a href="http://www.tvcultura.com.br/rodaviva/comenteeparticipe.asp"&gt;aqui&lt;/a&gt;. Façamos, se a estrutura do programa permitir, o papel que os jornalistas escolhidos dificilmente farão. Vamos lá. Vale a pena tentar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-1561249598443272983?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/1561249598443272983/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=1561249598443272983&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/1561249598443272983'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/1561249598443272983'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2008/12/entrevista-com-gilmar-mendes-links.html' title='&quot;Entrevista&quot; com Gilmar Mendes Links'/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-670899441197559475</id><published>2008-12-13T20:26:00.014-03:00</published><updated>2008-12-20T18:54:58.985-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='memória'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='individualismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Foto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='dosta'/><title type='text'>Teste da foto: memória presente de algumas veredas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_AHR7xuNxsvI/SURmHE8AKNI/AAAAAAAAAAo/9MAMAJCsPuw/s1600-h/Diogo,+Ja[2]...jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5279456934955591890" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 207px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_AHR7xuNxsvI/SURmHE8AKNI/AAAAAAAAAAo/9MAMAJCsPuw/s320/Diogo,+Ja%5B2%5D...jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Hoje encontrei por acaso com alguém inesperado. Luciana, talvez minha primeira namorada. Não lembro nem se a beijei um dia. De recordação presa na memória, mesmo, só ficou aquela imagem da casa dela, na frente de uma praça que era um pouco distante da minha, na UR-6.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Encontrá-la e ver esta foto aqui hoje me deixou reflexivo...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;Já tentei lembrar o que diabos estavamos vendo nesse dia. Mas desisti. Acho até que Diogo já me lembrou uma vez, mas minha memória é por demais seletiva. Já apaguei da minha a recordação dele. Talvez alguém falando sobre marxismo, ou sobre a sociologia pós-estruturalista, ou sobre alguma bobagem dessa que se vê num auditório cheio de estudantes de graduação em ciências sociais. Mas nada disso importa, mesmo.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Na foto temos, dos que mais convivi, da direita para esquerda (a ordem é quase sempre importante): Dosta, Frávio, Cesar, Jampa e Diogo. Logo atrás, Cunegundes e mestre Giva... Acho que Simone está à esqueda, mais ao fundo, sempre de preto. E penso reconhecer Adriana ainda mais atrás , mas não tenho certeza alguma.&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;***&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Cada um com seu cada um, dizia um amigo da UR-6. Ele repetia essa frase em alguns tipos de situação. Um amigo te traiu, "cada um faz o seu. Cada um com seu cada um. Não é assim não?" Eu achava incrível aquela franqueza individualista. Era uma coisa tupiniquim, violenta. Não confie em ninguém. Seja auto-suficiente, assim você sobrevive melhor. Ainda hoje acho isso raro. Não sei bem a razão, mas essa frase me ficou e acho que individualismo é isso: "cada um com seu cada um" E depois, para piorar, tendo a pensar que essa maneira de ver sempre acompanha um certo naturalismo conservador "não é assim não?". O individualismo, para mim, é fruto do medo naturalizado do outro.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Hoje percebo que aquela maneira de falar de meu amigo da UR-6 era um código. Decifro-o agora: para o pior, que ocorre tão freqüentemente, é sempre bom estar preparado. Cada um com seu cada um é uma vacina que prepara o espirito para a virose chamada mundo. Uma vacina que parecia proteger contra a certeza de um futuro incerto, sem perspectivas onde quem vence é sempre um traidor. Lugar hobbesiano, onde em todos os momentos se vivencia a luta do bem contra o mal, onde uns são bons e outros são maus. Um universo sem muitas palavras "não é assim não é ?"&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;***&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;A foto do post traz um mundo sobreposto a esse, espaço onde encontrei as palavras para falar sobre o silêncio que aquele outro sem foto evoca. Uma descrição do meu visual semi-punk, pós-nietzschiano, peseudo-filosófico, pode, com o esforço amigo do leitor, denunciar a tensão existente entre invisíveis co-existindo alí. Em mim, naquela cabeça raspada com uma mecha de cabelo correndo até a orelha esquerda, os dois mundos se degladiavam. E o &lt;em&gt;look &lt;/em&gt;debochado, nem totalmente marginal nem perto de ser convencional, era uma maneira de expressar toda a violência daquele momento de aprendizado. &lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;Incorporar um vocabulário esquisito, formal, era também senão esquecer, impultar ao mundo silencioso, aquela nova maneira de falar e entender as coisas, inclusive do velho mundo, cheio de girias e palavrões vulgares que, naquele contexto, só queria calar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A foto traz amigos que hoje mal ou bem, ou mal e bem, estão aí inseridos nesse mundão a fora. Professores universitários, pesquisadores, empregados de orgãos públicos, etc. Da UR-6 quase nunca tenho notícia. Luciana, a encontrei no parque da Jaqueira, ela tem uma pscina de bolas para crianças bricarem. Do meu amigo autor da frase que deliniou minha recusa institiva à filosofia complexa que enfatiza o individuo como base analítica da vida social (sociedade, &lt;em&gt;such a impossible thing to think!&lt;/em&gt;), soube apenas que o irmão dele foi preso por traficar cigarros. Mas já se soltou e vive uma vida muito parecida com a minha, onde cada um faz o seu, não é assim não é?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-670899441197559475?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/670899441197559475/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=670899441197559475&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/670899441197559475'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/670899441197559475'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2008/12/teste-da-foto-memria-presente-de.html' title='Teste da foto: memória presente de algumas veredas'/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_AHR7xuNxsvI/SURmHE8AKNI/AAAAAAAAAAo/9MAMAJCsPuw/s72-c/Diogo,+Ja%5B2%5D...jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-3623063170682219648</id><published>2008-11-28T23:38:00.001-03:00</published><updated>2008-11-28T23:40:24.134-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Lévis-Strauss'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='100 anos.'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Aniversario'/><title type='text'>Levis-Strauss: Homenagem Estrutural aos seus 100 anos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Hoje, sexta feira 28 de novembro de 2008, comemora-se o centenário de Claude Lévis-Strauss. Para quem não conhece a obra do famoso antropólogo francês é uma ótima oportunidade de fazer o primeiro contato com os escritos do pai da antropologia estrutural. Para quem domina o francês a dica é dar uma olhada nas homenagens do &lt;a href="http://portal.unesco.org/fr/ev.php-URL_ID=41832&amp;amp;URL_DO=DO_TOPIC&amp;amp;URL_SECTION=201.html"&gt;Courrier De L’ UNESCO&lt;/a&gt;.  O velhinho, longe de ser o Papai Noel, foi estudioso erudito atento dos mitos de diversas culturas. E é com essa imagem que ele aparece vivinho da silva em uma homenagem feita pela &lt;a href="http://www.arte.tv/fr/accueil/Comprendre-le-monde/Journee-speciale---Claude-Levi-Strauss/2325700.html"&gt;TV Arte&lt;/a&gt;. Vale a pena assistir o vídeo baseado no Tristes Trópicos. No site da Arte você também encontra discursos e textos de Levis-Strauss sobre a relação entre raça e cultura. Um deles podemos inclusive ouvir o áudio. Em português, &lt;a href="http://stoa.usp.br/anacesar/weblog/38187.html"&gt;Ana Cesar&lt;/a&gt; lembrou da comemoração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senti falta de comentários críticos, mas acho que essas datas comemorativas são assim mesmo. A ciência fica um pouco de lado, talvez infelizmente, e fica o mito... se conseguirmos sobrepor essa linguagem e decifrar a espinha dorsal que a estrutura, fica aquele saborosa sensação de que apesar da continuidade, o mito Lévis-Strauss não é apenas um invariante estrutural dos outros mitos que ele tanto analisou a ponto de propor um método universal para dar inteligibilidade a todos eles!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-3623063170682219648?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/3623063170682219648/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=3623063170682219648&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/3623063170682219648'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/3623063170682219648'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2008/11/levis-strauss-homenagem-estrutural-aos.html' title='Levis-Strauss: Homenagem Estrutural aos seus 100 anos'/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-7486161750420416895</id><published>2008-11-27T22:24:00.013-03:00</published><updated>2008-11-30T15:13:03.114-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Andar em Recife'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prostituição'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dinheiro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Putas'/><title type='text'>Desvio narrativo ou... o dinheiro dado as putas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Desci as escadas estreitas. Já era quase noite e a Av. Conde da Boa Vista parecia a mesma de sempre. O que digo? As calçadas agora são um pouco mais largas, feitas com tijolos retangulares de um colorido fosco, encardido. Aguns deles são de um vermelho esbraquiçado pela poeira. Ao pisá-los imagino sangue coagulado com terra em cima. As pessoas são tijolos. Olho para uma menina na rua, uma garota de rua, como se dizia. Agora ela está em “situação de rua”. A liguagem são tijolos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico com pena da criança. Lembro que ela é uma criança. Ela tem pouca cor e sorrisos cinzas a enfeitam por contraste quando se confrontam ao seu olhar. Algumas pessoas tem ainda coragem de encarar. Meu sorriso é cinza. Dela não se conhece o riso. E isso é julgamento meu. Sempre sou claro, conciso, moral, miserabilista. Rir também não é meu forte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não estou no meu carro, isso é raro. E agora me surpreendo vendo as pessoas dentro dos automóveis. Será que sou assim também quando olhado de fora? Aquele homem de oculos. O que ele faz? Ele alonga o braço direito fazendo uma pequena inclinação para baixo com o ombro, suponho que muda a estação de rádio. Nada mais normal. Logicamente está voltando para casa depois de mais um dia trabalhando sei lá onde. Será que esse cara é feliz? Tem filhos? Afasto-me da minha síndrome Marta Suplicy. Afinal, o cara pode estar satisfeito com a vida de muitas formas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas e aquela menina alí. Uma patricinha, deduzo. Deve estar falando com o namorado. O jeito de sorrir ao celular, de morder o pedaço da unha olhando no retrovisor interno e de não dar a mínima para o engarafamento que tira a paciência de outros motoristas menos distraídos, tudo denucia o namorico da moça. Uma formosura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sigo andando. Um ônibus abarrotado, ótima amostra representativa. Não lembro a última vez que entrei numa lata apertada daquelas. Observo do chão o jogo de janelas. Uma mulher alta e bonita sentada perto da porta dianteira projeta seus olhos para fora, ela os move em direção ao que se passa em baixo. Alí, numa Mercedes Bens cinza, um homem conversa com uma menina sorrindo no banco traseiro. Ele usa para isso o mesmo artificio da moça apaixonada, mostrando que os espelhos de carro tem muitas funções latentes.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fora dos veículos as pessoas olham e não percebem a divisão espacial injusta contida entre as duas janelas, uma alta, transparente e panorâmica, a outra baixa, escura, mas automática e climatizada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém com uma cara de tijolo vermelho vem perdir esmola no sinal ao homem de janela automática. Esmola é dinheiro encardido, é compra violenta da vergonha esquecida pelo hábito de pedir(e de dar e não dar). O vidro desce e uma nota de cinco reais aparece, sai da mão limpa e passa para uma suja, de cor escura como a do encarnado calçamento. Somos cristãos, compadecemos limpos da miséria alheia empodrecida. Dar dinheiro não é um gesto de compra, diria. Porque essa troca entre a culpa e o cinco reais não revela a elevação maior de nossas relações humanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuo minha caminhada. Penso no dinheiro. Faço uma pequena digressão filosófica sobre a natureza humana... Da força de trabalho ao corpo da prostituta, do carro importado à passagem do ônibus superlotado, do valor das coisas ao das pessoas, tudo está mediado pela monetarização de nossas sociedades. No caso das putas, essa coisa do dinheiro as coloca em situação ambivalente: na prostituição a relação entre os sexos está submetida absolutamente ao ato sexual( ou sensual no sentido mais amplo), a mulher está aí rebaixada à sua &lt;em&gt;generalidade&lt;/em&gt; sem especificidade humana própria, ela representa o que cada exemplar genericamente pode oferecer (nenhum aspecto específico de sua personalidade é levado em conta). O dinheiro aí, como na psicanalise, tem um papel fundamental porque ele é o equivalente econômico dessa relação reificante. Ele, como a mulher prostituta, é o tipo genérico dos valores econômicos. Simmel tem uma frase lapidar a esse respeito: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;“ O nível inferior da dignidade humana é alcançado quando, por uma retribuição tão anônima, tão exterior e objetiva, uma mulher concede o que ela possue de mais íntimo e mais pessoal e que não deveria sacrificar a não ser por um impulso totalmente individual, contrabalançado por uma doação não menos individual do homem em relação a mulher”&lt;/em&gt;( Simmel 2006, p.52)*.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixo a filosofia. Na verdade não existe ambivalência alguma. Chego ao fim da minha caminhada inesperada. Olho meu carro parado na garagem de casa. Vejo-me no retrovisor... as olheiras são o contorno do passeio que fiz. Elas delineiam também o peso dos meus pés calçados por um par de tênes Nike, pesados e sujos com a poeira das culpas de minha condição de classe média.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;*Gerg Simmel (2006), &lt;em&gt;A Filosofia do Amor&lt;/em&gt;, São Paulo, Martins Fontes. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-7486161750420416895?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/7486161750420416895/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=7486161750420416895&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/7486161750420416895'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/7486161750420416895'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2008/11/desvio-narrativo-ou-o-dinheiro-dado-as.html' title='Desvio narrativo ou... o dinheiro dado as putas'/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-1085856196542477281</id><published>2008-11-17T18:59:00.004-03:00</published><updated>2008-11-17T20:12:09.614-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Tese'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Amizade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cesar'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Graciliano Ramos'/><title type='text'>Posições: Cesar, Jampa e uma tese sobre Graciliano Ramos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Pé na Jaca no meu Eunismo blogueiro&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;( entre amigos)&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha amiga Wander me enviou recentemente as matérias da &lt;a href="http://bravonline.abril.com.br/"&gt;Bravo!&lt;/a&gt; (não encontrei o link da matéria mesma, mas quem quiser pode me pedir que mando por e-mail) de março de 2003. Naquele momento se comemoravam os 50 anos da morte de Graciliano Ramos e a revista dedicara a capa e alguns artigos ao autor de &lt;em&gt;Vidas Secas&lt;/em&gt;. O título presente na capa: “A resistência do camarada Graciliano”. A ele se seguia um complemento: “ Começa a ser relançada a obra do militante que dispensou o discurso panfletário para se tornar um dos maiores romancistas brasileiros”. Ok.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A matéria agora me interessa pouco. Na verdade, a lembrança da amiga me fez relfetir sobre alguns elementos pessoais que julgo importantes sobre construção de minha tese. Como eles não poderão aparecer de forma real no corpo de meu trabalho, aproveito o tom sempre mais egocentrado do blogue para fazer de mais um dia improdutivo de trabalho, um momento de dividir os dilemas e os percalços de quem se aventura numa empreitada intelectual como esta. Por que diabos escolhi estudar a obra de um autor tão canonizado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confessaria que a culpa foi de meu amigo &lt;a href="http://donquijote.blogspot.com/"&gt;Cesar&lt;/a&gt;. Eu cometi esse desvio em direção à literatura por pura falta de conhecimento e pela interlocução que estabelecemos e que continuamos até hoje. Fui ludibriado pelo amigo. E agradeço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas até aqui nenhum problema. Nossos amigos tem todo o &lt;em&gt;dever&lt;/em&gt; de nos ajudar a encontrar nossos caminhos, mesmo quando eles não estão conscientes (nem nós) do impacto deles em nossas vidas. Existe algo nessas influências que não são apenas do domínio do anedótico, elas entram no terreno do emblemático. Daqui em diante é esforço de situar minhas tomadas de posição intelectuais (digamos assim) em função das que eu imaginava serem as dele (de Cesar), formulando assim uma parte, não a menos importante, do que me levou chegar até aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje meu trabalho se encontra numa situação interessante e delicada justamente por conta do tipo de relação hesitante que tenho com a literatura (sobretudo em relação à crítica literária, domínio do conhecimento que detém, no Brasil, e não só aqui, uma espécie de monopólio sobre o discurso literário). Na minha busca inicial por legitimação num universo até então desconhecido por mim (o acadêmico), o modelo que tentei seguir, em certo sendido a minha revelia, era o de uma intelectualidade tal como a que incarnava o meu amigo teuto-sergipano. E não creio que isso tenha sido ruim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi com ele que ouvi pela primeira vez nomes que desconhecia, como o de Roberto Schwarz e, pasmem, Antonio Candido. Foi depois dele que li um pouco desses autores. Sim. E através dele, por conta de suas visitas constantes e intermináveis as bibliotecas, que percebi que o conhecimento não vinha sozinho para nós durantes as aulas. Sim, obrigado. Essas coisas se aprendem. E para mim é sempre engraçado ouvir de outras pessoas testemunhos parecidos com o meu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem mais. A partir dele fui modulando as percepções que eu mesmo tinha e tenho sobre o que a literatura representava para mim. E ter ficado na sociologia parece-me uma maneira embora lacunar, legítima de tentar consolidar as especificidades de um tipo típico de intelectual a habitus clivado. Eu escolhi a literatura, em outras palavras, para poder aceitar mal ou bem as impressões de Jampa sobre Jampa. Eu estou permanentemente seduzido por uma visão de mim mesmo como sendo a de um “intelectual pela metade”, formado pelo esforço de vencer pelcaços, e não pela positividade de um percuso escolar e acadêmico impecável que corroborariam com as expectativas do mundo sobre minha própria intelectualidade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Essa visão de intelectual completo, pelo recurso da proximidade, quem me dava era ele, Cesar. Não que ele fosse de fato (ninguém é completo, sabemos), mas o modelo, digamos assim, do que era ser mais inteiro em termos de dedicação e obtenção de resultados estava para mim delineado naquele sergipano de estirpe recifense.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa impressão de imperfeição em mim tem portanto ligação com minha relação de amizade com o amigo (poderia citar outras pessoas como Diogo, ou Mestre Giva no caso dessa minha gênese intelectual, mas fico com Cesar para não complexificar demais o sistema). Tal impressão continua e se acentua no caso da tese na medida em que sou forçado a forjar meu discurso sociológico &lt;em&gt;contra&lt;/em&gt; a autonomia perniciosa da crítica literária. Crítica literária que é a profissão &lt;em&gt;par excelence&lt;/em&gt; daquele que me enfiou sem saber nessa enrascada dos diabos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devo uma explicação quanto ao "perniciosa" dito a respeito da autonomia da crítica literária. Não tenho nada contra a crítica literária e muito menos contra o meu amigo Cesar, muito pelo contrário, retiro dos dois (da crítica e de Cesar) grande parte de minha motivação para dar cabo de meu trabalho. Mas a elaboração da autonomia disciplinar sobre o objeto literário impele meu trabalho a margem do processo de inteleção das obras. E isso porque a crítica é aparentemente invencível, uma vez que, como &lt;em&gt;crítica da sociologia&lt;/em&gt;, a crítica literária está sempre se definindo e se redefinindo em refinamento e autenticidade. E isso na medida em que concebe sua autonomia, em redundância cabida, no estudo do que existe de mais autonomo na literatura: suas formas. Quem em sã consciência ousaria dizer que em se trantando de estudos literários, a sociologia não deva ser apenas uma “visão de mundo” que apoia à critica no desvendar dos mistérios literários? Eu heim!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, noves fora minha “ousadia” de tentar tratar a obra de Graliano Ramos pelo seu contexto, coisa batida, mas também menosprezada e pouco feita (tendo em vista aqui o desnível do tratamento dado entre os demais elementos do Arquivo Graciliano Ramos no IEB e o dado à serie Recortes, onde se encontram recortes de jornais feitos pelo próprio autor sobre as opiniões críticas aparecidas em jornais sobre sua obra, esta última parte é a que eu estudo), eu ousaria dizer em meu favor o seguinte: em meio a deficiência e a leituras precarias fica a idéia de uma preocupação legítima com os elementos que compõem uma obra para além dela e de seu autor. Coisa que é também batida, sem dúvidas, mas que raramente é feita e que pode ter sua valia independentemente do refinamento alcançado no tratamento analítico da obra ela mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nesse breve percurso, arrogo-me a dizer: dos muitos escritos que li sobre a obra do Velho Graça, de tão tematizados por adjetivos repetidos, eu diria que esse volume de crítica dedicada a sua obra dá à idéia de “lugar comum” uma semântica toda apropriada onde a redundância chega a ser uma coisa desleal, ela reforça em pleonasmo as coisas que são sempre ditas e reditas a respeito do autor. “Obra indissociavel do homem”, “homem engajado que não se rendeu aos ditames da hortodoxia do realismo socialista”, “um dos maiores romancistas brasileiro”. Não diria que essas coisas são mentiras, ou que estão erradas. Mas elas vem sendo ditas desde do falecimento do autor, em 1953. Por que não se fala no processo de legitimação pública pelo qual sua obra passou durante a comemoração do seu aniversário de 50 anos largamente registrada pela imprensa da época? E depois, com mais intensidade, quando sabida a gravidade de sua doença, no aniversário de 60? Nenhum estudo dessa ordem tiraria dele(Graciliano), a meu ver, a importância e a relevância de sua obra literária(atribuida pelo julgo da crítica), só acrescentaria, mais uma vez a meu ver, um conhecimento sobre os mecanismo que toda obra (grande ou pequena em valor artístico) tem que enfrentar para se tornar grande ou pequena na representação que nos fazemos dela socialmente (o que inclui também, ora bolas, seu valor estético).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim realizo e explicito esse meu diálogo implícito com meu amigo Cesar. Um diálogo tão latente quanto a sociologia que analiso na obra e nos leitores que registraram opinião sobre os livros de Graciliano nos jornais. Neles (nos diálogos implícitos) se revelam aspectos de um caminho percorrido (não todos, e nem os que foram salientados se esgotam em si mesmos). Devem continuar ocultando muito(ainda os diálogos), mas, no blogue como na vida, é precisso confiar no processo. E continuar executando as etapas, e se possível melhorar o que produzimos levando em conta o que é possível fazer ao condiderar nossos limites atuais. Assim, mais um texto se finda, mas deixa em aberto, como não poderia deixar de ser, o que deve ser desvelado desse esforço de tentar desvelar tantas coisas. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-1085856196542477281?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/1085856196542477281/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=1085856196542477281&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/1085856196542477281'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/1085856196542477281'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2008/11/posies-cesar-jampa-e-uma-tese-sobre.html' title='Posições: Cesar, Jampa e uma tese sobre Graciliano Ramos'/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-4800456015911695184</id><published>2008-11-14T11:32:00.004-03:00</published><updated>2008-11-14T11:51:36.007-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cobra'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pornô'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='boa risada'/><title type='text'>Para não dizer que não postei...</title><content type='html'>Querid@s,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;estou sem conseguir parar para postar... Então para não deixar vocês na mão (com o perdão do trocadilho de mau gosto), trago a melhor indrodução de filme pornô jamais produzida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/F4pcY7GC4Ww&amp;color1=0xb1b1b1&amp;color2=0xcfcfcf&amp;hl=en&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/F4pcY7GC4Ww&amp;color1=0xb1b1b1&amp;color2=0xcfcfcf&amp;hl=en&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Via: &lt;a href="http://napraticaateoriaeoutra.org/"&gt;Na prática a teoria é outra&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-4800456015911695184?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/4800456015911695184/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=4800456015911695184&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/4800456015911695184'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/4800456015911695184'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2008/11/para-no-dizer-que-no-postei.html' title='Para não dizer que não postei...'/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-7503811081970632552</id><published>2008-11-09T09:57:00.006-03:00</published><updated>2008-11-11T01:34:29.728-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pré-Alas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pensamento Social.'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sociologia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jesse Souza'/><title type='text'>Impressões sobre o Pré-ALAS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Participei como platéia do encontro chamado Pré-ALAS. O ALAS é o congresso da Associação Latino-Americana de Sociologia que ocorrerá ano que vem no Rio de Janeiro. O evento que se realizou entre 03 e 05 de novembro aqui no Recife tinha como objetivo ser uma espécie de aperitivo ao congresso maior que estar por vir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi pouco e não poderia emitir uma opinião mais ampliada sobre o evento como um todo. Mas gostaria de tecer comentário sobre três atividades as quais tive acesso. A mesa redonda “Uma agenda para os estudos sobre crime e violência no século XXI”(04/11/08, das 8 ao meio dia no auditório do CCSA), o grupo de trabalho (GT) “Pensamento Social na América Latina” (04/11/08, 14 às 17 horas no CFCH) e por último a mesa redonda “Democracia, desigualdade, participação e novos atores na América Latina” (05/11/08, 8 ao meio dia no Centro de Educação). &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Opinião sobre mesa redonda sobre crime e violência: agenda social, agenda sociológica&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na mesa redonda sobre a agenda de estudos sobre crime e violência o que mais me impressionou foi perceber o vínculo intervencionista das preocupações das possíveis “agendas científicas”. Se as ciências sociais surgem historicamente em parte por conta do volume e densidade que as sociedades industriais deram à morfologia de suas cidades, e o sem número de fenômenos sociais que vão aparecer em decorrência disso, não deixa de ser interessante perceber o quanto uma idéia de “medicina social” (conhecer para intervir e sanar problemas) permeia os objetivos das agendas ali propostas. Nada contra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é interessante porque perigoso, eu acrescentaria. Essa definição de agendas nos moldes da relação de heterônomia entre sociologia e política pública de segurança define contornos políticos (na verdade sociais) à agenda científica que passa a pensar seus objetos em função de ideais de diminuição das taxas de criminalidade e violência. Mais uma vez, nada contra o uso do conhecimento sociológico nas agendas políticas dos políticos e governantes. Porém é preciso convir, é preciso ter preocupação com a ciência e sua função específica principal cujo a qual, creio eu, ainda ser aquela de produzir conhecimento sobre as lógicas de funcionamento do mundo social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se esse meu receio for real, ou seja, se for verdade que aquelas proposições de agendas de estudo foram estruturadas apenas em função de vínculos com a demanda pública por segurança, numa situação como essa descrita, parece-me que é factível aceitar o declínio da distinção instituinte e instrutiva dada pela própria sociologia entre um problema social e um sociológico. Aparecendo de maneira dissolvida nos moldes para lá de perniciosos dessa razão sociológica (uma sociologia aparentemente desprovida de sua função latente), a sociologia do crime visa encontrar soluções para o crime e para violência (criminologia) sem muitas vezes se ater ao entendimento das lógicas, mecanismos, formas de funcionamento do mundo social que engendram “situações de violência”, “formação de criminosos”, “culturas do crime” etc. Estuda-se polícia, estudam-se políticas de segurança (e querem se estudar seus impactos, onde?, na diminuição ou não das taxas disso e daquilo), mas, e isso me intriga, estudar o caldo sócio-cultural que estrutura essa agenda parece não interessar ninguém. É démodé. Podem me chamar de leigo e conservador, de desconhecer as teorias da janela quebrada ou de suas semelhantes, mas fazer sociologia para mim sem falar sistematicamente de aspectos de socialização sempre vai me parecer algo como fazer bolo de trigo sem colocar margarina: produz algo seco, ruim de digerir e, last but not least, não parece bolo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Jessé Souza: discurso inaudível, sociologia morta e seus diálogos sem interlocutores&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O principal personagem do grupo de trabalho sobre “Pensamento Social na América Latina” e da mesa redonda sobre democracia e desigualdade tem nome: Jessé Souza. Primeiro por fazer uma exposição crítica à idéia de pensamento social num grupo sobre pensamento social. E depois por defender idéias fortes como é a de ralé estrutural, que por sua vez reveste uma crítica por si só já instigante, onde elementos culturais fortemente presentes e aceitos como sendo parte de nossa brasilidade são colocados como elementos de um “mito do Brasil” a ser triturado pela ciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que achei extremamente interessante nos dois momentos foi a impossibilidade de comunicar que se externalizava na &lt;em&gt;hexis corporal&lt;/em&gt; de Jessé Souza ao expor, sempre com muita clareza e destreza, o seu pensamento crítico. O suor, os suspiros de impaciência com apresentações que reproduziam contextualizações teóricas de pensamentos teóricos, traduziam o apelo da consciência de alguém que sabia estar falando para um auditório onde os principais interlocutores (os integrantes da mesa) eram surdos ao que ele dizia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é que se por um lado Jessé Souza tem toda a razão de se colocar da maneira que se colocou(dando argumento-patada em todos), o limite de sua postura está, a meu ver, na pouca ênfase dada às &lt;em&gt;propriedades sociológicas de seu discurso sociológico&lt;/em&gt;. Aceitando discutir os resultados teóricos de seu estudo sobre a ralé estrutural como mais uma teoria sobre o mundo social, perde-se de vista o essêncial de sua crítica, caindo-se assim no mesmo equivoco que torna inaudível a especificidade do discurso que deu vazão a produção dessa teoria: ou seja, o sociológico (Jessé de Souza) não enfatizando que é com sua &lt;em&gt;maneira de investigar &lt;strong&gt;que ele produz crítica&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;, ou seja, através de seus métodos, seus recursos técnicos de pesquisa – entrevistas, análise estatística, análise de documentos, uso de conceitos, etc. –, ele perde a oportunidade de interar e fazer entender que a verdade e não apenas a veracidade de suas proposições depende do bom uso desses procedimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse sentido acho típicas as exemplificações de alguns elementos de pesquisas dados durante a sua exposição. A mais característica sendo a que visa explicar a tendência ao fracasso escolar de alunos oriundos da ralé. A capacidade de concentração é algo que se aprende, diz Jessé Souza. Ele acrescenta depois de forma imagética que as pessoas de classe média, quando na idade escolar aprenderam a se concentrar em casa, vendo seus pais lendo jornais e livros, descobrindo a concentração como algo possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(O que vou dizer agora pode ser uma injustiça produzida pela temporalidade limitada de uma apresentação de meia hora num evento como o que comento. Mas julgo da pertinência dessa crítica por não ter percebido em nenhum momento uma preocupação que levasse o debate para esse ponto que trato.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, Jessé usa nesse exemplo sobre a concentração um argumento estruturado dentro de uma lógica bourdieusiana do A Reprodução. Parênteses para dizer que esse é um livro aparentemente mal lido no Brasil tendo em vista as acusações tolas de estruturalismo que detêm tanto o interesse de nossos debates acadêmicos. Nesse argumento a inteligibilidade do fenômeno da “burrice” (dos não atentos em sala de aula) aparece quando se sobrepõe (depois de descrições muito detalhadas no caso das pesquisas que deram origem ao livro de Bourdieu e Passeron) a congruência ideologicamente camuflada das estruturas da cultura dominante (porque legitima, a ecolar) e a da classe dominante ( a cultura das famílias mais abastadas sociocultural e economicamente). Até aqui tudo bem. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;O problema é que se você omite, como tende também a fazer Jessé Souza, a importância da análise estatística, da etnografia que descreve as relações de aprendizado no seio familiar e escolar, da construção de uma relação específica no uso dos conceitos para a construção de um argumento sociológico interpretando essa base material (por que usar a estatística para “explicar” ou dar “conformidade” ao dito real que a teoria trata?), você acaba por ratificar as “razões da inaudibilidade” do seu discurso. Por isso minha simpatia pelo discurso de Jessé Souza é grande, mas parece esbarrar naquilo que ele critica só até certo ponto, seu vínculo com uma maneira de refutar e conjecturar sobre o mundo social vinculada ao modo de operar do pensamento social. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Atualização: coloco abaixo o texto de Diogo Valença que trata das impressões dele do evento. O texto está nos comentários, mas julguei que ele ilustra bem e dá uma perspectiva a mais (mais completa) ao que disse e "de coup" que era de interesse da maioria.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Jessé Souza e a arrogância da "grande teoria" (por Diogo Valença)&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Gostaria de tecer um rápido comentário às impressões do meu amigo Jampa sobre o Pré-ALAS. Primeiro, queria fazer um reparo. O próximo ALAS não será no Rio de Janeiro, mas em Buenos Aires. Quanto à mesa sobre criminalidade, gostei da visão crítica de Jampa e tendo a concordar com o cuidado que ele teve na defesa da especificidade do ponto de vista sociológico. Ele não desconsidera ser legítima a preocupação prática na sociologia, mas tenta colocar as balizas norteadoras desse intento. Como envolver a sociologia em problemas práticos? Eu acho que isso pode ser feito, mas deve ser feito dentro da contribuição que à sociologia pode dar ao conhecimento sobre o mundo social, ou então a sociologia não servirá de nada. Foi assim que entendi o comentário crítico de Jampa. Porém, eu acho que há toda uma discussão na sociologia, que está meio esquecida, sobre a possibilidade de unir o raciocínio pragmático ao raciocínio científico, numa espécie de sociologia aplicada, para usar uma expressão tão cara a Florestan Fernandes. Seria a idéia de que o sociólogo pode atuar nos processos de intervenção social, a partir do prisma de sua especialidade científica, e ao mesmo tempo ser um agente político de transformação. Isso implica, de certo modo, união entre fato e valor no próprio terreno da ciência. Haveria várias perguntas aí, é claro, sobre qual a direção da mudança, a quem interessa essa intervenção social, que cabe à análise sociológica desvendar. Acho que só em processos de intervenção social, nos quais os sociólogos venham a participar, é que essas questões podem ser respondidas e não adianta nada conjecturar sobre isso. Mas acho importante o questionamento de Jampa e esses comentários que agora fiz desejo que sejam vistos apenas como um acréscimo das minhas posições às palavras do amigo.(Continua...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jessé Souza (comentário)Eu também estive presente na apresentação de Jessé Souza no GT Pensamento Social Latino-Americano. Como Jampa, reconheço que Jessé está fazendo um trabalho importante de investigador e simpatizo com as críticas radicais que ele tem feito a vários dos mitos do pensamento social brasileiro. No entanto, o que mais me chamou a atenção na postura dele foi um enorme desconhecimento de toda uma tradição de pensamento desenvolvida na América Latina, não só por cientistas sociais, mas também por pensadores políticos, como Mariátegui, que construíram uma visão original de nossas formações sociais. O que estava em jogo no GT "pensamento social latino-americano", a meu ver, era exatamente isso. Esses autores não são importantes para Jessé porque ele considera que a grande teoria, mais "complexa" (termo que ele utilizou), desenvolvida na Europa, pode dar conta de nossos fenômenos sociais, brasileiros e latino-americanos. Por isso ele não vai ler autores latino-americanos e sim pegar os autores verdadeiramente complexos. Ora, Jessé é um leitor atento de Bourdieu, como bem apontou Jampa, e sabemos que Bourdieu foi um sociólogo que refletia teoricamente a partir de seus objetos de investigação, realizando uma verdadeira construção conceitual na sociologia a partir de elementos concretos, numa simbiose marcante entre teoria e empiria. A meu ver, esse é o verdadeiro caminho na teorização das ciências sociais. Por isso Bourdieu tinha uma forte aversão à grande teoria à la Parsons, ou mesmo à teoria de médio alcance de um Merton. Acho que nesse ponto Jessé não aprendeu a lição do mestre, porque ele deixa de ter a visão da especificidade do concreto quando tenta retirar de Foucault, por exemplo, que ele citou, elementos para entender o poder nas instituições modernas e aplicar esses conceitos ao Brasil. Ele diz, com razão, que o Brasil é uma nação "moderna" e, por isso, a teorização construída na Europa também nos cabe. Nisso estou de acordo, porém se há problemas universais das nações modernas, há problemas específicos de cada uma das nações modernas quando lidamos com as diferenças de suas origens históricas. Isso já é muito sabido e não vou discutir algo que já foi tão debatido pelos cientistas sociais latino-americanos desde os anos 60. Acho que Jessé pensa estar fazendo algo totalmente novo e desconsiderando que a perspectiva de interpretação global que ele tenta levar adiante, criticando o culturalismo e tentando realizar a ponte entre cultura e estrutura, foi algo muito desenvolvido nas ciências sociais latino-americanas a partir de investigações muito concretas, como as de Pablo González Casanova, Anibal Quijano, Orlando Fals Borda, Florestan Fernandes e vários outros. O que ele fez foi algo típico da grande teoria, achar que pode explicar tudo e todos os casos concretos. Penso que na sua prática de pesquisador Jessé possa ter superado essa visão, que, a meu ver, é um índice de colonialismo mental. Basta estudarmos a teoria altamente complexa dos centros hegemônicos de produção cultural e, pronto, seremos capazes de lidar com qualquer problema empírico do Brasil, ou da África, ou da Ásia. Não acredito que esse seja o caminho, porque seria descontextualizar teorias importantes, mas que levam a marca de seu meio social e colocam questões que muitas vezes não podem ter muito sentido para nós. É uma forma de perpetuar relações de dominação que se dão no âmbito internacional dentro da reflexão sociológica. Não sei se Jampa notou, mas muitas vezes Jessé demonstrava estar fazendo algo totalmente novo, inventando a roda e desconsiderando toda uma produção importante feita anteriormente que, em muitos aspectos, foi mais longe do que ele conseguiu, com um "grau menor de complexidade", porque os cientistas sociais latino-americanos foram capazes de superar o complexo de inferioridade do cultivo da "grande teoria" na periferia. Foram cientistas sociais que não tinham as grandes ambições teóricas de Jessé, mas que realizaram estudos concretos da realidade concreta e, por conta disso, deram uma contribuição muito importante à teoria geral, por exemplo, do capitalismo, que tem sido reaproveitada na análise global do capitalismo. É marcante, por exemplo, como Florestan Fernandes apontou certas tendências do capitalismo mundial a partir das análises que ele fez do capitalismo dependente na periferia e, sem o tom arrogante da grande teoria, ele deu uma contribuição muito original a partir de suas pesquisas concretas. Esses comentários nada tendem a desmerecer o trabalho de Jessé, porém acho que há contradições entre seu talento de pesquisador e a sedução que ele sofre pela grande teoria, daí o tom arrogante de achar que ele está fazendo algo totalmente inédito. Sob esse prisma, eu acho que ele não conseguiu fazer uma crítica do pensamento social latino-americano, fez a crítica apenas de uma das vertentes desse pensamento, que ele chama de culturalista, e desconhece outros trabalhos que seriam dignos de nota. Penso que ele não deve ter cuidado para acabar no exercício escolástico de aplicar ao Brasil os o comentário de obras dos autores mais complexos que ele leu e que produziram em outros contextos sociais...&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-7503811081970632552?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/7503811081970632552/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=7503811081970632552&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/7503811081970632552'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/7503811081970632552'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2008/11/impresses-sobre-o-pr-alas.html' title='Impressões sobre o Pré-ALAS'/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-1216505416427400732</id><published>2008-11-01T23:16:00.006-03:00</published><updated>2008-11-01T23:54:48.930-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='UFPE'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sociologia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Universidade.'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='da França'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Olhar Antropologico'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Comparação'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cefichianismo'/><title type='text'>UFPE via Universités en France: estranhamento antropológico na experiência acadêmica de um jovem suburbano (I Parte)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Conheço pouco Luciano Oliveira. De encontro, lembro de uma única vez. Em sua sala marcamos para conversarmos acerca de Graciliano Ramos, personagem central de uma tese tratando da relação complexa entre sociologia e literatura no Brasil. Na ocasião eu percebi duas coisas dele. Por um lado, sua amabilidade para comigo. Ele me pareceu um sujeito extremamente educado, prestando atenção no que eu lhe falava mesmo deixando transparecer que considerava minhas preocupações um pouco tolas. (Elas devem ser de fato) Lembro que quando falei da polêmica que analisara em meu mestrado a respeito da verossimilhança de Paulo Honório, ele me disse em tom de brincadeira: “Paulo Honório escrevia do jeito que Graciliano imaginou e pronto”. Eu achei engraçado e amigável aquela maneira de relevar minhas preocupações. Não existia desrespeito, mas era como se ele me dissesse: “não tente tirar leite de pedra menino”. Como cabeça dura que sou, disse-me, meu propósito foi legítimo. Por outro lado, senti certo descontentamento da parte dele com o universo universitário. Algo no que ele me dizia soava aos meus ouvidos como: “não faço parte disso aqui”. As vezes me sinto assim também. &lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, essas impressões do homem me ficaram. E a elas se juntaram outras de textos dele que li. Delas (das impressões) retiro motivação para esta pequena reflexão blogueira que pretendo desenvolver em duas partes.Deles (dos textos de Luciano) retiro as nuances do que quero dizer, tomo dalí os elementos nos quais me apoiar. (Essa primeira parte aqui, leitor, é uma justificativa metodológica do texto.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num artigo sobre Graciliano Ramos, por exemplo, que infelizmente não posso citar porque não tenho as referências, mas onde, foi assim que o li, com um olhar de “amador” (porque amante da obra e admirador do homem que a escreveu), Lucinano procurava indentificar e decifrar aquilo que a crítica chamou a atenção como sendo a imbricação necessária do homem Graciliano ao escritor. Uma bela homenagem. É um texto que guardo comigo e que com certeza vou usar em minha tese compondo com e contrapondo contra seus argumentos. &lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto muito de um outro que me foi indicado por &lt;a href="http://www.donquijote.blogspot.com/"&gt;Alfredo Cesar&lt;/a&gt;. Acho-o fantástico. Um &lt;a href="http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;amp;pid=S0102-69091999000200005&amp;amp;lng=en&amp;amp;nrm=iso"&gt;pequeno estudo de caso&lt;/a&gt; sobre a opinião de alunos de Direito no Recife sobre a pena de açoite para pichadores. E confesso: o que me mais me encantou nesse texto foi a atitude metodológica de exposição que, mostrando passo a passo o seu desenvolvimento, delineia com verdadeira honestidade os critérios da construção do objeto. &lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nesses textos coerentemente com as minhas impressões do encontro percebo o mesmo contraste: algo que me aproxima do olhar e ao mesmo tempo me distancia na postura. Seria essa dupla impressão fruto de nossas experiências ao mesmo tempo similares e tão dispares?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se me pergunto com sinceridade o que me leva a querer escrever sobre essa minha ínfima relação com o professor Luciano Oliveira, eu diria que mais do que nosso pequeno encontro e os artigos a cima evocados, foi seu texto de blogue que me impulsionou a reagrupar essas impressões e recordações e querer tratá-las de um ponto de vista mais... mais auto-analítico, digamos assim.&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lendo seu &lt;a href="http://quecazzo.blogspot.com/2008/09/brasil-via-paris-descobertas-de-um.html"&gt;Brasil via Paris: descobertas de um estudante brasileiro no país dos bricoleurs&lt;/a&gt; senti uma vontade irresistível de entender meu sentimento paradoxal de empatia e estranhamento durante minha leitura deste artigo. Um sentimento daqueles que você tem quando, tendo partilhado uma experiência análoga, termina por perceber os pontos de semelhança e diferença e se perguntar encasquetado: “não sendo a mesma pessoa daquela vivência vivi situações e sensações semelhantes, mas por que algo daquela experiência recontada, portanto tão parecida, escapa a minha compreensão?”&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensei, pensei, pensei. Por que não esboçar um paralelo? Algo do tipo contrastar alguns elementos do que julguei essencial no texto do Professor Luciano Oliveira, que é esse revelar a importância da viagem para construção de um olhar antropológico, de estranhamento a respeito do mundo que antes nos parecia familiar, comparando com minha própria experiência de estadia na França. Melhor. Que tal falar de um aspecto deixado de lado no relato/análise dele e que talvez mais do que todos os outros represente o calo recalcado de quem sai e volta de uma experiência acadêmica num país tido como desenvolvido: o estranhamento com o próprio meio universitário e acadêmico. &lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Traçar uma “comparação” com esse viés específico tem duas vantagens:&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;1) eliminar em parte o problema segundo o qual seria inapropriado tornar inteligível esse contraste entre a minha experiência e a dele na França porque se tratam de vivências que não se deram em mesmo tempo histórico e que foram vividas entre pessoas muito diferentes. Nesse sentido, contra esse argumento, eu diria que é justamente porque não se trata de uma comparação termo a termo, mas sim de uma avaliação a respeito da ausência ou quase ausência no olhar antropológico de Luciano Oliveira sobre o estranhamento com o mundo acadêmico mesmo (o nosso universo de produção cultural por excelência, a UFPE), que nos traria de quebra, em &lt;em&gt;nosso &lt;/em&gt;favor, elementos para avaliar uma condição que é a &lt;em&gt;nossa&lt;/em&gt;( a de intelectuais de um país periférico, num estado periférico). Claro, não se pode deixar de ter em mente o seguinte: em 1986, ano do início do doutorado de Luciano Oliveira na França, eu ainda estava me confrontando com meus dilemas de adolescente suburbano. Morando em um bairro de subúrbio violentíssimo (Ur-6 Ibura), entrando numa escola de classe média (Marista Recife), e, no período em que ele se tornava doutor, não sei nem se sabia onde era a França no mapa do mundo). Contudo, a Education Nationale continuou basicamente a mesma e as políticas de educação na França pouco se alteraram com as alternâncias de governo, como Luciano bem situou, educação na França é responsabilidade de Estado, fazendo com que a escolha de tratar do nosso estranhamento em função da experiência universitária seja uma fonte riquíssima de reflexividade. E isso porque se perguntar realmente sobre as condições de possibilidade da sociologia no Brasil, em Pernambuco e em Recife passa necessáriamente por uma preocupação sobre o tipo de sociologia que é produzida num país onde a educação não é (ao menos em sentido francês, do republicanismo francês, uma questão de Estado)&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;2) assim, mesmo sendo difícil comparar a França de 2000 (ano em que fui para lá) a de 1986(ano em que o Luciano Oliveira foi) – e sempre tendo em mente que no horizonte de comparação temos como mediadores do estranhamento antropológico um jovem estudante de graduação oriundo de classe popular marcado por uma trajetória de fracasso escolar recente e um mestre oriundo da classe média –, a escolha pelo contraste no &lt;em&gt;próprio universo acadêmico&lt;/em&gt; pode ser extremamente interessante justamente por servir de reflexão a respeito não mais de generalidades da cultura brasileira, mas de elementos práticos de compatibilidade e incompatibilidade entre ethos acadêmicos do centro e da periferia do mundo de produção intelectual.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;to be continue...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;( A ser editado com o decorrer da análise). &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-1216505416427400732?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/1216505416427400732/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=1216505416427400732&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/1216505416427400732'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/1216505416427400732'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2008/11/ufpe-via-universits-en-france.html' title='UFPE via Universités en France: estranhamento antropológico na experiência acadêmica de um jovem suburbano (I Parte)'/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-8048725158548023487</id><published>2008-10-31T00:29:00.003-03:00</published><updated>2008-10-31T00:46:18.898-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bj'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Urbanização'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Classe média'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Recife'/><title type='text'>BJ para prefeito</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Esse texto que vou postar é do meu amigo Bernardo Jurema e foi postado originalmento no seu &lt;a href="http://bocejando.blogspot.com/2008/10/viva-o-progresso.html"&gt;Bocejo&lt;/a&gt;. É de longe, o melhor texto que já li dele. Claro, indignado, propositivo, crítico, auto-reflexivo. Como bem sugerido por Cesar, é  um verdadeiro post-manifesto. Traduz coisas que tantas vezes discutimos mas que, como ele bem coloca, fica sempre em estado amorfo, isolado em nossas individualidades bem pensantes. Não pedi autorização ao autor. Tou publicando sem a foto. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Ai vai... &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quinta-feira, 30 de Outubro de 2008&lt;br /&gt;&lt;a name="1204102256366192703"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bocejando.blogspot.com/2008/10/viva-o-progresso.html"&gt;Viva o progresso!&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_umxwlLKis-Q/SQpSp0t5N8I/AAAAAAAACBY/3AOunCBYMGc/s1600-h/2castelinho_bviagem_anos70.jpg"&gt;&lt;/a&gt;Um lugar aprazível, aberto, com plantas, pessoas interagindo do lado de fora...e até dá pra ver o céu! Nem parece Recife.Agora, logo após as votações do primeiro turno, ficamos sabendo que os armazéns lá no São José foram vendidos para a Moura Dubeux. Por ali, passa a segunda malha férrea mais antiga do Brasil. Mais um patrimônio arquitetônico da cidade vai ser demolido, aniquilado, apagado do mapa sem deixar rastro, e não tem um único grito, manifestação, protesto, choro, o que quer que seja, em defesa da memórial material da nossa comunidade. Viva o progresso? Morra a cidade.&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt; &lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Comunidade? Eis aí um conceito que se desconhece em Recife. Prevalece a lei do cada um por si. Essa é a grande questão da cidade, sobre a qual ninguém falou. Os principais problemas da cidade se devem à subordinação do público ao privado. A iniciativa privada é que dita o ritmo, a intensidade e a direção do crescimento de Recife. O poder público corre atrás desesperadamente, fazendo arremedos de intervenções e equipamentos urbanos. Que sempre ficam prontos quando é tarde demais. O bem coletivo não é levado em conta, em detrimento de interesses particulares. São uns poucos - donos de casarões antigos, especuladores imobiliários, construtoras... O resto, todo mundo, paga o preço muito caro do lucro deles. E então onde antes numa rua qualquer havia 5 casas, de repente elas somem e em seus lugares emergem 5 mondrongos de 27 andares, 4 apartamentos por andar, 2 ou 3 vagas de estacionamento. Faça aí a matemática. A infra-estrutura viária, a tubulação do esgoto, outros equipamentos urbanos como parques etc, permanecem os mesmos de antes!&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt; &lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aí fica agora todo mundo falando de crise em Wall Street. E a crise das grandes cidades brasileiras? E a crise de Recife? Recife está seguindo um rumo que é inviável. Este estado de coisas não é fruto do acaso, não é um acidente da natureza. Quer entender o que está acontecendo em Wall Street? Olhe em sua volta: Recife materializou o que ocorreu lá virtualmente. Esse estado de coisas é resultado de escolhas que foram feitas, e que continuam sendo feitas, e de uma certa ideologia hegemônica que permeia a nossa sociedade e que o legitima. A mesma lógica que levou à crise financeira mundial está por trás do caos urbano em que está se transformando o Recife. É a ausência radical de regras, é o capitalismo selvagem, predador. Pode-se destruir e construir em Recife à vontade. É o Estado-mínimo em prática. Na verdade, está mais para Estado seletivo. Quem é vítima da violência policial sabe bem que o Estado, muitas vezes, de mínimo não tem nada: ele pode ser monstruosamente grande. É a privatização dos lucros, a partir do espaço público, e a socialização dos prejuízos, porque somos todos os contribuintes que pagamos pelas conseqüências da verticalização sem limites. Regras! Eu quero regras!&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt; &lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt; &lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aliás, regras... Isso é algo que vai além da capacidade cognitiva do cidadão recifense. Estamos a matarmos uns aos outros. As regras, quando existem, são solenemente desrespeitadas. Fica evidente por onde se passa na cidade. Aliás, transportar-se em Recife poderia ser considerado um esporte radical. Emoção pura. Dirigir por aqui , como disse um amigo, é como entrar num trem fantasma: surpresas e obstáculos surgem de todos os lados... isso na melhor das hipóteses, quando o trânsito de fato flui! Sem falar do assalto que as classes médias fazem às águas públicas, enquanto 2/3 da população da cidade padece de falta d'água crônica! A lista é infindável. Assalto a mão armada na frente de prédio é NADA comparado com todas as outras violências implícitas e explícitas que sofre a maioria dos recifenses em favor de uma minoria mesquinha.&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt; &lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Todos os nossos problemas temos resolvidos, nós "classes média e alta" (vista a carapuça quem quiser), os problemas coletivos de forma individual e privada. O prédio foi uma solução para a moradia. O carro, para o transporte. A cidade do Recife é (mal) feita pro morador de prédio usuário do carro. Priu. O resto são inconvenientes que enfeiam o Canal de Setúbal no Natal ou que envergonham os visitantes na Centro ou que roubam minha carteira na Agamenon. E tome grade e muro e câmeras de vigilâncias e guaritas e vidro fumê. Outro dia fui com uns amigos, andando, até o Plaza Shopping. Surgiu o questionamento - por que não resolvem a fedentina do canal que passa ali ao lado. Eu apontei pra passarela que liga o edifício garagem ao prédio do shopping e falei: olha ali, resolveram sim.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt; &lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;O modelo urbano recifense é intrinsecamente excludente. O recifense (das classes médias e altas) não anda a pé. Andar a pé em Recife é uma experiência sui-generis. Porque ou você vai se achar numa cidade fantasma ou então no Marrocos. Toda semana vou almoçar na casa de um tio que mora no Parnamirim. São 15 minutos a pé da minha casa até a dele. Uns 7 de bicicleta. Riem da minha cara: tá liso diga! Para eles, é incompreensível que alguém, por escolha, não use o carro. As classes abastada da cidade têm vergonha da cidade em que vivem. Nunca andam na rua da Imperatirz, jamais pisarão num mercado público. O negócio é Shopping Recife. O negócio, mesmo, seria Miami, ou pelo menos São Paulo. Mas o Shopping Recife já está de bom tamanho. E tome prédio. E tome carro. Vivemos numa sociedade desintegrada, e cada vez mais indo nessa direção.&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt; &lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se tudo isso fosse só uma questão estética (prédio alto é feio, carro é feio), eu nem diria nada. Poderia-se dizer que se trata apenas de questão de gosto... Para a maioria das pessoas, não importa que a cidade fique toda igualzinha a Boa Viagem. As particularidades de cada bairro, reflexo de histórias específicas, pode ser considerada frescura babaca burguesa sentimentalóide nostálgica... Pode, pode, não nego isso não. Mas reflete um descaso total com o futuro. Agora mesmo, o mar está avançando sobre os prédios de Piedade e Candeias e sobre o calçadão de Boa Viagem. Se lá atrás, nos anos 70, houvesse uma preocupação com uma ocupação mais racional da orla os problemas mais graves que estão ocorrendo e que vai piorar poderiam ter sido evitados.&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt; &lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tem gente preocupada em Recife com essas questões? Tem. Muita gente boa. Muita gente jovem. Mas essas pessoas estão por aí, soltas, desarticuladas. Não há uma voz política. Estamos perdendo a batalha ideológica em prol de um Recife mais humano onde o bem coletivo passe a sobrepor-se aos interesses particulares. Quem sabe em 2012 poderemos votar em algum candidato a vereador preocupado com essas coisas?Ou então vamos oficializar logo essa parada: Moura Dubeux para prefeito do Recife!- - - - - - - - -&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Já abordei esse assunto antes:- &lt;a href="http://bocejando.blogspot.com/2007/02/recife-ruir-ontem-noite-tive-uma-idia.html"&gt;Recife ruirá&lt;/a&gt;- &lt;a href="http://bocejando.blogspot.com/2007/02/privatizaram-o-horizonte-na-cidade-as.html"&gt;Privatizaram o horizonte!&lt;/a&gt;- &lt;a href="http://bocejando.blogspot.com/2007/03/utopia-recifense-mesmo-porm-essa-fase.html"&gt;Utopia recifense&lt;/a&gt;- &lt;a href="http://bocejando.blogspot.com/2006/03/terra-prometida-da-casta-mdia.html"&gt;A Terra Prometida da casta-média brasileira&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-8048725158548023487?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/8048725158548023487/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=8048725158548023487&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/8048725158548023487'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/8048725158548023487'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2008/10/bj-para-prefeito.html' title='BJ para prefeito'/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-644229189721078314</id><published>2008-10-28T08:02:00.003-03:00</published><updated>2008-10-28T08:13:12.663-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Meu nome é Lisa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Filme'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><title type='text'>Meu Nome é Lisa</title><content type='html'>&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/eIGPvVmwc8o&amp;amp;color1=" width="425" height="344" type="application/x-shockwave-flash" color2="0xcfcfcf&amp;amp;hl=" fs="1" allowfullscreen="true"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pedrodoria.com.br/"&gt;Via  Pedro Doria&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostei muito desse pequeno vídeo. Tem humor, trata de um tema difícil, é sensível. Espero que gostem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-644229189721078314?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/644229189721078314/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=644229189721078314&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/644229189721078314'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/644229189721078314'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2008/10/meu-nome-lisa.html' title='Meu Nome é Lisa'/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-4867703664047973511</id><published>2008-10-26T17:23:00.004-03:00</published><updated>2008-10-26T23:02:25.625-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Santo André'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Eloá'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crítica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Feminismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dominação Masculina'/><title type='text'>Dialogo com o feminismo: ainda sobre o caso Santo André</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Eu gostaria de tentar expor de maneira mais clara minha opinião a respeito do caso Santo André situando-me em relação à visão feminista do caso, coisa que tentei fazer já no &lt;a href="http://ooxymore.blogspot.com/2008/10/tragdia-de-santo-andr-culpa-dos-deuses.html#links"&gt;outro texto&lt;/a&gt;, mas de maneira incipiente.&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu começaria dizendo que acho legítimo o esforço de fugir do &lt;em&gt;efeito de ratificação&lt;/em&gt; do real que seria negar a presença das mediações dos esquemas de dominação masculina no caso de Lindemberg. Negar isso, seria ignorar um problema de ordem maior na estruturação das relações sociais que pesa, em todos os niveis da hieraquia social, sob a posição de subordinação das mulheres em relação aos homens. Não se trata de negar isso.&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Porém, acredito ser preciso ponderar sobre o peso da análise desse tipo de fenômeno pelas feministas no caso da morte de Eloá(três opiniões &lt;a href="http://www.soscorpo.org.br/Site/php/index.php?CodPagina=256"&gt;aqui&lt;/a&gt;). Não raro, para fugir do efeito paradoxal que o descrever os efeitos negativos da dominação masculina e ou da exploração de mulheres por homens gera, somos impelidos a usar os recursos analíticos da análise feminista admitindo que é preciso “deixar de lado a análise da submissão, por medo de que, ao admitir a participação da mulher na relação de dominação, não se leve a tranferir dos homens para as mulheres a carga de responsabilidade”(J.Benjamin, 1988. p9*). &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sei. É difícil saber a real medida das coisas. Principalmente em situações onde se correr o bicho pega e se ficar o bicho come. Tratar a dominação masculina em termos de submissão pode significar estar dando mais armas à opressão. Não julgo a dificuldade. O paradoxo existe e consiste no risco mesmo de acentuar os elementos negativos das diferenças culturais na natureza dos dominados e explorados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso dos textos feministas aqui comentados, “a culpabilização das vítimas” e a “vitimização dos culpados” aparecem como elementos centrais do tratamento equivocado dado ao crime visto que “[c]rime passional não existe! [O] crime é a misoginia do sequestrador, dos policiais, do governador e da mídia! As mulheres morrem porque os homens odeiam quando elas são mulheres, elas mesmas, em vez de SUAS namoradas, SUAS esposas, SUAS mães.”( Ana Reis, &lt;a href="http://www.soscorpo.org.br/Site/php/index.php?CodPagina=256"&gt;A "crise amorosa" do Coronel Felix&lt;/a&gt;); ou ainda que “eles não são apenas crimes passionais, eles podem [ser] situados numa teia complexa de construção de valores sociais que forjam um feminino fraco, vulnerável, incapaz e sem condições de decidir a própria vida, em contraposição a um modelo de masculinidade rígido e legitimado socialmente a partir da força, da dominação e do controle. São de certa maneira estes alguns dos elementos que mantém os mecanismos psíquicos do poder na constituição do sujeito e a na construção da sujeição” (Sandra Raquew, &lt;a href="http://www.soscorpo.org.br/Site/php/index.php?CodPagina=256"&gt;Eloá. O que as mídias e os especialistas não discutem&lt;/a&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem negar que esses menanismos sociais balizados pela diferença de sexo estão em funcionamento no momento da crise, no seu desenvolvimento e final, acho que não podemos/devemos perder de vista uma coisa: do ponto de vista da sociologia, o por em evidência a influencia da dominação masculina sobre as culturas do masculino (habitus masculinos na terminologia bourdieusiana), não é, em nenhuma instância, tentar desculpar os homens. Como disse Bourdieu é mais, naquilo que uma perspectiva analítica pode ter de &lt;em&gt;&lt;strong&gt;engajada&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; “mostrar que o esforço no sentido de libertar as mulheres da dominação, isto é, das estruturas objetivas e incorporadas que se lhes impõem, não pode se dar sem um esforço paralelo no sentido de liberar os homens dessas mesmas estruturas que fazem com que eles contribuam para impô-la.”(Pierre Bourdieu, A Dominação Masculina, 2007.p 136).**&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao ler os textos feministas com esse conteúdo tenho a impressão de entender melhor porque o militantismo às vezes torna delicada uma abordagem não apenas articulada com o particularismo político dela proviniente. O melhor dos movimentos políticos, nesse sentido, está fadado a fazer má ciência, isso, caso não consiga transformar suas disposições subversivas em instrumentos realmente reflexivos, em ferramentas de uma auto-crítica. Mais uma vez tento esclarecer que o objeto de minha reflexão é essa confusão: todo esforço de descrever a verdade da relação entre os sexos torna-se, numa visão particularista, sempre uma maneira de ser condescendente com as mulheres agora que pode se tratar, justamente, de uma decrição de como as mulheres terminam sendo objetos de codescendência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse sentido, e em outros ainda, continuo achando que outras lógicas sociais foram mais importantes para o resultado do caso. Lindemberg deve ser julgado pelos crimes que cometeu. Mas não apenas por representar o machismo de nossa sociedade, que do ponto de vista da análise de sua presença no mundo social, enquanto estrutura objetiva que ordena também elementos da subjetividade de homens e mulheres, torna a leitura desse código(o machismo) &lt;em&gt;problemática&lt;/em&gt; já que homens e mulheres podem estar reproduzindo esse esquema de dominação masculina inscrito nos códigos socio-culturais mesmo com toda boa vontade(inclusive dentro de uma visão feminista). Como condenar estruturas cognitivas presente e difusas no mundo social por crimes por elas ocasionados? O crime será julgado pelo fato de ser crime. Deveria a polícia ter atirado no rapaz em nome dos direitos das mulheres e contra o androcentrismo? Acho sinceramente que os critérios de uma decisão como essa deveriam ser outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuo pensando que a mídia (razões de lógica de mercado, audiência, etc.) e a polícia (por incompetência) são as duas principais responsáveis pelo final trágico da história. E isso porque foram as instituições que mediaram os elementos dessa realidade social dada (mediando inclusive às lógicas machistas operando na visão de amor de Lindemberg).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obs. Também fico indignado com a corbetura novelistica do assunto. &lt;a href="http://jc.uol.com.br/jornal/2008/10/26/not_305110.php"&gt;O Jornal do Commercio&lt;/a&gt; (para assinantes) e o Diario de Pernambuco deste domingo (26/10/2008) trazem matérias com essa melosa e melodramatica visão de amor romântico, os que os pais devem fazer etc...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ps: achei interessante esse exemplo ainda da visão feminista , ver &lt;a href="http://jc.uol.com.br/blogs/blogjamildo/canais/noticias/2008/10/25/ong_paraibana_protesta_contra_cobertura_da_midia_no_caso_eloa_35285.php"&gt;nesta carta&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* J. Benjamin, &lt;em&gt;The Bonds of Love, Psychoanalysis, Feminisme and the Problem of Domination&lt;/em&gt;, New York, Pantheon Books.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**  Pierre Bourdieu, &lt;em&gt;A Dominação Masculina&lt;/em&gt;, Rio de Janeiro, Bertrand Brasil. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-4867703664047973511?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/4867703664047973511/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=4867703664047973511&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/4867703664047973511'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/4867703664047973511'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2008/10/dialogo-com-o-feminismo-ainda-sobre-o.html' title='Dialogo com o feminismo: ainda sobre o caso Santo André'/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-5924357148208075337</id><published>2008-10-22T00:07:00.003-03:00</published><updated>2008-10-22T00:16:17.757-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Capitalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Marx'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crise economica.'/><title type='text'>Crise tira defunto da cova</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;No &lt;a href="http://ohermenauta.wordpress.com/"&gt;Hermeneuta&lt;/a&gt; (no post Mundo de loucos) encontramos a seguinte informação:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Crise aumenta procura por obras de Karl Marx na Alemanha&lt;/em&gt; &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Editora vendeu em um mês nº de cópias de ‘O Capital’ que vendia em um ano.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;- A atual crise financeira global parece estar aumentando a busca por obras de um dos maios conhecidos e ferozes críticos do capitalismo: o pai do comunismo, Karl Marx.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;A editora alemã Karl Dietz, dedicada a livros de pensamento de esquerda disse já ter vendido, neste ano, 1,5 mil cópias da obra mais famosa de Marx, O Capital, escrita em 1867.&lt;br /&gt;Só no mês passado, foram vendidas 200 cópias, o mesmo número que, no passado, costumava ser vendido em um ano. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A Dietz não é a única editora a publicar obras de Marx, mas, segundo a imprensa alemã, lojas ao redor da Alemanha têm visto um aumento de 300% na venda do livro nos últimos meses.&lt;br /&gt;O correspondente da BBC David Bamford afirma que muitos vêem a atual crise como um fracasso do capitalismo e que a obra de Marx poderia ajudar a entender o que deu errado. Segundo Bamford, o número de visitantes a Trier, na Alemanha, cidade natal de Marx, subiu neste ano para 40 mil. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O curador do museu da cidade afirma que já perdeu as contas de quantos visitantes ele ouviu dizer que Marx estava, afinal, certo em suas críticas ao capitalismo.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Credo cruz, será que esse povo germânico estaria pensando nessas palavras e se dizendo "eu já li isso em algum lugar"? &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;“Em um sistema de produção onde toda a continuidade do processo de reprodução depende do crédito, quando este acaba subitamente e somente transações com dinheiro passam a ser aceitas, é inevitável que ocorra uma crise, uma tremenda demanda por meios de pagamento. É por isso que, à primeira vista, a crise inteira parece ser somente uma crise de crédito e de moeda. E de fato trata-se apenas da conversibilidade de letras de câmbio em dinheiro. No entanto, a maioria destes papéis representam compras e vendas reais, cuja extensão – para muito além das necessidades da sociedade – é, afinal, a base de toda a crise. Ao mesmo tempo, há uma quantidade enorme destas letras de câmbio que representam mera especulação, que agora revela sua face e colapsa; especulação fracassada com o capital de outras pessoas, com o capital-mercadoria depreciado ou invendável, ou com ganhos que nunca mais poderão ser realizados. Todo esse sistema artificial de expansão forçada do processo de reprodução evidentemente não pode ser resolvido com um banco, por exemplo, o Banco da Inglaterra, entregando a todos esses especuladores o capital que lhes falta através de seus títulos, comprando mercadorias depreciadas a seus antigos valores nominais. Aliás, é nesse momento que tudo começa a parecer distorcido, já que nesse mundo de papel, o preço real e seus fatores reais desaparecem, deixando visível somente metais, moedas, cédulas, letras de câmbio e títulos.” (Karl Marx, O Capital, vol. 3, cap. XXX.) &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-5924357148208075337?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/5924357148208075337/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=5924357148208075337&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/5924357148208075337'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/5924357148208075337'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2008/10/crise-tira-defunto-da-cova.html' title='Crise tira defunto da cova'/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-3549410844377385812</id><published>2008-10-21T11:56:00.005-03:00</published><updated>2008-10-25T23:06:29.742-03:00</updated><title type='text'>Tragédia de Santo André: a culpa é dos Deuses gregos?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Uma das coisas que sempre admirei nas tragédias de Shakespeare é o fato da predestinação de seus personagens se transformar em elemento constitutivo da própria narrativa. Assim, nós leitores, que muitas vezes já sabemos o final da estória, temos sempre aquela impressão que algo vai mudar, e, junto com o impulso narrativo, esperamos que a luta contra o inelutável dos Romeus e Julietas (que configura a trama das tragédias) será retribuído com a vitória do amor em vida. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ledo engano, Shakespeare, em bom leitor dos gregos sabia que a &lt;em&gt;dimensão propriamente trágica&lt;/em&gt; do gênero estava nessa ruptura, nesse fosso existente entre o mundo da vida e suas expectativas mais nobres. O amor em pleno &lt;em&gt;mundo hostil&lt;/em&gt; só pode se realizar plenamente ao eliminar sua possibilidade mesma. É preciso destruir os agentes da mediação chamada amor, é preciso matar os amantes. Destino por definição inelutável, obra silenciosa de acasos pré-ocasionados por maldições, por deuses furiosos, por forças conhecidamente desconhecidas às quais homens e mulheres se conformam com ou sem relutância, a tragédia não produziria efeito de força dramática sem o desfecho esperado (apesar de não desejado, nem pelos leitores nem pelos personagens). &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Graças a mídia (sobretudo a cobertura da Globo e da TV Record) O caso de Santo André trouxe elementos trágicos da ficção para mundo real. Contudo é preciso reforçar algo: a ficção por mais realista que seja não é nunca mais do que a produção de um &lt;em&gt;efeito do real&lt;/em&gt;. Ou seja, ela é a produção de um &lt;em&gt;efeito de conformidade ao real&lt;/em&gt; fundado na sobreposição formal das normas sociais que aderimos num dado momento como sendo reais. A mídia “jornalística” (sobretudo a televisiva) criminosamente jogou com esses efeitos da relação entre mundo real e fictício. Mas, a meu ver criminosamente, o fez em sentido inverso. O &lt;em&gt;efeito de ficção, que é bem real em seus efeitos&lt;/em&gt; foi nesse caso como em outros bastante desastroso. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cineasta Bruno Barreto vendo a centralidade da mídia para entender o seqüestro disse o seguinte sobre o caso: &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Li tudo a respeito desse seqüestro em Santo André nos jornais. A presença que a mídia tem é muito grande na vida das pessoas, vejo a intersecção das duas histórias por aí [entre a história de Eloá e a que ele reconta em seu novo filme, o &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u458272.shtml"&gt;Última Parada 174&lt;/a&gt;.] A necessidade que Lindemberg [Fernandes Alves] tinha de ser visível também aconteceu com o ônibus, das pessoas verem sua dor. Esse é um dos subtextos presentes no filme." &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subtexto ao mesmo tempo do filme e do mundo a mídia agiu de maneira irresponsável no local da crise. Para mim ela foi enquanto &lt;em&gt;visão de mídia&lt;/em&gt; não apenas um subtexto, mas um &lt;em&gt;&lt;strong&gt;pré-texto&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; do crime, agindo como principal responsável junto à polícia da tragédia real. Foi a mídia televisa quem deu o tom e contorno de coisa já vista. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sua relação corrosiva com o real (porque sensacionalista) trouxeram como marca das transmissões &lt;em&gt;ao vivo&lt;/em&gt; do caso a arrogância dos que crêem “formar opiniões” ou acreditam “criar ou recriar o real”. A mídia televisiva (sobretudo as coberturas da Globo e Record) eliminando os registros da linguagem informativa insistiram na narrativização da situação tornando a realidade um "mero" &lt;em&gt;&lt;strong&gt;efeito de ficção&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;. A responsabilidade da mídia sensacionalista precisa ser discutida e apurada. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na &lt;em&gt;ficção do real&lt;/em&gt; a potência de evocação de um estilo produz, pelos princípios de apreensão do real dados pela linguagem para linguagem, o efeito de decifração do mundo, e, &lt;em&gt;&lt;strong&gt;em sentido inverso ao efeito de ficção trazido pela espetacularização da vida real&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;, dá acesso inteligível aos desígnios das trajetórias de vida por ele sendo narradas e ou descritas. No &lt;em&gt;&lt;strong&gt;efeito de ficção&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; a vida mundana ganha contornos &lt;em&gt;&lt;strong&gt;extra-ordinários&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; &lt;em&gt;e&lt;/em&gt; a simples presença da mídia televisiva superdimensiona os fatos. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;strong&gt;Narrativa da Narrativa &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Assim...&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso dessa tragédia real não shakespeariana, Eloá não amava mais Lindemberg. Inconformado, o rapaz partiu para o tudo ou nada do sentimento de posse. Como um Paulo Honório urbano Lidemberg não admitia dividir Eloá com ninguém. Covarde, preferiu coloca-la em cativeiro e depois mata-la a ceder os desígnios do acaso amoroso. Pressionado por todos (mídia, policia, entre outros),o amor doentio do jovem se desfez em dor sem volta e sem reparo. Para ele, para ela. De quem é a culpa? Claro, do rapaz. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas indo além da obviedade de que Lidemberg deve responder pelos crimes por ele cometidos, existe algo mais a se pensar para compreensão do ocorrido em termos do interesse público do caso: em que medida não foi o próprio criminoso &lt;em&gt;também&lt;/em&gt; vítima de uma orquestração de forças (sociais, psíquicas, dos deuses gregos da mídia, da polícia) que o levaram a por fim de maneira tão covarde ao amor de sua vida? A essa pergunta nós deveríamos debater para procurar respostas a respeito da irreversibilidade e redundância de nossos destinos de brasileiros miseráveis (miserável aqui em sentido social da palavra).Digo de antemão não crer existir nessa proposição uma intenção de vitimizar o criminoso. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pessoalmente acredito que os responsáveis institucionais dessa tragédia particular são no mínimo dois: a polícia incompetente que não soube lidar com a pressão da mídia cedendo à espetacularização do crime e a mídia irresponsável que na ânsia de audiência não soube manter-se em sua função. (ver comentários a esse respeito &lt;a href="http://www.projetobr.com.br/web/blog/5"&gt;aqui&lt;/a&gt; –cf comentários). E mais, isso porque borrar as fronteiras entre ficção e realidade sem mostrar quem está mediando a estrangulação desses limites deveria ser considerado crime... &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que outras lógicas operaram no caso. Para o &lt;a href="http://colchaderetalhos-kali.blogspot.com/"&gt;Colcha de Retalhos&lt;/a&gt;, por exemplo, a &lt;a href="http://colchaderetalhos-kali.blogspot.com/2008/10/quem-quer-e-no-possui-mata-porque-ama.html#links"&gt;questão de gênero&lt;/a&gt; mediou o sentimento de posse do rapaz o que explicaria em certa medida o final trágico. Tudo bem, eu acredito que o fato de ser homem deve ter em alguma instância impactado no tipo de desespero de Lindemberg. Mas volto à inversão da lógica do real pela do ficcional: se considero a origem simples de Lidemberg, origem real de um jovem pobre saindo da adolescência, fica difícil não acreditar que a mídia não tenha sido o trunfo final do destino trágico dessa história, na sua operação de produzir a &lt;em&gt;&lt;strong&gt;ficção do real&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;. O que ela continua fazendo sem dó no decorrer de sua cobertura. Acuado, superdimencionando suas próprias atitudes em cadeia nacional, Lidemberg fez o que fez. Culpado, sim. Deve pagar pelos crimes que cometeu, sim. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a culpa, dizia Camus, tem algo de supra-jurídico. A ignorância a atenua em direito, mas não em consciência, como no caso de Édipo Rei. Eu diria mais, a culpa tem algo de &lt;em&gt;&lt;strong&gt;extra-social&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; (ela é mais social ainda) no que ela tem de social &lt;em&gt;nos&lt;/em&gt; indivíduos. Existindo em Lidemberg, não se encerra nele. E é sobre essa culpabilidade extensiva ao mundo social que o debate público deveria se ater mais fortemente. Pois a mídia e a polícia nos devem explicações, assim como os malvados deuses gregos... Afinal, mídia e polícia foram, a meu ver, os representantes modernos da &lt;em&gt;&lt;strong&gt;hostilidade do mundo&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; que, como numa peça de Shakespeare, apareciam como mediadores da esperança de um final diferente, mas foram, finalmente e verdadeiramente, os fatores da &lt;em&gt;&lt;strong&gt;obstinação do destino&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;. Destino de Eloá. Destino de Lidemberg. E nosso destino também. Porque o problema para nós cidadãos continua o mesmo: nossa impotência diante de certos Deuses... &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-3549410844377385812?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/3549410844377385812/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=3549410844377385812&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/3549410844377385812'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/3549410844377385812'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2008/10/tragdia-de-santo-andr-culpa-dos-deuses.html' title='Tragédia de Santo André: a culpa é dos Deuses gregos?'/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-286084591019652948</id><published>2008-09-13T11:40:00.004-03:00</published><updated>2008-09-13T11:49:00.474-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='preguiça'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sakozi'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='da França'/><title type='text'>O mundo gira : Papa visita Sarko</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto o mundo continua a girar em seu ritmo frenético ca estou eu, na França, sem pressa pra nada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Leio lentamente e desatento meus blogues preferidos, meus portais, meus e-mails. Penso na tese, na familia, na modernidade (à) brasileira ( mais à brasileira que modernidade), no meu pé torcido, no livro do Julio Ramos sobre uma tal “vontade de autonomia” presente em tantos escritores latino-americanos, nas eleições para prefeito...&lt;br /&gt;Lento. Penso nessas coisas sem refletir, elas aparecem sem conexão, apartadas pela preguiça perene.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ligo a TV. Sarkozi paira onipresente. Deus francês casado com musa italiana recebe Papa. Bentinho veio à França discutir o que ele chama de “laicidade tolerante” ou algo dessa natureza. Quanto sarcasmo. No meu modo relutante de ver programas de televisão pensei: Sarko merecia ser questionado pela pompa com a qual recebe o Papa, pois ele nem sequer recebeu pessoalmente o Dalaï Lama, lider politico do Tibete. Hum... lembro de lembrança televisual sem link que vira algum comentarista dizer à época que o presidente da Republica Francesa não fora porque politica não deve se confundir com religião... Lembrando ainda sem link, Sarko foi à China para abertura dos Jogos Olimpicos de Beijin Beijin Tchau Tchau porque não se deve confundir Esporte e Politica. Infelizmente teve que se deslocar de maneira antecipada porque imprevistos sempre acontecem na vida de quem esta frenteando a União Européia, e bombas russas nunca se sabe onde podem cair (a candida candidata a vice de Mcain deu declações intrigantes sobre isso em entrevista televisiva... Guerra contra Russia; huhum que legal! Que saudade da Guerra Fria!) Fiquei com tanta pena de Sarko que pergunto: por que sera que ninguém diz que não podemos confundir questões de guerra com politica? Afinal a autonomia das esferas tem que ser respeitada! E que fique claro, quando o papa diz que a religião é imprescindivel para o desenvolvimento moral dos seres humanos(que é algo individual, da esfera intima de casa pessoa humana), ele não esta pontificando a obvieidade de que sem religião (sem a catotilica inclusive) estariamos todos fadados a não discernir mais o bem do mal... Apesar de não conseguir inferir outra coisa da palavra “imprescindivel” que a sua implicação univesalisante com a “necessidade”, não creio que ele queira ensinar missa ao... ops... laicismo ao francês. Ele deve estar querendo apenas fazer religião e não politica, falar aos seus e não a todos... A logica do escuta quem quer, é politica?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desligo a TV.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deslento. Desalento. Eu faço prosa como quem chora. Saia do Oxymore se não tens motivo algum de pranto. O meu pé dolorido. Uma saudade corroida do Recife mantem o blogue à vista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não digo adeus, digo até logo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-286084591019652948?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/286084591019652948/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=286084591019652948&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/286084591019652948'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/286084591019652948'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2008/09/o-mundo-gira-papa-visita-sarko.html' title='O mundo gira : Papa visita Sarko'/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-3306756945423427312</id><published>2008-09-04T18:52:00.002-03:00</published><updated>2008-09-04T18:59:21.847-03:00</updated><title type='text'>Pequena Pausa</title><content type='html'>O Oxymore dará uma pequena pausa. O autor viaja à França e passa um mês pelo velho mundo. Dependendo da facilidade para acessar a internet, os posts surgirão naturalmente...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(E vamos que vamos,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Recife,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parace que João... e rapaz, não é que parece que vai dar João.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-3306756945423427312?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/3306756945423427312/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=3306756945423427312&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/3306756945423427312'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/3306756945423427312'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2008/09/pequena-pausa.html' title='Pequena Pausa'/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-6235169522881454844</id><published>2008-08-27T23:13:00.001-03:00</published><updated>2008-08-27T23:17:42.784-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Machismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='UFPE'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Misoginia'/><title type='text'>Misoginia de blogue: de pessoa e/ou instituição</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Adoro uma polêmica blogueira. Vamos a mais uma, e das boas.  Tentando fugir um pouco do meu último texto, que mencionou minha preocupação com o tipo de leitura que poderia ser feita do &lt;a href="http://ooxymore.blogspot.com/2004/10/por-uma-pedagogia-da-punheta-daniel.html"&gt;Pedagogia da punheta&lt;/a&gt;, eu concebo uma pequena reflexão sobre o machismo presente numa &lt;a href="http://acertodecontas.blog.br/esportes/musas-da-olimpada-a-minha-favorita/"&gt;enquete sobre as musas das Olimpíadas de Pequim&lt;/a&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;A polêmica se encontra principalmente nos comentários e vai ser justamente a partir deles que irei discorrer algo a respeito. Primeiro gostaria de me solidarizar com as opiniões da “ala feminista”. E aqui não falo de feminismo como o engraçadinho Ariston(comentários) que assim se referiu às mulheres que repudiaram &lt;em&gt;com razão&lt;/em&gt; o texto e as fotos escolhidas para ironizar o propósito de seus argumentos. Para mim, heterossexual do sexo masculino, também é triste perceber que a misoginia (que não é a meu ver o pior de nossos males machistas, acho que a homofobia é bem mais horrenda e aceita) possa passar tão facilmente como algo natural e comum e, para fins hipocritamente cômicos, se passar por mera “brincadeira de mau gosto”.  &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt; Porém, no seu ridículo, o tal do Ariston coloca algo interessante e que deve ser pensado: “As PESSOAS de um modo geral (intelectualizadas ou não) têm seus gostos.” Uma tautologia barata, sem dúvida, mas que tem uma lógica social a ser pensada no que se diz sobre o machismo e a misoginia. Afinal de contas, quem tem direito de ser machista numa sociedade machista?  O problema levantado por Cynthia Hamilin não é propriamente da misoginia pura e simples, mas da &lt;em&gt;&lt;strong&gt;posição institucional&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; da mesma, o que é bem pior. Vejamos o que ela questiona: “É lamentável que &lt;strong&gt;&lt;em&gt;um blog escrito por professores universitários&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; reproduza este tipo de misoginia. As mulheres se saíram bem nas olimpíadas, “mas isso não importa” (que frase infeliz!): o que importa é que elas são “gostosas”. Já pararam para pensar que talvez essas mulheres prefiram ser reconhecidas como atletas que são?” A questão colocada por Hamilin é bem mais a de saber &lt;em&gt;&lt;strong&gt;quem fala o que e o que está representado naquela fala&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;, do que uma mera crítica a idiotice de um machista qualquer. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;É claro que Pierre Lucena, cidadão sorridente e bem vestido, tem todo o direito de expressar suas opiniões sobre as qualidades que ele mais aprecia numa mulher (e não é preciso ir muito longe para entender que tipo de “visão de mulher” ele tem). Mas o problema é que Pierre Lucena fala &lt;em&gt;&lt;strong&gt;enquanto&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; professor da UFPE, que, se fosse instituição de respeito, pediria satisfação a respeito de opiniões expressadas publicamente tão desprovidas de valor\rigor\seriedade acadêmica, fato que coloca em jogo e em questão a própria instituição. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Volto à tautologia “as pessoas de um modo geral têm seus gostos” e ao importante adendo “intelectualizadas ou não”.  Eu concordo plenamente com o argumento de Cynthia Hamilin ao mesmo tempo que reflito sobre o significado que a ruptura que ele pressupõe revela: o machismo estrutural que se desvela de maneira violenta nas maneiras de apreciar (a palavra mais apropriada seria depreciar) as mulheres exposta na enquête revela ao mesmo tempo a fragilidade da assimilação dos valores da mulher como ser humano pleno (pautados no feminismo ou além dele) no tecido social e o pouco respaldo que o debate contra a misoginia alcançou na estrutura de poder das relações universitárias. Nesse sentido, quero crer, o caso não é de feminismo pura e simplesmente, mas algo mais sério, no mínimo de denúncia de falta de decorro profissional onde alguém, em certo sentido, usando do status atribuído por uma instituição (Professor da UFPE), diz coisas não sensatas (adoro eufemismos) a respeito de seu modo de  depreciar mulheres. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-6235169522881454844?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/6235169522881454844/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=6235169522881454844&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/6235169522881454844'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/6235169522881454844'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2008/08/misoginia-de-blogue-de-pessoa-eou.html' title='Misoginia de blogue: de pessoa e/ou instituição'/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-2080814204239265321</id><published>2008-08-20T22:44:00.005-03:00</published><updated>2008-08-21T07:06:40.982-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amálgama'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mudanças no blogue'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='estatística'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='oxymore'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='reflexões'/><title type='text'>Digressão sobre minhas atitudes blogueiras: em dois pontos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Momento 1: considerações sobre a ferramenta estatística&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Instalei sem muita reflexão um programa de monitoramento estatístico no meu blogue (o modelo que instalei vocês podem encontrar &lt;a href="http://www.web-stat.com/"&gt;aqui&lt;/a&gt;). Encontrei o site visitando um blogueiro amigo e quis fazer um teste, para ter uma idéia mais concreta de quantas pessoas visitavam meu modesto universo de interação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou usando o Free Trial de trinta dias e estou em dúvida se devo ou não renovar por algumas razões. Devo reconher, na verdade, que a principal delas é que lido mal com a situação de poder “visualizar” as localidades das pessoas que acessam meu blogue. Mais. Ter acesso ao “referer” que é o link que levou o internauta ao meu espaço, apesar de me parecer algo importante e construtivo, entre outra coisas, para uma avaliação dos tipos de leitores que você tem (numa construção positiva em oposição aos que você imaginava ter), traz-me algumas questões e hesitações a respeito da privacidade dos internautas. E, last but not least, o serviço é pago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeira atitude depois do desconforto, é avisar aos meus caros leitores que essa ferramenta monitora meu blogue já faz uma semana. Ela é um centro de gráficos e reagrupamento de dados estatísticos relativamente relevantes em relação ao site. Vê-se frqüência de acesso por dia, semana, mês, hora, e tudo isso em função de algumas variáveis simples, como recorrencia ou não do visitante, ou pelo tipo de acesso (se direto ou via google, por exemplo). Ela traz também informações como IP, a localidade de acesso, o tipo de Browser (se Firefox, Internet Explorer, etc.), o tipo de sistema (se XP, Vista, alternativo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Exemplo de Estranhamento&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não deixa de ser estranho, engraçado e ao mesmo tempo doido e interessante ver que pessoas entraram no seu blogue procurando no google a partir das seguintes palavras-chave: “cabeça da pica molhada com cuspe”, “Bundas muito grandes e paus enormes”, “priquito de ninfeta”. Quase nada contra sites pornográficos, mas eu me vi na situação de querer que essas pessoas tivessem se decepcionado com o que leram (e possívelmente não leram) nos meus textos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que é porque apesar de terem um teor inventado, são textos que poderiam ser bem lidos como crônicas tiradas de minha memória de garoto vivido em suburbio recifense. Não são contos eróticos. Falam de uma depravação real, de maneiras de encarar a sexualidade que conheci e convivi de perto. &lt;a href="http://ooxymore.blogspot.com/2004/10/por-uma-pedagogia-da-punheta-daniel.html"&gt;A pedagogia da punheta&lt;/a&gt;, texto que a busca pela “cabeça de pica molhada com cuspe” dava acesso no google, não buscava ser uma apologia da reificação do sexo (como suponho ser a da busca pura e simples por um conhecimento tecnico da masturbação, de uma visualização que excite os sentidos ou coisas dessa natureza), mas uma reelaboração, que não diria literária por conta de minhas limitações tecnicas em literatura, porém uma reelaboração sim, através da escrita, de uma modalidade de percepção da sexualidade vivida por muitos adolescentes nos suburbios recifensesÉ inclusive um texto que escrevi quando morava na França e tentava repensar minha experiência e minha relação de distância e proximidade com todo aquele ambiente da periferia. Texto sem acentos (por conta do teclado estrangeiro), sem cuidados maiores. Apesar disso, não creio que seja pornográfico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Momento 2: mudanças no blogue&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como vocês já devem ter notado o blogue tá de cara nova. Acho que mais bonitinho, mesmo que eu não tenha conseguido guardar como gostaria os comentários de cada post passado. Aceitei o convite de ser blogue parceiro do &lt;a href="http://www.amalgama.blog.br/"&gt;Amálgma&lt;/a&gt;, que é onde meu saudoso exilado Cesar, do lento mais boníssimo &lt;a href="http://donquijote.blogspot.com/"&gt;Don Quijote&lt;/a&gt;, escreve agora coisas sobre &lt;a href="http://www.amalgama.blog.br/?p=41#more-41"&gt;Cinema&lt;/a&gt;. Por isso está colocado em canto muito visível do meu layout o script do site pareceiro, do qual faço propaganda, segundo o acordo tácito feito entre mim e o &lt;a href="http://www.danielslopes.com/"&gt;Daniel&lt;/a&gt;, editor do referido site de blogagem coletiva e agora parceiro na blogueatividade. Normalmente meu “retorno” vão ser mais leitores para as torturantes linhas que escrevo com o cuidado de um elefante catando piolho num porco espinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando estiver com mais tempo vou organizar melhor os links e os blogues que visito. Mas já coloquei, como podem perceber, uma lista que atualiza em tempo real as postagem mais recentes dos blogues por mim visitados, o que facilita bastante a busca por coisas novas na blogosfera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou devendo um comentário sobre o anexo do &lt;em&gt;A Dominação Masculina&lt;/em&gt;, de Bourdieu, que prentendo fazer em breve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que por hoje é isso. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-2080814204239265321?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/2080814204239265321/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=2080814204239265321&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/2080814204239265321'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/2080814204239265321'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2008/08/digresso-sobre-minhas-atitudes.html' title='Digressão sobre minhas atitudes blogueiras: em dois pontos'/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-6444105402645277901</id><published>2008-08-15T16:36:00.001-03:00</published><updated>2008-08-15T16:40:40.210-03:00</updated><title type='text'>Claire Laribe</title><content type='html'>Nesse blogue não se viu declaração de amor. Faltava rima, ritmo ao poeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Jampa, é verdade. Que poeta? Qual musa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem dera Claire não fosse perfeita, quem dera fosse idealizada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A distância no globo só a do mapa, e a voz no scype: toada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vida, traga-a de volta, sem moita e sem carne: inteira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oh vida, sem silêncio nem ode, só ela e seus olhos: alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela e eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-6444105402645277901?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/6444105402645277901/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=6444105402645277901&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/6444105402645277901'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/6444105402645277901'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2008/08/claire-laribe.html' title='Claire Laribe'/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-3805380618329815624</id><published>2008-08-13T20:48:00.000-03:00</published><updated>2008-08-13T21:16:04.739-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sociologia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Metodo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Classico'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mauss'/><title type='text'>Clássico: receita de bolo? Para sociólogos e simpatizantes (S&amp;S)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; –No meu trabalho de doutorado uso documentos históricos, como devo proceder senhor clássico?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mauss: “ No que se refere aos documentos históricos ou etnológicos , a sociologia deve adotar, grosso modo, os processos da ‘crítica histórica’. Não pode servir-se de fatos inventados e, por conseguinte, deve estabelecer  a verdade das informações de que se serve. [...]  Não há necessidade de conhecer a data de um fato social, de um ritual de orações para servir-se dele em sociologia, contanto que se conheçam seus antecedentes, seus concomitantes e seus conseqüentes, numa palavra, todo quadro social que o cerca. Para servir-se de um fato social determinado não é necessário o conhecimento integral de uma história, de uma língua, de uma civilização. O conhecimento relativo, mas exato, deste fato é suficiente para que possa e deva entrar no sistema que a sociologia quer edificar.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;—Caramaba Mauss, você parece um pouco old fashion depois dos pós-estruturalistas e do relativismo estrato-quântico historicista apoteótico das novas correntes sociológicas. Mas eu continuo gostando de você. Dá mais uma dica aí, daquelas que a gente não deve esquecer nunca, mesmo depois das mortes de Marx, Durkhiem, Weber e Floresntan! Vai, por favor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mauss: “ A sociologia não especula, como não faz qualquer outra ciência, sobre puras idéias e não se limita a registrar os fatos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; – Ah Mauss, você tá de sacanagem comigo... vamos parar por aqui.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-3805380618329815624?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/3805380618329815624/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=3805380618329815624&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/3805380618329815624'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/3805380618329815624'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2008/08/clssico-receita-de-bolo-para-socilogos.html' title='Clássico: receita de bolo? Para sociólogos e simpatizantes (S&amp;S)'/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-7210216588474873366</id><published>2008-08-07T10:45:00.005-03:00</published><updated>2008-08-19T22:55:22.459-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Filosofia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Util'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Noticias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Very Important News'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Inutil'/><title type='text'>Sobre Very Important News</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu gostaria de comentar rapidamente um blogue de uma amiga que muito me intriga. O &lt;a href="http://thevinews.blogspot.com/"&gt;Very Important News&lt;/a&gt; reune notícias inúteis e esdruxulas. Trabalhando “apenas” com uma seleção de “ notícias cujo título já vale a manchete” a autora usa o bizarro, o curioso e o duvidoso, como elementos que se coadunam para dizer o mais importante de uma notícia: sua “verdade”.&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro, trata-se de algo humorístico. Claro, as notícias não são “sérias” e são encontradas na rede em locais reservados à “bizarrice” e às “futilidades”. Mas não deixa de ser interessante de ver essas notícias duvidosas, estranhas, fúteis, agora todas selecionadas e reunidas num só local, de ver como elas elaboram, pelo simples fato de estarem reunidas, um dialogo grotesco com o jornalismo em geral, onde a seriedade e o pitoresco se misturam tão comumente com o nosso bizzarro jeito de entender o que sejam as “verdades no mundo”. &lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resumo: o efeito que a leitura de tantas coisas desprovidas de “seriedade” juntas dá é muito interessante, e eu gostaria de fazer uma pequena digressão (tragicômica?) a respeito.&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Da futilidade e do questionamento da utilidade do inútil&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Se eu fosse filósofo teria futuro. Com um título como esse poderia concorrer a muitos prêmios pelo bom uso de oximoros para introduzir textos desprovidos de interesse sociológico. Mas deixemos isso de lado. Meu sucesso em filosofia muito dependerá de minha aguçada sensibilidade para deixá-la de lado. Pois bem, o fato não filosófico que nos interessa é que uma pergunta decorre da inutilidade aparente dos fatos inúteis quando estes são descritos num meio de comunicação de grande alcance: para quem e para que serve saber que “&lt;a href="http://thevinews.blogspot.com/2008/08/um-banheiro-para-transexuais-instalado.html"&gt;banheiro para transexuais é sucesso em escola na Tailândia&lt;/a&gt;”?&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vou reformular essa questão de maneira mais teórica e ao mesmo tempo mais concreta. Vejamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É útil saber que um oximoro (figura de retórica que consiste em reunir, no mesmo conceito, palavras de sentido oposto ou contraditório — como dizer do silêncio de alguém que este é expressivo, um “silêncio expressivo”) não é um oxiúro (que é um verme que faz os seres humanos coçarem sem paz suas respectivas regiões “oiticias” – claro, a coceira só ocorre quando se está parasitado pelos ínfimos nematodes)? Ora, acho que seja importante o discernimento entre as duas coisas para algumas classes de seres humanos: a começar pelos filósofos, passando pelos sociólogos e pelos poetas (principalmente os poetas sociólogos ou os sociólogos poetas), caminhando pelos críticos de arte, todas essas categorias de seres, não tem o direito de confundir sem conseqüências intestinais uma figura de linguagem com um verme.&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;Bem, concordando com isso que digo temos que inferir o seguinte: o discernimento é uma categoria não-universal, que depende de classes e classificações historicamente situadas, mesmo que a verminose não escolha o funiculau onde vai parasitar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse sentido voltemos ao nosso site (eu adoro fazer transições bruscas): “&lt;a href="http://thevinews.blogspot.com/2008/07/chefe-probe-cueca-e-calcinha-suja-no.html"&gt;Chefe proíbe cueca e calcinha suja no trabalho&lt;/a&gt;” nos diz uma outra manchete interessante. Só uma pessoa com discernimento entre a forma literária e a realidade do intestino contaminado com oximores poderia achar sem interesse uma matéria tão importante. Na matéria vemos que o senhor Milomir Gligorijevic, chefe de uma empresa servia, afirma que “ficou de saco cheio de ver pessoas sem higiene pessoal básica”. Notem: saco cheio e não saco sujo, o que seria uma contradição em termos e não um oximoro. Sendo um homem de empreendimento, ele não ficou de mãos abanando cabisbaixo com a sujeira alheia: “enviou um memorando que alerta para os profissionais escovarem os dentes, tomarem banho e trocarem a roupa íntima, todos os dias. Ele ainda não sabe se a medida é seguida, mas alertou que ela pode ficar ainda mais rígida.” &lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um homem de negócios desse calibre sabe dos efeitos dos oximoros intestinais, como também, para não pensarem que estou filosofando, dos oxiúros retóricos que infectam a inteligência de tanta gente.&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dito dessa forma fica fácil entender porque o Very Important News é tão visitado por mim: rir de suas próprias vermes é uma maneira também de pensar sobre as consistentes inconsistências do mundo que nos cerca. Um mundo sério e obtuso esse nosso. Risível. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estaria você lendo o oxymore?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;Ps: não citei o nome da moça minha amiga porque, não tendo no próprio site o nome dela, não me senti autorizado.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-7210216588474873366?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/7210216588474873366/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=7210216588474873366&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/7210216588474873366'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/7210216588474873366'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2008/08/sobre-very-important-news.html' title='Sobre Very Important News'/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-2298734274755048457</id><published>2008-08-05T10:28:00.008-03:00</published><updated>2008-08-05T23:44:03.926-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Filhos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pedagogia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Violência'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Educação'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Criança'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Recife'/><title type='text'>Questões sobre a pedagogia do oprimido: da dor de crianças</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Minha filha tem hoje dois anos e nove meses e está aprendendo a falar com desenvoltura. Quando diz algo errado, corrijo. A mãe fala com ela em francês. E o mesmo ocorre quando a pixota fala algo errado: ela é corrigida pela mãe, que é professora de inglês e francês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Avalio que ainda enquanto criança ela começa a integrar de maneira prática e gradual, e sem perceber, aquilo que minha avó dizia para mim numa formulação abstrata: “estude para ser alguém quando crescer meu filho”. Certo vovó, respondia dentro de mim. Mas o que é estudar? O que é ser alguém na vida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entendam, minhas perguntas não eram nem são raivosas. Sei: quem aprendeu aos trancos e barrancos muitas vezes não sabe que se pode aprender de outras maneiras na escola que não pelo &lt;em&gt;&lt;strong&gt;dolorido reconhecimento contínuo do fracasso&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;. Que foi o dela(minha avó), que foi o meu. A cuiosidade estimulada, uma casa cheia de livros e de pais lendo para si e para a criança, o cuidado com as explicações, o respeitar admirado das questões que um penqueno se coloca a respeito do mundo novo com o qual dia após dia, mês a mês, ele começa a se “familiarizar” e, em conseqüência disso, a se acostumar, para bem e para mal -, tudo isso é &lt;em&gt;&lt;strong&gt;concretização de valores&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; da escola em seu sentido pleno sendo feita em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ok Jampa, sabemos, você é um pai que pensa na educação de sua filha de um ponto de vista racional e também humano. E o que mais? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Diante de certas coisas próprias às realidades recifense e brasileira me pergunto: como um pai deve se comportar para manter sádia a sua relação com o universo da curiosidade infantil de sua filha e a realide absurda que, como não poderia deixar de ser, também a cerca e faz parte do horizonte cultural onde ela evolui e cresce?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro do carro com sua mãe, a pixota observa uma agitação não corriqueira. Uma outra criança, um pouco mais velha, com 12 ou 13 anos, fala coisas agressivas. A mãe também gesticula, finge procurar algo. – Mamãe o que é que ele disse pra você? “Nada filha, ele me ameaçou.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ameaça. Acho que essa palavra ela ainda não tinha ouvido. Que significado ela atribuiu pra ela?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O menino de 12 ou 13 havia dito: “abre a janela se não mato a menina, corto ela toda”. Sem saída, o sinal fechado, pessoas olhando impassíveis, a mãe responde: “se tocar nela, eu te mato.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ameça. Uma palavra. Que campo semântico ela abre? Medo. Violência. Será que preciso explicar o que são essas coisas para uma criança de dois anos e meio? Não. Ela não vai entender. Matar. O que é matar papai, se ela me pergunta isso, o que devo responder? Numa única situação, num espaço de alguns segundos, toda uma pedagogia do contidiano recifense. Papai, o que é ameaça? Papai, o que é matar? Por que mamãe ficou com medo do que o menino disse? É mais fácil dizer para ela não ficar com medo do monstro do Scooby Doo. E ai fico pensando no como ela pensa isso tudo e querendo dizer para ela mas sem poder, resmungo ensimesmado: “ ô filha, não tenha medo, os monstros do Scooby Doo são de mentirinha...” A garganta seca, a mão suando. Será que saberia explicar que o menino que gritava e dava medo estava ali e era tão real?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;atualização: Peço desculpas por esse texto que está muito mal escrito. Mas não vou corrigí-lo, porque foi fruto de meus nervos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-2298734274755048457?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/2298734274755048457/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=2298734274755048457&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/2298734274755048457'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/2298734274755048457'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2008/08/questes-sobre-pedagogia-do-oprimido-da.html' title='Questões sobre a pedagogia do oprimido: da dor de crianças'/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-7005252694888432382</id><published>2008-07-30T09:48:00.003-03:00</published><updated>2008-07-30T09:55:14.083-03:00</updated><title type='text'>Achei importante divulgar.</title><content type='html'>Texto na íntegra retirado &lt;a href="http://www.pebodycount.com.br/post/comentarios.php?post=896#ancora"&gt;daqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CARTA ABERTA AO GOVERNADOR DO ESTADO DE PERNAMBUCO, AO SECRETÁRIO DE DEFESA SOCIAL E À SOCIEDADE PERNAMBUCANA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;" Vimos, através desta, expressar nosso sentimento de revolta, indignação e dor, diante da perda de nossa querida Duda, Maria Eduarda Ramos de Barros, assassinada na sexta-feira, 18 de julho. De um lado, um sofrimento que nos paralisa frente à crueza dos fatos e à impossibilidade de desfazer uma conduta policial não apenas equivocada, mas violenta e irreparável. De outro lado, o sentimento de revolta que nos impulsiona a gritar, a exigir justiça, a mobilizar a força que é possível para não permitir que Duda seja apenas mais um número a se contabilizar nos índices de violência. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A morte de Duda não foi apenas uma fatalidade, um acidente. Sua morte foi um assassinato provocado pelo despreparo e incompetência da Polícia que, tomando a farda como escudo protetor, resolveu atirar arbitrariamente contra uma família e um adolescente, que, igualmente armado, não atirou, jogando-se no carro das vítimas e abraçando-se com uma criança, tamanha a atrocidade policial. Duda teve seus sonhos, seus projetos, sua vida arrancada e os demais que ali estavam passaram por momentos que não deveriam existir. A que ponto chegamos e a que caminho essa situação de barbárie vai nos levar? O medo é intenso, a revolta diante de um sistema falho é significativa, a dor frente à perda é inominável. A consternação diante da faixa estampada no velório é absurda! "Tirem a PM das ruas. Os bandidos MATAM menos". &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O art. 13º da Declaração Universal dos Direitos Humanos, promovida pela ONU e adotada, desde o princípio, pelo Brasil, enuncia que "Toda pessoa tem o direito de livremente circular". Ainda, nossa Constituição Federal de 1988 reza, no art. 5º, XV, que "é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens". Curioso que, em plenos aniversários da Declaração e da nossa Constituição, respectivamente com 60 e 20 anos, este direito esteja sendo cada vez mais arrancado dos seus cidadãos, que deixam de sair para confraternizar com amigos, que mudam horários e roteiros, que impedem seus filhos de viver uma vida normal por causa do pavor de ultrapassar os portões de casa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Recorremos, nesse momento, a quem podemos recorrer, ao Estado de Pernambuco, à Secretaria de Defesa Social, em busca de uma resposta, de um posicionamento, da segurança de uma postura que transmita confiança e, sobretudo, imparcialidade frente às investigações do dano causado não apenas à nossa família, mas aos brasileiros, que se sentem acuados, amedrontados, inseguros e que se solidarizam e compartilham de nosso sofrimento. Não podemos deixar de citar nossas crianças brasileiras que se apresentam confusas e assustadas. Que referencial de segurança pública podemos apresentar-lhes?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O episódio ocorrido, em poucos dias, sairá das manchetes dos jornais e das redes televisivas, mas permanecerá como uma marca na vida de toda uma família e na memória dos brasileiros que, cada vez mais, amedrontam-se diante de uma Lei e de uma instituição policial enfraquecidas.&lt;br /&gt;Uma tragédia que vem a refletir, não apenas o ato inconseqüente de dois cidadãos, armados e autorizados pelo Estado a garantir a segurança da população, mas também um furo e um equívoco do sistema de segurança de nosso País. E, uma vez tendo ocorrido em Recife, denuncia e corrobora o elevado índice de violência que nós, pernambucanos, temos enfrentado, exigindo, para tanto, a responsabilização e a punição, não apenas dos dois policiais, mas a implicação da instituição como um todo. Uma intervenção para que outras Dudas e outras famílias não venham a pagar por faltas, incompetências e irresponsabilidades que não lhes são concernentes.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em contato com o Plano Estadual de Segurança Pública (PESP-PE), elaborado em 2007, deparamo-nos com o Projeto Pacto pela Vida, um projeto muito bem redigido e articulado entre vários atores sociais - a Polícia é um deles - engajados com a questão da segurança à população pernambucana. "Reduzir a violência, com ênfase na diminuição dos crimes contra a vida" é seu objetivo fundamental. O direito à vida é apontado como principal meta, além de outros valores, dos quais citamos: a qualificação da dimensão repressiva e coercitiva com uma forte ênfase sobre os aspectos de prevenção social e específica da criminalidade violenta; e a transversalidade e integralidade das ações de segurança pública a serem executadas por todas as Secretarias de Estado de forma não fragmentada. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na página 63, é destacado que "[...] a coercitividade está incorporada como eixo central do PESP-PE e está diretamente relacionada à garantia da realização dos direitos humanos, especialmente dos direitos à vida e à liberdade. Contudo, a repressão em condições da criminalidade moderna e sofisticada não deve ser reativa, mas pró-ativa [...] o efeito resultante é a obtenção da segurança como um bem público universalizado. [...]" Acrescenta abaixo que essa eficiência e eficácia contribuem para a "alteração positiva da percepção da população sobre a capacidade de resposta estatal ao problema da violência". (p.63)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Constatamos a ênfase, na página 90, na melhoria da percepção da sociedade a respeito dos policiais militares como objetivo do Projeto Comunicação Social PMPE; e, mais adiante, na página 94, o estabelecimento de procedimentos operacionais padrão para orientar o exercício das funções da PMPE, levando em consideração o respeito aos Direitos Humanos, como objetivo do Projeto Procedimento Operacional Padrão (POP).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;De posse desse material, que, assim o esperamos, deve estar trazendo resultados para a população pernambucana, é inconcebível pensar que, mais de um ano após sua implementação, tenhamos que enfrentar tragédias como a morte de Duda e, não esqueçamos, o profundo ferimento físico e psicológico às demais pessoas também atingidas. Uma atuação que fere a conduta humana de um policial e transgride os princípios do referido documento, passando a ser questionado o uso que vem sendo dele feito nas várias instâncias do governo.&lt;br /&gt;A Polícia, nesses casos, aumenta o índice de violência, ao invés de trabalhar a favor de sua redução e do direito à vida, como tão claramente apregoa o Plano Estadual. Que percepção esperam de nós a esse respeito?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O que cantar, agora, em glória e louvor a Pernambuco? Terra linda, com certeza! Temos uma riqueza cultural incrível que o Senhor, Governador, está sabiamente conduzindo propostas de uma maior atração para o turismo pernambucano. Todavia, pensamos que turista não busca apenas a "terra dos altos coqueiros de beleza estendal!", conforme descreve Oscar Brandão, no Hino de Pernambuco. O que pensar de uma terra que está no índice de uma das regiões mais violentas do país? A tragédia surgiu não daqueles que compõem esse índice, numa perspectiva epidemiológica, mas da instituição que, supostamente, existe para proteger a população. "Nova Roma de bravos guerreiros"? Talvez verdadeiros guerreiros lutassem, sim, pela imortalidade de Pernambuco, como sugere seu hino. Os atuais "guerreiros-policiais" parecem buscar o seu oposto. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em site da Internet lê-se: "Maria Eduarda foi apenas mais uma vítima de sucessivos equívocos (ou "cagada", na palavra de um PM) da polícia nas últimas semanas". Gíria infeliz essa; mais infelizes os PMs que dela se utilizam para se referirem ao assassinato de uma criança. Lamentável... Fica o desejo de que Duda, assim como João Roberto, Rafaeli e Luiz Carlos, entre outros, não sejam "apenas" mais uma vítima, mas que representem o urgente processo que dê um basta à violência em nosso País. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ratificamos aqui a necessidade e a exigência de que a justiça diante da injustiça cometida pelos (ir)responsáveis pela morte de Duda seja feita.Recife, 25 de Julho de 2008.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Família indignada de DUDA e seus amigos.Pernambucanos igualmente indignados”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-7005252694888432382?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/7005252694888432382/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=7005252694888432382&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/7005252694888432382'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/7005252694888432382'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2008/07/achei-importante-divulgar.html' title='Achei importante divulgar.'/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-164324994390074688</id><published>2008-07-23T12:39:00.004-03:00</published><updated>2008-08-19T22:31:45.117-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Gays'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Lésbicas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dominação Masculina'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bourdieu'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Batman'/><title type='text'>Batman Gay e Algumas questões sobre o A Dominação Masculina</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fui ontem assistir ao novo Batman. Gostei e não vou comentar muito do filme para não ser estraga-prazer: “o mocinho morre no final, o mocinho morre no final, o mocinho morre no final!”. E o mocinho não é Batman, entendem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na verdade ter visto “O Cavaleiro das Trevas” é mais um pretexto para falar outra coisa: o tratamento analítico de política dos movimentos de homossexuais. Um tema que é de difícil abordagem, entendam! Mas não seria nada ruim usar Batman como ensejo, uma vez que a personagem central do filme vive a maior das antinomias experimentada pelos movimentos gay e lésbico: o dilema da visibilidade e o da invisibilidade no espaço público. O que é uma ótima dica de leitura do filme, não acham?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Bem, como diria Paulo Honório. Continuemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu concordo e não é de hoje com a seguinte afirmativa: “o movimento gay e lésbico põe ao mesmo tempo tacitamente, pela existência de suas ações simbólicas, e explicitamente, pelos discursos e as teorias que ele produz ou os quais ele dá vazão, certo número de questões que estão entre as mais importantes das ciências sociais e, algumas delas, são realmente novas.” (&lt;a href="http://www.oboulo.com/bourdieu-pierre-domination-masculine-1998-seuil-55783.html"&gt;Bourdieu, 1998&lt;/a&gt;, anexo).*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas antes de concordar com tal afirmativa eu já tinha essa intuição. No ano em que entrei na universidade (1998) terminei sendo motivo de brincadeiras de amigos por ter defendido a idéia segundo a qual o “homossexualismo era um assunto importante para a sociologia”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dessa forma esse tema me parece ser dos mais importantes não apenas pela dificuldade específica de tratar de categorias que “definem” ou “se definem” a partir de critérios tão difíceis de “fixar” como “gays” ou “lésbicas”, mas também pela dinâmica mesma de ter que enfrentar, socialmente, enquanto homem e hetero que sou, os medos e receios que a própria sociedade criou para mim e que eu assimilei e reproduzo de varias maneiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Resumo na pergunta que faz Bourdieu em seu texto sobre o assunto o que existe de difícil na abordagem sociológica de classificação e categorização dos movimentos gay e lésbico: “se deve tomar como critério as práticas sexuais – mas quais, as declaradas ou as escondidas, efetivas ou potenciais, a freqüência em certos lugares, um certo estilo de vida?” (Ibid,1998, anexo). Vejam que essa dificuldade especifica não existe de maneira tão evidente quando se fala de feminismo porque a “feminilidade” se caracteriza aquém e além das práticas sexuais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A própria dificuldade de abordar o tema com as ferramentas usuais da sociologia, por si só, já traria um largo leque de possibilidades heurísticas do ponto de vista da produção do conhecimento sobre o social. Mas apesar de todo esse campo de possibilidades novas, eu gostaria de me ater aqui a algo que antecede esses problemas no livro supracitado: o ponto de vista de Bourdieu sobre o feminismo porque, por desconhecimento ou má vontade, ou mesmo por exagero feminista, sua reflexão sobre o assunto, que é tributária de seu trabalho mais extensivo sobre outros domínios do mundo social, foi julgada como uma visão meramente “&lt;a href="http://www.chiennesdegarde.org/article.php3?id_article=310"&gt;masculinista&lt;/a&gt;” tirando a atenção do essencial em sua argumentação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Contexto de minha opinião&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tive a oportunidade de durante o meu doutorado participar de alguns seminários de aula com Betânia Ávila do &lt;a href="http://www.soscorpo.org.br/Site/php/index.php?CodPagina=39"&gt;SOS Corpo&lt;/a&gt;. Nas poucas e boas conversas que tive com ela pude falar da perspectiva analítica a qual Bourdieu encarnava. Naquele momento de sua vida, que é o momento em que ele escreve o La domination Masculine, cujo anexo elabora algumas reflexões sobre o movimento gay e lésbico as quais me referi, ele está admitindo uma postura política mais forte e mais “engajada” do que a que ele admitia para si em épocas remotas de sua produção acadêmica (ler a esse respeito o artigo de Jean-Claude Passeron “ Mort d um ami disparition d um penseur” que foi publicado em português no livro &lt;a href="http://www.jacotei.com.br/mod.php?module=jacotei.comparacao&amp;amp;prodid=385870&amp;amp;catid=215&amp;amp;mostra=true"&gt;Trabalhar com Bourdieu&lt;/a&gt;). Nessa visão tardia de Bourdieu de ciência não se pode perder de vista, no meu entender, aquilo que o sociólogo entendia como função da sociologia crítica, que é derivada da reflexividade específica de uma &lt;em&gt;&lt;strong&gt;sociologia dos condicionamentos sociais&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; e de daquilo que ela pode produzir. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Explico-me. Uma das críticas que mais ouço a respeito do &lt;em&gt;A Dominação Masculina&lt;/em&gt; é que o autor não fala em seu livro das mulheres, mas, como diz o título do livro, da dominação masculina, ou seja, do homem. Ora, por má fé ou preciosismo de linguagem, não se percebe com esse tipo de crítica algo essencial na postura crítica de uma sociologia que visava captar&lt;em&gt;&lt;strong&gt; condicionamentos&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; com vista ao entendimento mais preciso do que Bourdieu chamava de &lt;em&gt;&lt;strong&gt;efeito de doxa&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;, em bom português: tudo aquilo das lógicas de funcionamento do mundo social que faz que as obrigações e interdições do mundo sejam de alguma maneira respeitadas, fazendo que os atos de subversão e delitos (portanto visados pelas feministas como instrumentos políticos de transformação de um estado de coisas dado) sejam encarados como “exceções”, ou como “loucuras”, “desvarios”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como exemplo dessa visão de ciência dele, vou trazer a metáfora que Bourdieu usara para falar dos efeitos que possivelmente ele gostaria de ver a sociologia produzindo, principalmente a dele. Falando do sonho que a especie humana&lt;em&gt; &lt;/em&gt;sempre nutriu pela idéia de voar (pensando em Icaro), Bourdieu lembrava que foi estudando a gravidade, ou seja, todos os condicionamentos que fazem o &lt;em&gt;homem(enquanto espécie)&lt;/em&gt; se manter colado ao chão, que possibilitou o mesmo de realizar esse sonho. Pois bem, Bourdieu tem consciência de que entre o conhecimento dos condicionamentos sociais e a liberdade que esse conhecimento pode ajudar a produzir existe um vasto hiato que só pode ser alcançado por uma atitude política diante do próprio conhecimento e do mundo. Mas concebe que a sociologia deva estudar aquilo que produz a &lt;em&gt;necessidade do feminismo&lt;/em&gt;, a gravidade que limita o vôo da mulher, a dominação masculina.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É desse ponto de vista que as qualidades e defeitos do livro deveriam ser tomados, acredito.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico aqui com um trecho muito bonito do livro, quase lírico, lírico a seu modo evidentemente, onde Bourdieu fala sobre nada mais nada menos que o amor:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“[...] o corte com a ordem ordinária não se completa de um só golpe e de uma vez por todas. Ele se faz somente por um trabalho de todos os instantes, sempre recomeçado, que talvez arranque das águas frias do calculo, da violência e do interesse “da ilha encantada” do amor, esse mundo fechado e perfeitamente autárquico que é o lugar de uma série continua de milagres: aquele da não-violência, que torna possível a instauração de relações fundadas sobre a plena reciprocidade e autorizando o abandono e a reencontro (remise de soi) de si; aquele do reconhecimento mutuo, que permite, como disse Sartre, de se sentir “justificado de existir”, assumido, até dentro de suas particularidades as mais contingentes ou as mais negativas, dentro e por uma espécie de absolutização arbitrária do arbitrário de um encontro (“porque era ele, porque era eu”); aquele do desinteresse que torna possível as relações desistrumentalizadas, fundadas na felicidade de dar felicidade (bonheur de donner du bonheur), de encontrar dentro do maravilhar-se com o outro, notadamente no emaravilhamento que ele suscita, as razões inesgotáveis para maravilhar-se.” (Bourdieu, 1998, p.117) *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;PS: Depois comento o anexo do livro que se chama “Questões Sobre o Movimento Gay e Lésbico” e que acho muito interessante. Sobre o que acontece atualmente em Pindorama sobre o assunto, texto interessante &lt;a href="http://www.amalgama.blog.br/?p=40#more-40"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*BOUDIEU, Pierre.(1998) La Domination Masculine, Paris, Seuil. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-164324994390074688?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/164324994390074688/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=164324994390074688&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/164324994390074688'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/164324994390074688'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2008/07/bataman-gay-e-algumas-questes-sobre-o.html' title='Batman Gay e Algumas questões sobre o A Dominação Masculina'/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-8285087307318741115</id><published>2008-07-21T20:03:00.002-03:00</published><updated>2008-07-21T20:17:02.177-03:00</updated><title type='text'>Do jeitinho ao sem jeito: mudanças e mordaças.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Meu último trabalho acadêmico defendido foi aos meus olhos um “fracasso sociológico”. Ele queria ser um trabalho de sociologia sobre A Padaria Espiritual e terminou sendo uma reflexão sobre o “tentar dar conta desse objeto” usando as ferramentas conceituais legadas pela sociologia de Pierre Bourdieu. O engraçado e estranho é que um ano antes desse trabalho eu havia feito um outro, sobre São Bernardo de Graciliano Ramos, com uma postura sociológica mais intensa e empírica, tratando do romance como fonte de reflexão sobre a presença da sociologia na obra literária supracitada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais curioso é que depois de ter passado um ano a mais (de socialização acadêmica) e tendo dois interlocutores que dão forte ênfase à sociologia empírica, &lt;a href="http://recherche.univ-lyon2.fr/grs/index.php?page=2&amp;amp;notice=458&amp;amp;id_type=1"&gt;Norbert Bandier&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://www.evene.fr/livres/livre/bernard-lahire-l-esprit-sociologique-28657.php"&gt;Bernard Lahire&lt;/a&gt;, eu tenha feito um trabalho que, a contrapasso do anterior, era uma reflexão epistemológica com pouco volume de análise material. Esse retorno “teorizante” a um trabalho conceitual sobre os conceitos tinha certa razão de ser: fazendo um trabalho a pedido de Bandier – que pouco afeito à língua portuguesa tinha dificuldades de dar continuidade ao estudo do grupo de poetas cearense do final do século XIX que tanto lhe intrigava – tentei tirar proveito, com o material que ele tinha em mãos (que não era muito) do que ele já havia feito. Meio sem jeito, tentei fazer uma leitura minha do objeto proposto por ele. O resultado foi uma reflexão sociológica confusa, sem base empírica satisfatória, que se apoiava em uma postura sem dúvida reflexiva, mas que dava pouco ou nada ao entender sobre a Padaria Espiritual e seu contexto sócio-histórico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volto aqui ao que me deteve no trabalho sobre A Padaria Espiritual e seu contexto. Eu tinha o entendimento de que naquele período de balbuciar da Republica, momento de euforia causada pela Abolição e pela própria proclamação... eu tinha o entendimento de que nesse contexto não se podia falar principalmente na periferia do país em um campo estruturado de produção cultural e, muito menos, em um campo literário. Na época eu estava lendo Raízes do Brasil, de Sergio Buarque de Holanda, que trazia a respeito de época similar a que eu estava estudando uma análise em modo de ensaio, sobre a relação do tipo de socialização do brasileiro com algumas de suas disposições (ou falta delas) para lidar com as fronteiras entre os espaços público e o privado, discernimento que era exigência da modernização do Estado nos moldes da evolução que teria sido alcançada em alguns países da Europa. Nesse sentido, apoiado na instigante intuição ideal típica de Sergio Buarque, tentei ler os jornais que foram publicados pela Padaria Espiritual sistematizando os “atributos de cordialidade” ou os “aspectos não intelectuais da vida intelectual” (causadas pela socialização específica dos brasileiros) dos integrantes do grupo. O resultado é que não encontrei, para meu desespero, mas para o bem da reflexão posterior, nenhum atributo que pudesse ser disposto de maneira sistemática como “traço marcante da forma de produzir dos intelectuais que fosse &lt;em&gt;cordialidade&lt;/em&gt;” nem, de maneira absoluta, nenhum aspecto não-intelectual da postura dos intelectuais que pudesse “falsificar” sociologicamente a “positividade” daquela produção específica. A idéia de homem cordial parecia assim só poder se amparar em exemplos esparsos de nossa realidade histórica e, nesse sentido, o exemplo da produção da Padaria Espiritual não seria diferente. Só forçando uma interpretação, eu poderia dizer que que os intelectuais da Padaria Espiritual faziam debates literários falsos no sentido de que debatiam literatura &lt;em&gt;antes da formação de um campo literário relativamente estruturado&lt;/em&gt; em Fortaleza.  Foi ai que percebi que existia algo de profundamente normativo na idéia de campo e que diz respeito ao vínculo que ela tem com o contexto social que deu vazão ao seu substrato analítico. A idéia de campo, apesar de ser um conceito relacional apoiado na idéia de autonomia relativa, revela todo seu o lastro com a sociedade francesa na medida em que, resumo em síntese: “quando mais a autonomização dos campos é visto como um processo endógeno para a França, mais se torna preciso levar-se em conta um sistema de importações no caso do Brasil”. Sendo ele um conceito elaborado para dar conta de lógicas internas de autonomização, parecia-me um grande desafio poder instrumentalizá-lo de maneira positiva para dar conta de um caso de periferia da periferia, como de um grupo de poetas produzindo em Fortaleza, Céara, daquela época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dito isso, volto ao meu post anterior para refletir sobre os comentários de Cesar. Eu sou muito crítico à idéia de jeitinho brasileiro em vários planos. E um deles é o que trata do jeitinho, como no caso do Raízes do Brasil, como traço de uma brasilidade fruto de uma socialização homogênea que seria dada pela hipertrofia das lógicas do privado sobre o público. Essa crítica eu faço no plano intelectual mais ou menos pelas razões dadas e alcançadas pelo fracasso do meu referido trabalho “sociológico”. Mas, como moderação a isso que digo, entenda-se que esse ser crítico não quer dizer jogar fora a banheira de água suja com o menino dentro. E aqui chego à razão de ser de minha “mordaça voluntária”: na minha vivência do dia a dia, eu sinto nas pessoas que o tipo de diferenciação feita entre os espaços público e privado é muito, muito, muito controversa. Inclusive eu mesmo, com toda reflexão e cuidado, tendo a confundir, em momentos de tensão principalmente, o que é crítica ao prefeito e o que é ao meu pai. Talvez isso valha para qualquer contexto (não creio, visto que em alguns países a figura do político é muito mais próxima a de um “funcionário administrativo” do que a de “profeta carismático” como aqui). Em todo caso, como toda mudança que o Brasil vem passando, é dessa percepção pessoal que vem minha “omissão interessada”.  Vontade de abrir o verbo não faltou. Mas fico pensando que a ausência, ao menos dessa perspectiva específica que consigo vislumbrar, é a maneira mais digna de, pelo silêncio, manter a integridade pessoal e a dos próximos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mais me sinto extremamente contemplado com a sentença do amigo: “Nunca a classe política ficou tão quieta e unida. O rabo preso parece ser a lei universal, o nomos fundador do campo político de Pindorama. Tucanos e petistas, antes tão beligerantes, agora se unem, não por um projeto de nação, mas por uma cumplicidade abjeta com os crimes de Dantas.” Sim, sim. O fato de Dantas estar ao menos respondendo por seus crimes do colarinho dourado, é indício de mudança. Mas o que indica o pé atrás do companheiro... um “o que isso companheiro?” &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-8285087307318741115?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/8285087307318741115/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=8285087307318741115&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/8285087307318741115'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/8285087307318741115'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2008/07/do-jeitinho-ao-sem-jeito-mudanas-e.html' title='Do jeitinho ao sem jeito: mudanças e mordaças.'/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-5247331306625398096</id><published>2008-07-19T20:38:00.004-03:00</published><updated>2008-08-19T22:34:59.036-03:00</updated><title type='text'>A lei do silêncio...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Dos blogue que eu tenho contato, o meu é o que trata menos de política. Não que eu não goste ou tenha desinteresse. Também não acho que seja covardia. Penso ter sido Antonio Candido que disse certa feita algo parecido com isso: o intelectual que não participa do processo político corre o risco de ser chamado de omisso, e o que participa, de coopitado. No meu caso, filho de político exercendo cargo no executivo, a dimensão dessa tensão pode ser multiplicada por cem. Principalmente se pensamos o Brasil como um país onde as fronteiras entre público e o privado continuam dando o que falar em sua promiscuidade sem fim. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos amigos sempre declarei minhas opiniões abertamente. Aqui no blogue, poucas vezes. Insisto, não é covardia. Inclusive, quando perguntado, &lt;a href="http://www.blogdafolha.com.br/ver_post.php?id=2513&amp;amp;secao=entrevistas"&gt;disse o que pensava publicamente&lt;/a&gt;. O problema é que ser família de político implica em ser “familiar” aos interesses do político, o que afeta, necessariamente, principalmente em nosso contexto, as possíveis recepções de juizo para bem ou para mal, alterando em efeito de lupa a dimensão crítica que, se positiva não vale o que devido porque “está protegendo interesses da família”, se negativo vale mais do que o pensado porque “até mesmo alguém que tá dentro, ná intimidade, se mostra contra”. Nesse sentido é muito arriscado tomar posições do que é certo ou errado num embate político no espaço público brasileiro, porque havendo problemas de diferenciação entre as esferas, o cidadão vira filho e o filho, cidadão. Quem dá o tom político de uma opinião minha não é o discenimento de uma dada idéia de recusa ou aceitação, mas a maneira que se lê a política num dado contexto.Assim, opiniões de filhos, amigos, parentes, serão sempre frutos de conchavo (quando favoráveis) ou traição (quando não). Claro que não é necessáriamente assim. Não acredito que não se possa sair desse impasse. Mas por excesso de cautela, principalmente em época eleitorais, sabidas as armadilhas de contexto, hesitei bastante em ponderar sobre fatos e acontecementos da política, tanto no cenário local quanto Nacional.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas hoje me pergunto: como calar diante da operação abafa feita escandalosamente para proteção dos figurões sendo ameaçados no caso Daniel Dantas? Como não aceitar como minha uma &lt;a href="http://avoltadosquenaoforam.wordpress.com/2008/07/18/carta-aberta-a-luis-inacio/"&gt;carta aberta&lt;/a&gt; que expressa meu sentimento também quanto ao caso? Como não denunciar &lt;a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2008/07/sobre_o_papel_do_subjuntivo_no_mascaramento_da_bandidagem.php"&gt;o mascaramento da bandidagem&lt;/a&gt; feito pela grande imprensa na cobertura da operação que poderia, ao menos é esse o sentimento que dá, redimir um pouquinho o Brasil da podridão de seu passado de cartas marcadas para um presente mais inseguro para os que queiram fazer falcatruas?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dói na alma, profundamente, vê que o medo venceu a espernaça nesse país, mais uma vez...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Claro, a lei do silêncio continua pelas razões alegadas. Mas declarar o prejuízo na minha alma de brasileiro, porque &lt;a href="http://samurainoutono.wordpress.com/2008/07/18/loopholes/"&gt;não há rendas sem lei&lt;/a&gt;, ah, isso eu precisava.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-5247331306625398096?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/5247331306625398096/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=5247331306625398096&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/5247331306625398096'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/5247331306625398096'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2008/07/lei-do-silncio.html' title='A lei do silêncio...'/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-5139289839290246177</id><published>2008-07-19T18:35:00.005-03:00</published><updated>2008-08-15T19:53:18.329-03:00</updated><title type='text'>Depois da morte de Dercy:As dez coisas mais importantes de uma vida... Num sábado à noite.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;1- Matar largatixas e formigas e descobrir que mesmo depois de tê-lo feito por prazer (na infância) isso não fez de você um genocida.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;2- Ter passado pelos anos 80 e 90 e acreditar que o melhor (para bem e para mal) ainda estar por vir na sua vida.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;3- Relativizar a importância de sua tese.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;4- Não ter se chocado com os palavrões da Dercy durante tanto tempo...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;5- Manter a esportiva e a alegria no sábado à noite ao tomar conta de sua filha, que apesar de linda como uma estrela, lhe faz pensar na importância relativa de sua tese de doutoramento.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;6- Poder acreditar que derrubar arvores, comer carne bovina, beber vinho, comer proteína animal, nem sempre são crimes contra o famoso “direito humano das plantas e dos animais”.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;7- Poder não ser vegetariano e comer a loira linda e não a moita, quando o caso for de moita.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;8- Achar normal não pensar em sexo quando quem estava falando putaria era a Dercy Gonçalves.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;9- Poder dizer que as dez coisas mais importantes de uma vida ... Num sábado à noite na verdade são nove.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-5139289839290246177?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/5139289839290246177/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=5139289839290246177&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/5139289839290246177'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/5139289839290246177'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2008/07/depois-da-morte-de-dercyas-dez-coisas.html' title='Depois da morte de Dercy:As dez coisas mais importantes de uma vida... Num sábado à noite.'/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-9105945276917977837</id><published>2008-07-17T19:30:00.003-03:00</published><updated>2008-07-17T19:43:55.197-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Filme'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Olho'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O Escafandro e a Borboleta'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><title type='text'>O Escafandro e a Borboleta</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Como não sou crítico de arte nem de cinema, fico com receio de meu juízo, sempre. Fico me perguntando: o que as pessoas teriam a ganhar com minhas impressões de sentido sobre um filme?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma aventura julgar um trabalho como &lt;a href="http://www.pathedistribution.com/accueil/filmaffiche.php?IDFilm=1704"&gt;O Escafandro e a Borboleta&lt;/a&gt;, do artista plástico Julian Schnabel (1951). Eu o assisti ontem. Não sabia da existência do filme. E acho que eu seria necessariamente incompetente se o meu objetivo fosse dizer algo de realmente interessante sobre o trabalho dele como cineasta. Um olhar mais avisado faz melhor esse trabalho, e deixa a insônia gerada pelo filme com gosto de entendimento. Por isso deixo ao longo do post alguns  links com opiniões mais profissionais sobre o filme para os interessados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo desavisado me aventuro a dizer algo. Pois a vontade que tive depois do filme foi de soltar o verbo. Queria me desprender dos casulos do medo de dizer as coisas, e castrar esse medo tolo de se mostrar ignorante. Então senta que ai vem história...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme fala da vida de Dominique Bauby. Jornalista e pai de duas crianças que sofre um acidente vascular cerebral e entra em um coma profundo. Ao sair, se dá conta que todas as suas funções motoras estão deterioradas. Foi afetado por aquilo que a medicina chama de “loked-in sindrome”, ou seja, a síndrome do encarceramento em si. Na sua nova condição, Bauby não podia mais se mexer, e mesmo a respiração era auxiliada por aparelhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme lida com história de um quase vegetal: alguém que tinha apenas o olho esquerdo  funcionando com dificuldades  e sua audição. Os dois sentidos se tornaram a ligação dele com o mundo e com as outras pessoas. Piscando uma vez para dizer "sim" e duas para dizer "não", com o axilio de uma terapeuta consegue elaborar um método de comunicação também pela escrita. A partir de um alfabeto dito em voz alta em função do uso das letras, ele começa a poder “dizer” letras, palavras, sílabas, frases, páginas e páginas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme conta a história narrada no livro escrito pelo jornalista em sua situação de cárcere interno a partir do olhar desse olho. As escolhas de câmera e áudio foram feitas em função dessa situação de aprisionamento, onde os enquadramentos fixos com desajustes no foco trazem a impressão de um olhar que via o que nós víamos enquanto espectadores. O áudio, que traz além do som ambiente a voz de Bauby em off, dá contorno a consciência de si e da situação que são o alicerce da vida que está sendo recontada. Sendo a readaptação mesma do livro, creio que as escolhas cinematográficas feitas foram muito boas. O resultado é que entramos na história como se pudéssemos se colocar na posição de alguém que está numa &lt;a href="http://antologiadoesquecimento.blogspot.com/2008/07/julian-schnabel-e-os-nufragos.html"&gt;situação limite&lt;/a&gt;, como é o caso real do escritor do livro L escaphandre et le Papillhon. Acho que por isso o filme ganhou o &lt;a href="http://www.thehousenextdooronline.com/2007/05/2007-cannes-film-festival-awards.html"&gt;Prix de la mise en scene em Cannes 2007&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas cenas que me marcaram por ordem do impacto que me causaram:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1-     Jean-Don (era o apelido de Jean Dominique Bauby) conversa com a amada Inês por telefone. Sua ex-esposa é quem media a conversa. Sem cair na solução piegas que seria colocar Jean-Don como alguém que se arrependeu das escolhas que fez para reencontrar  o amor de sua vida inteira, a cena termina com sua ex-mulher lendo no piscar do olho atormentado um dolorido “ eu te espero todos os dias” de Bauby para sua amada.&lt;br /&gt;2-     O uso da memória e da imaginação do enfermo. A cena em que ele se imagina jantando ostras com a amada...&lt;br /&gt;3-     Os sonhos que representam a solidão, onde ele se vê descendo para o fundo do mar dentro e de um escafandro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Texto mais profissional a respeito do filme, &lt;a href="http://www.opovo.com.br/opovo/vidaearte/802468.html"&gt;aqui gente&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É isso por hoje.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-9105945276917977837?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/9105945276917977837/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=9105945276917977837&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/9105945276917977837'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/9105945276917977837'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2008/07/o-escafandro-e-borboleta.html' title='O Escafandro e a Borboleta'/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-2008453632777435538</id><published>2008-07-16T09:23:00.002-03:00</published><updated>2008-07-16T09:31:46.390-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sonhos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Saudade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Amigos'/><title type='text'>Sonhos, reencontros e encontros</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Tereza Noronha&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns dizem que nossos sonhos são expressões de nossos desejos mais profundos. Alguém como Freud, por exemplo, dedicou todo um projeto científico a interpretação de sonhos, achando que conhecendo as lógicas dos sonhos estaria tocando no mecanismo regulador de nosso inconsciente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem. Sonhei várias vezes com Tereza Noronha, falecida faz alguns anos e pessoa por quem nutro profunda admiração. Em meu sonho ela revivia, voltava da morte alegando erro médico. O interessante é que algo de similar ao que venho estudando no romance realista acontecia durante meu sono: alguns acontecimentos davam contorno e detalhe ao acontecido garantindo a força de persuasão do sonho que, para o sonhador, durante o sono, pareciam a mais pura realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontrava-me com ela que me recontava a sua morte e sua volta. Eu, cético, não conseguia acreditar nos meus olhos e ouvidos. Meu sonho insistira em sua própria veracidade. Tereza me explicava, com a paciência que sempre teve comigo, por razões cientificas, o que de fato havia acontecido. O médico não havia esperado o suficiente e a parada cardíaca teria sido apenas algo temporário. Então ela acordou, e como o corpo dela ainda não tinha sido enterrado, pôde voltar à vida e vir conviver novamente com os que tanto amava. Ainda cético, mas ao mesmo tempo já crente no meu sonho, encontrava Valéria, filha de Tereza, e, eufórico, não conseguia encontrar palavras para dizer o indizível. Não acredito em milagres, mas meu sonho o havia realizado e podia ver a alegria que tudo aquilo causava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma outra amiga minha, Maíra, uma vez me disse que nunca dividiria um sonho dela num espaço público. O sonho revelaria intimidades profundas demais. Hoje, com a psicanálise, entendo melhor o que ela quer dizer com essa história de intimidade contida nos sonhos. Mas teimo trazendo alguns sonhos para cá, pois, se uns são íntimos, outros, os que expressam desejos profundos, precisam ser divulgados. E isso porque, por piegas que sejam o amor e a saudade, é quase sempre lindo o querer de volta alguém que gostamos e que já se foi...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Hugo e Camille&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recebi a visita de dois jovens (mais jovens do que eu) canadenses aqui em casa. Na verdade um casal de estudantes de Antropologia. Ele estuda o Rio de Janeiro, ela algum lugar que não entendi bem na Índia. Os dois moram em Montreal e são figuras muito simpáticas. Passamos boas noitadas a conversar sobre a violência no Brasil (que para ele era o grande defeito do país) e sobre nossas disciplinas de trabalho. Falaram das impressões deles do Rio, dos cariocas, das favelas, da maneira de ser do brasileiro. Ele chegou a dizer que gostaria de ter se encantado mais com o país, mas que a violência o impedia (ele foi agredido três vezes no Rio). Assim, comigo, que tive uma experiência internacional de morar fora durante um tempo, ele se abriu dizendo o quanto ele sentia falta da cidade dele, onde as pessoas podem ir e vir sem ter medo da noite e das outras pessoas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Bem, é assim o meu Brasil nas grandes cidades. Dói e nos sentimos presos. Em todo caso a estadia deles aqui deu uma pitada de vida toda especial a minha semana de rotinas burocráticas. Obrigado Hugo e Camille e voltem sempre!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-2008453632777435538?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/2008453632777435538/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=2008453632777435538&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/2008453632777435538'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/2008453632777435538'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2008/07/sonhos-reencontros-e-encontros.html' title='Sonhos, reencontros e encontros'/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-5882280724063845440</id><published>2008-07-14T19:50:00.004-03:00</published><updated>2008-07-15T15:29:58.326-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Filosofia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vigilância Sanitária'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bachelard'/><title type='text'>Vigilância Sanitária</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Estava relendo umas coisas sobre metodologia da pesquisa na sociologia para reavivar a memória com alguns procedimentos quando me deparei com a seguinte frase:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“ A educação do pensamento científico ganharia em explicitar essa vigilância da vigilância que é a nítida consciência da aplicação rigorosa de um método. &lt;em&gt;No caso, o método bem designado desempenha o papel de um superego bem psicanalisado no sentido em que os erros aparecem em uma atmosfera serena; além de não serem dolorosos, são sobretudo educativos.&lt;/em&gt;” (G. Bachelard... em algum lugar do Racionalismo Aplicado.Meus itálicos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu já havia lido isso antes. Meu projeto de tese foi formulado em cima dessa postura da “vigilância da vigilância” por acreditar que em sociologia, mais do que em outras disciplinas, os métodos escolhidos informam sobre o tipo de conhecimento a ser elaborado. E que os erros de procedimento, que só podem ser julgados se comparados a outros, são os motores do rigor e da qualidade do trabalho propriamente analítico. Dessa forma historicizei meu projeto sendo sua própria feitura uma genealogia dos procedimentos e das escolhas adotadas para construção de minha problemática de estudo e objeto. Resultado: fui questionado a respeito da forma (que não trazia a clareza –respostas- de como as tarefas iriam ser realizadas) e do conteúdo (ora eu tinha dois objetos de estudo e não um, ora eu não tinha nemnhum objeto de estudo nítido). Além disso ouvi uma piada a respeito da vigilância sanitária, que não levei a sério porque imagino que algumas posturas intelectuais podem realmente servir de profilaxia no domínio da produção de idéias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que me veio a mente ao reler isso é que nunca havia dado a devida importância ao paralelo feito por Bacherlard entre o processo de produção do conhecimento e a psicanálise. “Erros aparecidos numa atsmosfera serena” ecoam aos meus ouvidos como um pedido, uma súplica por um contexto de produção que se assemelhe mais com a “situação de análise” de uma relação psicanalítica. Lugar onde na “suspensão das dores” encontraríamos forças para “compreendermos melhor a nós mesmos” porque o confrotar-se consigo mesmo, nos termos novos da relação analítica, impõe limites ao superego, numa vigilância da vigilância pacificadora do Eu.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-5882280724063845440?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/5882280724063845440/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=5882280724063845440&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/5882280724063845440'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/5882280724063845440'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2008/07/vigilncia-sanitria.html' title='Vigilância Sanitária'/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-7149713868181666167</id><published>2008-06-18T20:00:00.004-03:00</published><updated>2008-06-18T20:25:15.933-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cara nova'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='blogue'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='desculpas'/><title type='text'>Blogue de roupa nova</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Bem, decidi aderir ao Layout. O problema é que perdi todos os comentários e já não sei mais como resgatá-los. Fiquei bastante triste com isso. Acho que não tem como recuperar. O blogue tá até mais bonito (com mais enfeites), mas perdeu muito... o espaço comentários era o que ele tinha de melhor até aqui. Aos comentaristas desse espaço, minhas sinceras desculpas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ps: como vocês podem ver, consegui reverter o processo! Ufa!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-7149713868181666167?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/7149713868181666167/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=7149713868181666167&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/7149713868181666167'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/7149713868181666167'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2008/06/blogue-de-roupa-nova.html' title='Blogue de roupa nova'/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-1483973161221740322</id><published>2008-06-18T01:56:00.007-03:00</published><updated>2008-07-16T10:56:15.288-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Televisão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Miserabilismo.'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Faustão'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sem Zapping do Domingão&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No domingo passado vi ao mesmo tempo estarrecido e emocionado a apresentação da &lt;a href="http://www.stj.jus.br/portal_stj/publicacao/engine.wsp?tmp.area=398&amp;amp;tmp.texto=87924"&gt;Orquestra Criança Cidadã do Recife no Domingão do Faustão&lt;/a&gt;. Quem não se emocionaria com crianças crescidas na miséria que mostram talento e superação ao aprenderem técnicas musicais da música erudita? Talvez minha segunda pergunta não seja tão apelativa e melodramática quanto a primeira, mas preciso fazê-la. Sinto-me impelido, mesmo sabendo correr o risco de ser chamado de aliado de bandidos. Quem não achou absurdo e sem sentido a comparação entre o investimento nas crianças e nos presos, feita pelo maestro Cussy de Almeida? Para quem não viu recordo: “Em Pernambuco, um preso custa aos cofres públicos algo em torno dos R$ 2,5 mil. Sem falar que ressocializar esses detentos é difícil. Por menos da metade conseguimos mudar e dar um direcionamento positivo a essas crianças” (&lt;a href="http://pe360graus.globo.com/noticias360/matLer.asp?newsId=130776"&gt;aqui&lt;/a&gt;). Achei revoltoso. E, para meu desespero, não encontrei reações a isso. Pensei: claro, quem vai criticar no Brasil alguém que está dando oportunidades a criancinhas miseráveis, mesmo que essas oportunidades sejam dadas em nome de um discurso violento contra pessoas que estão cumprindo pena e que, segundo ele, não valem o dinheiro gasto pelo governo porque “é difícil ressocializar esses detentos”. O que ele sugere: a pena de morte? Tirar o dinheiro gasto nos presídios para se colocar em projetos sociais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há quem possa ter interpretado de outra forma o tal discurso. Será que a intenção dele não é só mostrar como é inteligente o governo investir em programas como o dele (de arte ou esporte) para crianças, que têm um custo relativamente baixo, evitando um custo com eventuais “futuros” detentos? Acho que se deve aprender que de boa intenção o inferno está cheio. O teor do que foi dito estava lá: por que gastar dinheiro com “casos perdidos” se podemos ainda apostar nas crianças que, por não estarem ainda totalmente socializadas no esmo da realidade social, custariam menos para aprender Mozart, Vivaldi e não se tornarem com isso vilões sociais? O que para mim demonstra das duas, no mínimo uma: ou pura demagogia, ou desapego aos problemas concretos do nosso sistema penitenciário e às pessoas humanas que estão submetidas (justas ou injustamente) a ele. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;strong&gt;***&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;L´ Ensemble Meloinious: Bandolins Franceses&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui assistir ontem à noite (17 de Junho) no Teatro Santa Isabel esse quarteto de bandolinistas franceses que muito me agradou. Tocando um repertório diversificado (Kink Kong de F. Zappa, Ainda me Recordo de Pixinguina, Suite Provençale de D. Milhaud entre outros), o conjunto de bandolins tocava arranjos muito criativos e bem humorados misturando de forma muito criativa o erudito com o popular. “ Nossa banda tenta tocar o erudito de forma popular e o inverso é também verdade” dizia um dos músicos durante a apresentação num português quase impecável. Valeu mesmo. Eles de fato mostraram ter uma idéia de “identidade bem elástica” como bem indicou a versatilidade com que os bandolins foram utilizados para tocar do Jazz ao Clássico, do Rock ao Chorinho brasileiro. De Istambul ao Rio de Janeiro, sim, “c´est très elastiques cette notion d´ identité”. Merci au Ensemble Melonious... Que em época de Sarkozis da vida nos lembra com “imaginário delicado e virtuoso” que a França também é terra de uma tênue mistura de ordem com liberdade!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;PS: Obrigado Tigrão pela contribuição no nosso papo via MSN.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;PS2: No &lt;a href="http://avoltadosquenaoforam.wordpress.com/"&gt;A volta dos que não foram &lt;/a&gt;você encontra um interessante texto sobre o Soletrando no programa do Huck.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;PS3: O presidente Lula tem &lt;a href="http://www.seednet.mec.gov.br/noticias.php?codmateria=579"&gt;mesma opinião &lt;/a&gt;que o maestro Cussy. Valeu pela dica Cesar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-1483973161221740322?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/1483973161221740322/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=1483973161221740322&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/1483973161221740322'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/1483973161221740322'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2008/06/sem-zapping-do-domingo-no-domingo.html' title=''/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-1492410282456397080</id><published>2008-06-03T01:19:00.005-03:00</published><updated>2008-06-03T01:46:39.186-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Platão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='MSN'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Hoje'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Diálogos'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Diálogos DIssonantes no MSN ( e platônicos)&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;em alguma janela de conversação na internet...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;[Sem Data Nem Horário] Fortunato Pata-de-Elefante diz: ei doido, qual é teu Marco Teórico?&lt;br /&gt;[02/06/2008 23:28:42] Martinho Ferrador diz :meu marco teórico é Aristóteles e Platão - eu faço uma síntese, tá ligado?&lt;br /&gt;[02/06/2008 23:29:03] Fortunato Pata-de-Elefante diz :hahahha&lt;br /&gt;[02/06/2008 23:29:35] Fortunato Pata-de-Elefante diz :Meu irmão. Tu num sabe de nada. Porra de Aristote e Plutão! Marco Teórico era um cara lá do Ibura, tá ligado...&lt;br /&gt;[02/06/2008 23:30:05] Fortunato Pata-de-Elefante diz :Ele ficou conhecido lá. Matou uma tal Dona Pesquisa. Uma velha era chata, ninguém gostava dela. Tinha uns doido meio sabido que chamava Marco de Raskolnikov, tá ligado!?&lt;br /&gt;[02/06/2008 23:30:16] Fortunato Pata-de-Elefante diz :Três balas na cabeça da velha doida.&lt;br /&gt;[02/06/2008 23:30:25] Fortunato Pata-de-Elefante diz :Botou pra fuder.&lt;br /&gt;[02/06/2008 23:31:11] Fortunato Pata-de-Elefante:A galera gosta dele, porque essa Senhora dava dor de cabeça a todo mundo.&lt;br /&gt;[02/06/2008 23:31:27] Martinho Ferrador diz :o bom do Marco é que o bicho gosta de começar tudo, né? qualquer papo ele monopoliza!&lt;br /&gt;[02/06/2008 23:31:52] Fortunato Pata-de-Elefante diz : O Marco se agarante demai!&lt;br /&gt;[02/06/2008 23:32:10] Fortunato Pata-de-Elefante diz :Antes mermo de se perguntar ele já explica tá ligado...? né qualquer um não!&lt;br /&gt;[02/06/2008 23:32:33] Fortunato Pata-de-Elefante diz :e se você discordar, doido, tá fudido, porque Marco bota pra fuder.&lt;br /&gt;[02/06/2008 23:32:41] Martinho Ferrador diz :eh mermo...&lt;br /&gt;[02/06/2008 23:33:23] Fortunato Pata-de-Elefante diz :( Marco é real, doido, não é um diálogo platônico não! Deixa essa história de Platão doido. Se liga nas paradas.heheheh)&lt;br /&gt;[02/06/2008 23:33:44] Martinho Ferrador diz :e teu amigo Marco libera os agentes ou prende os agentes sociais? Teu amigo marco é gente boa com os agentes sociais? (a galera que vai fazer trabalho social lá no Ibura?)&lt;br /&gt;[02/06/2008 23:34:32] Fortunato Pata-de-Elefante diz :Oa, Marco é muito ligado nessa coisa de Agência contra Estrutura, tá ligado.&lt;br /&gt;[02/06/2008 23:34:36] Martinho Ferrador diz :Eu ouvi dizer que teu amigo Marco bota pra fuder nos agentes. Mas tem uma boyzinha, que tem outro amigo Marco, e que ele é super gente boa com a galera, deixa ela fazer o que quiser.&lt;br /&gt;[02/06/2008 23:35:30] Fortunato Pata-de-Elefante diz : Meu amigo libera os da Agência (Agência é o nome do puteiro lá do Ibura, tá ligado!) e prende os da Estrutura (que é a galera Associação de Moradores de lá também)... Marco é gente boa. Ele tá com a Agência, que libera. Nunca com a Estrutura, ta ligado? Estrutura prende. Esse outro Marco que tu falou aí é daquela galera lá do determinista. Maió sugeira doido! Tem polícia e tudo.&lt;br /&gt;[02/06/2008 23:35:59] Martinho Ferrador diz :Eh verdade que teu amigo Marco Teórico é francês?&lt;br /&gt;[02/06/2008 23:36:20] Martinho Ferrador diz :Por que eu ouvi falar que os melhores Marcos são estranjas, tudo gringo!&lt;br /&gt;[02/06/2008 23:36:46] Fortunato Pata-de-Elefante diz : Sei direito não.Ele vive tirando onda, dizendo que se dá bem com as Europa e os EstadoZunidos, tá ligado.&lt;br /&gt;[02/06/2008 23:37:09] Fortunato Pata-de-Elefante diz :Se agarante, rapai. Né um zé mané do Brasil não... Aprendeu de fora. Se ligue mermo, né assim não doido!&lt;br /&gt;[02/06/2008 23:37:23] Fortunato Pata-de-Elefante diz :Ele só gosta de coisa fina, importada.&lt;br /&gt;[02/06/2008 23:37:44] Martinho Ferrador diz :Aquela professora inglezia, adora um Marco, né?&lt;br /&gt;[02/06/2008 23:38:35 Fortunato Pata-de-Elefante diz : Mai teco. Marco faz que tem gente rapai, tu num sabe, ele faz que tem gente que escreve um texto em português sobre autor sueco só com referencias em alemão, dá pra tu? tu se agarante?&lt;br /&gt;[02/06/2008 23:39:03] Fortunato Pata-de-Elefante diz :Ela gosta muito de Marco essa professora ai. Mai teco.&lt;br /&gt;[02/06/2008 23:39:20] Fortunato Pata-de-Elefante diz :Dizem que todos abrem pra esse tal de Marco.&lt;br /&gt;[02/06/2008 23:39:30] Martinho Ferrador diz :Tô ligado que Marco tá passando rodo geral nas boyzinhas do CENTRO DE FOFOCAS COTADAS SARCASTICAMENTE (CFCH).&lt;br /&gt;[02/06/2008 23:40:25] Fortunato Pata-de-Elefante diz :totalmente!" Pode passar o rodo, e me mandar embora, que eu vou ficar com o Marco lá do lado de fora!" É o funk do Marco, o Teórico...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;ps: Esse texto foi fruto de horas e horas de divagação sobre a filosofia dioreica de Platão. As idéias foram todas tiradas de aula ministrada pelo professor Cesiobaldo Rosa Melo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-1492410282456397080?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/1492410282456397080/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=1492410282456397080&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/1492410282456397080'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/1492410282456397080'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2008/06/dilogos-dissonantes-no-msn-em-alguma.html' title=''/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-1561458237373824907</id><published>2008-05-26T20:00:00.002-03:00</published><updated>2008-05-26T21:44:33.224-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;Trecho da entrevista com Alfredo Cesar Melo &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como vocês que acompanham o blogue sabem, o que vou aqui dividir com vocês é parte de uma das entrevistas que vai servir de material empírico para um pequeno estudo sobre as maneiras de perceber a sociologia no CFCH, no departamento de sociologia. Decidi que não vou mostrar antes de terminadas todas as transcrições minhas opiniões e análises sociológicas.  Maneira de ver o que as entrevistas dizem de maneira menos controlada, de refletir mais tranquilamente sobre o que se diz...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escolhi alguns trechos para por conta do caráter de testemunho sobre a experiência escolar contido nele. Nele há informações sobre muitos de nós, que chegamos, quase todos, no universo das ciências sociais desconhecendo o que ele de fato pode nos oferecer, tanto no sentido de tipo de conhecimento que essas ciências caracterizam como no que se refere ao mercado de trabalho. Aqui, pessoalmente, com experiência oposta ao sucesso escolar de Cesar, percebo que o que ele diz pode ser lido, de alguma forma, como um testemunho que atesta a grande derrota que é nosso sistema escolar com esse sistema de vestibular tal como ele se apresentou para nós. Também mostra que outros obstáculos se apresentam para quem se aventura pela seara das ciências humanas.  Vejamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Jampa&lt;/strong&gt; –  Eu queria voltar a essa relação entre você, sua família e a escola. Você lembra de algum momento onde existiam reações positivas ou negativas de seus pais com suas notas, seu processo de aprendizado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cesar&lt;/strong&gt; – Sim. Sim. Sim [com ênfase]. Eu acho nesse sentido sim. Eu sempre fui bom aluno. Aluno cdf , aluno certinho. Daqueles que choravam quando tirava uma nota abaixo de sete. Né? Sempre fui muito aplicado. Nunca fiquei em recuperação. E meus pais sempre se orgulharam muito disso. E eu acho que isso era importante, né? Sobretudo numa época na infância em que você não está estudando porque você tem algum tipo de ambição, ou porque você quer ser alguém na vida, você está estudando sobretudo para  agradar enfim as pessoas que lhe cercam, existe uma tentativa de conformidade às convenções sociais. Mas apesar disso, assim, eu nunca nunca gostei, da da, da minha experiência na escola, apesar de ser um bom aluno, eu nunca gostei muito da escola, como ela, como ela, sobretudo no ensino médio, eu sempre achei insuportável, a maneira como tinha que decorar as informações, como eu tinha que estudar muito mais matemática, química e física do que as matérias que eu gostava,que era ciência e filosofia ou... ciência, filosofia, matérias especulativas como história, né sociologia [com certa ênfase, talvez por ser eu o entrevistador] Isso tudo era absolutamente abafado no ensino médio, e e... nesse sentido eu sempre achei o ensino médio muito medíocre, e eu acho que gostava... eu cheguei às Ciências Sociais, apesar do ensino médio e não por causa do ensino médio. Não houve nenhum estimulo a que eu seguisse essa carreira, eu acho que não houve nenhum estimulo a especulação, a crítica, é, entende?, sempre um ensino médio voltado às carreiras de classe média, um ensino médio arrivista, voltado às carreiras de classe média, às carreiras de direito, administração, a conhecimentos técnicos que levem você a posições de ascensão social, e eu sempre, eu nunca me identifiquei com isso, apesar de ser um bom aluno... e de ter... inclusive, no vestibular de Ciências Sociais de 98, eu entrei com uma nota que podia ter entrado em Direito, que Direito e Ciências Sociais estavam no mesmo grupo, no grupo dois, e eu entrei com uma nota que podia ter entrado na faculdade de direito, o que realmente revoltou pessoas da família, etc. “como é que você abandona uma carreira promissora pra uma certeza de desemprego”, né? Então...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[...]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Jampa&lt;/strong&gt; – [tem algumas perguntas que vou pular...] Por que Ciências Sociais (CS) na Federal (UFPE)?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cesar&lt;/strong&gt; — Assim, por que CS na UFPE?, como eu te disse,  só pra complementar... eu não sabia exatamente o que estudar, então eu fiz vestibular de filosofia na Católica, é... CS na UFPE, e a Administração na FESPE, porque como eu não podia fazer economia na FESPE, ou... perdão, economia na Federal nem economia na FESPE, perai, economia na Católica nem economia na Federal, porque na Católica eu ia fazer Filosofia e na Federal Ciências Sociais, resolvi fazer administração que seria um curso que poderia me dar algum conhecimento nessa área, obviamente que era um engano completo, eu não fazia a menor idéia do que era um curso de administração, uma coisa insuportável pra mim, enfim... E, e... Filosofia, eu nem me lembro se eu fiz o vestibular, eu acho que não. Porque eu já tinha passado nas duas universidades, na Federal e na FESPE. Então eu acho que nem cheguei a fazer o vestibular de Filosofia. E ai fiz durante um ano as duas faculdades, que serviu como estratégia d´eu fazer.... em termos de política da boa vizinhança na classe média, né, de você não entrar cem por cento num curso de CS, você sempre dizia eu também tou fazendo um curso de administração que é um curso socialmente aceito, então foi uma maneira também de dar uma resposta para aquelas pessoas, né, que você precisa de certa forma tá numa profissão rentável, então eu sempre dizia tou fazendo CS que um curso que eu gosto mas também tou fazendo administração.  Ai um ano depois do primeiro ano, no segundo ano, eu entrei no PET, que é o programa especial de treinamento de CS da UFPE, e ai isso me dava uma bolsa, de 240 reais que na época eram dois salários mínimos, era bastante dinheiro, e isso exigia dedicação exclusiva, então foi uma ótima desculpa para sair da faculdade de administração, tranquei a faculdade, e ai ingressei totalmente no curso de CS, agora dizendo que recebia uma bolsa, recebia dinheiro, então era uma maneira também de indicar minha seriedade nesse curso, entede as opções? Ficou claro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Jampa&lt;/strong&gt; - [...] Então pergunta é: houve encantos, deslumbramentos [na chegada à universidade]?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cesar&lt;/strong&gt;-  sim, sim, sim. Porque como eu lhe disse, entrar na UFPE foi uma experiência absolutamente fundamental, uma experiência, assim, que me desasnou também. Nesse sentido como lhe falei eu tive um ensino médio muito reprimido, onde as grandes questões, toda minha curiosidade intelectual era reprimida, digamos assim, por um ensino médio idiotizador, marcador de X, né, chegar na universidade foi quase como chegar numa terra  prometida, a muito tempo prometida, né? Eu me lembro o quanto eu me deslumbrei com a biblioteca da universidade federal, com a biblioteca central, com a biblioteca do CFCH, ver autores que eu só via no rodapé de artigos da F.de São Paulo, e poder conhecer esse mundo, né, foi um mundo, foi um encontro assim, foi um belíssimo encontro nesse sentido, né de..., eu aproveitei muito a biblioteca, todo aquele mundo enfim que eu esperava e que eu ansiava finalmente existia, e também eu acho que a grande diferença, é... o que faz a universidade ser não um repositório de livros e de cadeiras são as pessoas que estão lá, e essa é grande diferença que faz entre universidade federal e as outras faculdades ou faculdades no Recife, eu acho que foi um lugar de encontro também, um lugar de encontro que também mudaram minha vida, com pessoas muito interessantes, e que compartilhavam comigo desse ideal e dessa vontade de discutir, etc, então eu acho que foi uma experiência, o primeiro ano foi algo muito importante assim, o mundo que eu descobri e que eu me senti muito a vontade nele.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;[to be continue?]&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;ps: O registro oral foi guardado por conta de seu interesse no tipo de análise que depois iremos fazer.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;ps2: a publicação foi autorizada pelo entrevistado. :)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-1561458237373824907?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/1561458237373824907/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=1561458237373824907&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/1561458237373824907'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/1561458237373824907'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2008/05/trecho-da-entrevista-com-alfredo-cesar.html' title=''/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-7875095499374948876</id><published>2008-04-28T09:17:00.002-03:00</published><updated>2008-04-28T09:24:08.037-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sociologia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Procedimento'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cesar'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Entrevista'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Antes da entrevista com Cesar&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de publicar algo, como havia prometido, da minha conversa com Cesar, gostaria de atentar para algumas idéias norteadoras que deram origem a entrevista. Faço isso porque acho importante falar de onde parto para tratar as informações deixadas no material, uma vez que as perguntas foram formuladas no sentido de trazer elementos para dar respostas a algumas dessas inquietações mais gerais. E por achar também que isso não gera problemas para trabalho em si, no sentido de pessoas que ainda não foram entrevistadas lerem esse texto e isso criar um enviesamento na mini-pesquisa. Acho que traria apenas mais reflexividade às resposta o que não seria de todo ruim. Claro, a entrevista com Cesar vai valer por por si só como leitura. A sociologia chega apenas como “maneira de adentrar” nesse universo e problematiza-lo. Ela bem poderia ser lida de outra forma, e a validade não seria necessariamente menor por isso.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então vejamos: a entrevista foi realizada na intenção de recolher informações sobre os processos sociais agindo no momento da formação intelectual de alguns alunos do CFCH. A escolha de Cesar como “personagem” dessa análise tem como justificativa principal o enquadramento dele, em termos objetivos, nas categorias escolhidas como pertinentes para inteligibilidade de nosso argumento. Tais categorias existem para e na construção sociológica de nosso estudo na medida em que são empiricamente reconhecíveis no &lt;em&gt;percurso escolar&lt;/em&gt; (agora sociologicamente enquadrado) e &lt;em&gt;universitário&lt;/em&gt; da pessoa entrevistada. Como se trata de problematizar as relações sociais que influenciam no percurso acadêmico lidando com questões de legitimidade (queremos descrever os momentos das escolhas intelectuais salientando as tomadas de posição diante de um cenário de possibilidades existentes), as categorias retidas como operacionais são as que indicam, de alguma maneira, o que podemos chamar de &lt;em&gt;modelo de excelência&lt;/em&gt; nos resultados escolar-acadêmicos. Dessa forma a “amostra” de entrevistados leva em conta a &lt;em&gt;rentabilidade escolar&lt;/em&gt; dos escolhidos (que o são em função dessa mesma rentabilidade) e de suas respectivas trajetórias de “sucesso reconhecido” dentro da instituição. “Rentabilidade escolar” e “sucesso reconhecido” são categorias operacionais para nós na medida em que aceitamos, ou melhor, na medida em que se é aceito a legitimidade do sistema de notas e avaliação no qual as capacidades dos estudantes são postas a prova e reconhecidas formalmente pela instituição como sendo válidas. Não sou eu, Jampa, quem diz da rentabilidade ou sucesso escolar, são as notas, o currículo, o capital escolar medido em função desse desempenho de ordem formal.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nas entrevistas nos interessamos por todas as informações que tratem das estratégias de posicionamento no meio, que digam respeito ao ambiente de aceitação de certas idéias e posturas e, claro, rejeição de outras.  As expectativas de aceitação no meio (que tipo de estudante é tido como melhor? Que tipo de trabalho é melhor, mais inteligente?) podem servir como “indicadores sociológicos” ou “indícios de um processo de socialização escolar-acadêmico” onde hierarquias de objetos, assuntos, maneiras de encarar a sociologia e outras disciplinas são estabelecidas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Com suas construções hierárquicas sendo operadas por um jogo sutil de aceitação e acomodação sociais das potencialidades dos estudantes em universo universitário, essas lógicas de construção social operam no sentido de se camuflar e, socialmente, aparecem apenas como intelectualmente estabelecidas. Na verdade, fazemos hipótese, é o pertencimento mesmo ao mundo dado, pré-reflexivo num universo de reflexão, que explica alguns porquês dos sociólogos terem tanta dificuldade em aceitar que o mundo da sociologia também é regido por condicionamentos de ordem social. Com esse recorte teórico de material empírico específico (as entrevistas, que além da de Cesar pretendemos trazer outras de perfis diferentes) esperamos encontrar surpresas muito interessantes sobre as formas de funcionamento social de um universo que imagina se auto-conhecer e usa, não poucas vezes, a própria sociologia como recurso velador dos processos sociais que operam na produção de sociólogos e de suas respectivas sociologias.  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-7875095499374948876?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/7875095499374948876/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=7875095499374948876&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/7875095499374948876'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/7875095499374948876'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2008/04/antes-da-entrevista-com-cesar-antes-de.html' title=''/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-7647286111092113327</id><published>2008-04-21T06:16:00.005-03:00</published><updated>2008-06-20T00:07:40.580-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O Oxymore volta oxigenado. A viagem aos Estados Unidos trouxe gás para esse blogueiro que, depois de uma pequena crise de identidade (o blogue queria tomar ares de produtividade não condizentes com a personalidade de seu autor), volta para blogosfera com todo gosto! E esse primeiro post fala um pouco das minhas peripécias intelectuais na terra do Tio Sam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O BRASA em NOLA e Jampa nel@s!&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O &lt;a href="http://www.brasa.org/"&gt;BRASA&lt;/a&gt; aconteceu na aconchegante cidade de New Orleans. O congresso que contou com a presença de vários estudiosos do Brasil nacionais e (im-ex-)portados já foi comentado &lt;a href="http://www.idelberavelar.com/"&gt;aqui&lt;/a&gt; (segunda-feira, 31 de março 2008.) De minha parte, falarei apenas de minhas impressões pessoais do evento, da experiência de quem viu e participou como um "estranho no ninho".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;José Miguel Wisnik&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Logo no hotel, encontrei um homem que me observava com um olhar esguio, porém curioso. Notei no jeito dele de me afeiçoar um traço triste no olhar. E aquilo nos olhos dele combinava com algo mais, parecia ser simpático e tímido. Aproximou-se e falou rapidamente comigo:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;– tudo bem? Brasileiro? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;– sim, brasileiro. Vim pro congresso. Você também? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;– Sim. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;– vai apresentar um trabalho também?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;– fui convidado para fazer a palestra de abertura, vou falar sobre Machado de Assis e a música, o maxixe, a polca. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim. É claro Jampa. Você estava falando sem saber com &lt;a href="http://www.entrecantos.com/wisnik.htm"&gt;José Miguel Wisnik&lt;/a&gt;. E é lembrando dessa cena falando com o Wisnik e, claro, as devidas proporções guardadas, que penso em um filme do Tim Burton, onde o cineasta imagina o encontro de Orson Welles com um hoje celebrado autor de cinema de péssima qualidade técnica chamando &lt;a href="http://minadream.com/timburton/EdWood.htm"&gt;Ed Wood &lt;/a&gt;(considerado por muitos como autor “cult” em nossos dias): na cena a qual me refiro os dois cineastas se ignorando mutuamente falam de igual para igual descrevendo suas respectivas paixões pelo cinema...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim. Eu o ignorava em todos os sentidos, da obra à fisionomia, da formação uspiana á leitura aparentemente já famosa do conto de Machado de Assis. Ele era para mim, ali, apenas e mais nada um homem de olhar triste, um brasileiro de cabelos grisalhos que iria fazer uma palestra de abertura no meu primeiro congresso internacional... E isso já era muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele seria, um dia depois desse encontro casual, o executor de uma aula magistral, onde com muito carisma fascinou e cativou a platéia inteira. Com sua leitura de um conto de Machado de Assis, onde ele encontra uma inesperada e contra-intuitiva maneira de entender a sensibilidade machadiana para tratar de dilemas da cultura brasileira, Wisnik, dialogando a contrapelo com as “idéias fora do lugar” de Roberto Schwarz (leitura minha), conquistou a todos com seu bom humor na apresentação de um Machado de Assis sensível ao “maxixamento da música brasileira”...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa noitada depois da abertura, encontrei-o novamente, mais uma vez por acaso. No meu deslumbre, meio que cheio de trejeito suburbano, dessa vez tentei falar de meu trabalho de tese para ele, em busca de comentários críticos ou algo parecido. Simpático, ele me ouviu com o mesmo sorriso triste do primeiro diálogo. Suas feições finas me intimidavam e a situação, dentro de um bar, a espera do recomeço de um show agitadíssimo e dançante, não era de fato a ocasião mais adequada para se falar de sociologia implícita no romance social. E creio que, mesmo em ocasião apropriada, não chamaria tanto do entusiasmo dele. Meio cabreiro com a simpatia e amabilidade do homem de olhar triste e cabelos grisalhos, agora intelectual reputado e respeitado, senti aquela sensação de vira-lata com fome ao procurar carinho, atenção e quem sabe comida de transeuntes...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A sociologia implícita no BRASA&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa sala com pouca gente, falei durante vinte minutos sobre a idéia de sociologia implícita e de como a utilizo para tentar captar lógicas sociais e enquadrar a relação da sociologia com o romance social, como também a do romancista com o sociólogo, usando a obra romanesca de Graciliano Ramos como base de leitura. O público se reduzia a um pequeno grupo de latinoamericanistas da Ohaio University que havia organizado a mesa sobre literatura e teatro no Brasil do século XX. Havia ainda um brasileiro que estuda Graciliano Ramos e que faz o doutorado dele na Paraíba, que também já conhecia o pessoal da Ohaio.( Coisas de Brasil, falamos sobre o mesmo tema e tomamos conhecimento um do outro nos EUA.).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Repercussão e sociabilidade dos intelectuais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Mais uma vez saio de um congresso sem saber o que as pessoas acharam do meu trabalho. Nenhum comentário crítico. Nenhuma ponderação a respeito dos procedimentos, nenhum adendo aos ou negação dos argumentos defendidos. Nem positivo, nem negativo. Silêncio total. Nenhuma palavra sobre as análises feitas ou pretendidas. Fico com a impressão de que o trabalho não tem ressonância, que é uma espécie de voz que não ecoa por alguma razão. Portanto, peso, houve reação ao outro trabalho sobre Graciliano Ramos. O que há então? Será que existe vácuo no ar no qual a sociologia implícita tenta se propagar? Seria uma idéia tão sem lugar de ser a que tenta mostrar, apoiada em documentação apropriada, uma articulação tensa entre sociologia e literatura na qual se apóia boa parte das formas de classificação de práticas intelectuais que são até hoje vistas como infusas no Brasil? Ou será a insipidez do trabalho que gera tanta insensibilidade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, percebi já antes de minha apresentação, que congresso é um lugar mais de sociabilidade, de trocas sociais, do que propriamente de trocas acadêmicas em sentido estrito. As pessoas que vão ao congresso na verdade sabem que em 15 minutos não se consegue falar muito sobre nenhum propósito intelectual mais complexo. Assim, naturalmente, o ambiente do congresso é mais um espaço para o encontro e a troca de contatos e onde, ocasionalmente, existe debate acurado sobre algo, aqui e acolá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Notei isso porque junto com meu amigo Lula gostaríamos de ter encontrado com Idelber Avelar, blogueiro do &lt;a href="http://www.idelberavelar.com/"&gt;Biscoito Fino &lt;/a&gt;(citado em posts anteriores) e professor em Tulane University, instituição que acolheu o congresso. Mas depois de tentar algumas vezes o contato com ele, sem sucesso, não por falta de acessibilidade de Idelber, mas e mais pelo volume de demanda de colegas e conhecidos dele, a aproximação ficou completamente tumultuada e inviabilizada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra coisa que notei por conta dessa sociabilidade específica ao congresso: existe uma tensão tênue e difusa estabelecida entre os estudiosos do Brasil que estão no país e os que estão nos EUA. É perceptível que questões como “o que significa estudar o Brasil sendo um scholar numa universidade americana?”, ou como “o que significa produzir conhecimento sobre o Brasil fora das condições de produção intelectuais brasileiras (que ainda diferem entre si de federação para federação)?” aparecem de forma muito recalcada. Ficam latentes, sobretudo, a meu entender, na impaciência de alguns brasileiros trabalhando nos EUA com maneiras de trabalhar e encarar o trabalho de alguns brasileiros fincados no Brasil. Por outro lado, é engraçado perceber, por exemplo, o quanto o encantamento com a biblioteca latino-americana da Tulane Univerty representava num “assim é muito fácil pesquisar” uma espécie de posicionamento ambíguo com relação à qualidade dos trabalhos produzidos e a se produzir por partes do estudiosos trabalhando nas instituições brasileiras...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Transparecendo de maneira desigual em diferentes momentos do congresso, a textura da relação de poder (diria relação de dominação, mas sei que as coisa não se dão de maneira linear, de cima para baixo) que se estabelece entre os que buscam ter “mais condição de dizer coisas sensatas a respeito do Brasil”, tanto aqui como lá, é o revés de uma sociabilidade que, longe de ser traço apenas de uma “brasilidade”, se imiscui no brasilianismo que, dessa forma tenta ser, também, uma letra americana sobre o Brasil para brasileiro ver. Bem, falo essas coisas de maneira muito livre, são impressões minhas isso que digo. E é algo a ser analisado com mais vagar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Jampa em São Francisco: a visita &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além do BRASA, houve outro momento de intensidade intelectual na minha viagem. A visita ao meu querido amigo &lt;a href="http://www.donquijote.blogspot.com/"&gt;Cesar&lt;/a&gt;, “exilado” teuto-sergipano na California, um dos únicos intelectuais a conseguir fugir de &lt;a href="http://www.adorocinema.com/filmes/alcatraz/alcatraz.asp"&gt;Alcatraz&lt;/a&gt; (ele acaba de ser banido para Chicago por excesso de bom comportamento!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olha, falar de Cesar é tão difícil do que conversar com ele. Não digo isso como algo negativo. Passamos horas e horas a fio em nossas conversas intermináveis sobre nossos projetos intelectuais, sobre nossas lembranças de uma formação conjunta em solo recifense, sobre política brasileira, sobre nossos amigos e inimigos comuns, sobre as eleições nos EUA, em Recife, sobre relações afetivas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não deixa de ser engraçado e sintomático. Cesar possui uma erudição discreta, no sentido de ser contida na grandeza dela, de não se expandir em alardes intelectualistas. E isso torna possível nosso dialogo intelectual, já que existe desnível na acumulação de referências. A dele muito maior que a minha. Digo isso porque é essa minha percepção do amigo que, muitas vezes, põe e transpõe a diferença mesma no volume de conhecimento. O que é fascinante em nossas trocas é que elas parecem ser, sempre, a expressão de formas de encarar o trabalho intelectual diferentes, de reconhecê-lo em si(em nós), porque são elementos constitutivos de duas trajetórias que são muito diferentes entre si, mas que são o traquejo do que se chama “intelectualidade” nele e em mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiz uma entrevista com ele, belíssima por sinal, que em breve fará parte de um pequeno estudo sobre lógicas de funcionamento sociais na maneira de produzir conhecimento dos sociólogos do departamento de sociologia da UFPE. Pretendo deixar aqui no Oxymore uma amostra grátis da entrevista com trechos interessantes e ilustrativos de uma fala que mostra alguém em início carreira, mas que com uma base sólida, com reflexividade suficiente para inferir sobre aspectos de um socialização acadêmica, deixa informações importantes para o sociólogo ávido por explicar como funciona seu próprio universo de produção. A Cesar meu muito obrigado por tudo, pela gentileza de conceder a entrevista, pela amizade e hospitalidade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Loïc Wacquant&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como estava em Berkeley, aproveitei e fui ter uma conversa com &lt;a href="http://sociology.berkeley.edu/faculty/wacquant/"&gt;Loïc Wacquant &lt;/a&gt;Recebeu-me cordialmente em sua sala. Falamos basicamente sobre a tradução que fiz de um dos textos dele, ainda não publicada, e de Bourdieu. Na verdade, discutimos a recepção enviesada da obra de Bourdieu que é lido, não raramente, tanto lá quanto aqui, como um teórico da sociedade, como estudioso da cultura, e pouco como sociólogo. Ele me falou da importância da revista &lt;a href="http://www.cairn.info/revue-actes-de-la-recherche-en-sciences-sociales.htm"&gt;Actes de la Recherche en Science Sociales&lt;/a&gt; para a formação dele, e eu, brevemente, de minha formação francesa. Para mim foi importante ouvir dele que existe resistência dentro das instituições (por parte de outros professores e dos alunos) ao tipo de procedimento (principalmente na escrita) de trabalhos científicos onde a idéia de rigor está justamente embasada na explicitação dos passos, na descrição do protocolo de condutas, na enumeração das dificuldades encontradas e das soluções estabelecidas. A aparência inacabada de um trabalho que expõe os passos de seu procedimento (que é uma das idéias motoras da revista Actes de la recherche) é muitas vezes confundida com falta de rigor e, por conta disso, uma epistemologia séria contida nessa conduta, vinculada à tradição oriunda do racionalismo aplicado de Bachelard (lida por Bourdieu a luz de uma sociologia sensível às lógicas práticas presente na ação social), é vista com maus olhos por muitos, principalmente por representar uma ameaça a formas de pesar e fazer o trabalho intelectual muito entranhadas no universo acadêmico. Muito proveitosa nossa conversa. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-7647286111092113327?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/7647286111092113327/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=7647286111092113327&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/7647286111092113327'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/7647286111092113327'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2008/04/o-oxymore-volta-oxigenado.html' title=''/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-202754286506600228</id><published>2008-01-25T00:51:00.000-03:00</published><updated>2008-01-25T01:01:53.248-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;A refutação sociológica do argumento biologizante de fenômenos culturais&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe uma máxima metodológica no trabalho de Emile Durkheim que diz que um fato social só pode ser explicado por outro fato social. Enunciada num livro que tratava dos pressupostos pelos os quais o autor propunha os procedimentos e as disposições intelectuais necessárias para a produção de uma disciplina autônoma, a sociologia, tal requisito metodológico só ganhava plena força quando associado ao que ordenava tratar os fatos sociais como coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dito dessa forma, a região epistemológica da sociologia se confundiria facilmente com um empirismo ingênuo( que chamaremos aqui-acolá de empiricismo). Empiricismo que esquece que, como dizia Saussure, “o ponto de vista cria o objeto”. Seria injusto chamar Durkheim de empirista tosco, uma vez percebida a ênfase dada pelo autor de &lt;em&gt;As formas elementares da vida religiosa&lt;/em&gt; ao principio de exterioridade como sendo um “tratar como”. Ele de fato defendia que o procedimento metodológico fundamental (aquele que garantia a objetividade especifica da sociologia) era também uma “atitude mental” que procura reter aspectos pertinentes do real que não poderiam ser tratados como entidades isoladas sem relações entre si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, feito esse breve preâmbulo de epistemologia da sociologia, gostaria de refletir sobre a possibilidade do estabelecimento concreto de dialogo entre disciplinas como a sociologia e a biologia, em especifico desta última o seu galho chamado neurociência. Instigado pelo interessante debate a respeito de uma pesquisa que busca formular hipóteses sobre os condicionantes neurofisiológicos da violência ( cf : &lt;a href="http://www.idelberavelar.com/"&gt;http://www.idelberavelar.com/&lt;/a&gt;) ,volto-me para um debate clássico para explorar meu ponto de vista. A ruptura com a lógica da biologia é elemento constituinte da especificidade do tipo de raciocínio ao qual designamos de sociológico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão que me faço é: o que está em jogo quando, por exemplo, queremos saber se existe ou não condicionantes neurofisiológicos para o fenômeno da violência? Se pusermos em par de “equidade epistemológica” a sociologia e as neurociências, se convimos que os dois tipos de ciência formulam seus objetos no mesmo espaço de asserção, é possível e aceitável que o debate a respeito da violência se dê em termos de questionamento sobre procedimentos técnicos de pesquisa (o que a meu ver, é recorrer a uma visão empiricista não condizente com o atual estatuto epistemológico de nenhuma ciência social), como por exemplo, explorar a deficiência ou qualidade da amostragem estatística(ver comentário de Marden Muller, cidato por César, na caixa de mensagens do Biscoito Fino). Por desconhecer às especificidades da neurociência, falo apenas do espaço assertivo da sociologia que, ao que parece, não entra no mesmo regime de verificação e prova (graças!) das ciências, digamos assim, mais popperianas. É nesse sentido que acho que o dialogo entre as duas disciplinas se dá em diferentes regimes de asserção onde o caráter ontológico da violência é situado de maneira diametralmente oposta em cada uma delas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trabalhando em analogia, pego um exemplo dessa lógica numa obra de Norbert Elias, &lt;em&gt;Mozart: sociologie d´un genie&lt;/em&gt;. Trata-se da afirmação do principio durkheimiano da explicação do fato social pelo fato social. Lidando com as explicações correntes da obra de Mozart ele reage da maneira seguinte às idéias de “gênio nato” e de “dom nato da composição”:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“ &lt;em&gt;Dizendo de uma particularidade estrutural de um individuo que ela é inata, deixamos entender que ela é geneticamente condicionada e depende da hereditariedade biológica, ao mesmo título que as cores de cabelo e olhos. Entretanto é completamente excluído que um ser humano possa apresentar uma disposição natural inscrita nos seus genes correspondentes a algo de tão artificial como é a música mozartiana&lt;/em&gt;”. (Mozart: sociologie d´un genie, 1991,Paris, Seuil. p. 89)     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se trata, como se vê, na argumentação de Elias, de negar a existência da realidade especifica dos determinantes genéticos, mas da impossibilidade de compatibilizá-los à natureza distinta do fenômeno, para com isso dar sentido a explicações biológicas de coisas pertencentes a ordens extra-biológicas.  No caso analisado por Elias um objeto sócio-cultural como a música. É por isso que mais a diante no texto ele conclui:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;Se uma disposição biológica intervinha no seu imenso talento, ela não poderia ser outra coisa senão uma disposição extremamente genérica, e não especifica, e para a qual não teríamos nem mesmo conceitos adequados no estado atual das coisas&lt;/em&gt;”. (idem, p.90)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso de um objeto como a violência, onde algumas reações físico-quimicas parecem dar sustentação às explicações estritamente neurofisiológicas da violência, a relevância do principio da homogeneidade da argumentação científica me parece mais do que necessária para pensar o que se está em jogo nesses debates.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acredito que, talvez, se a questão for apenas o dialogo que as duas disciplinas podem manter entre si mesmo sendo epistemologicamente heterogêneas, se possa tirar proveito da própria repercussão do caso do anúncio da pesquisa da PUC-RS. (&lt;a href="http://www.apm.org.br/aberto/noticias_conteudo.aspx?id=5598"&gt;http://www.apm.org.br/aberto/noticias_conteudo.aspx?id=5598&lt;/a&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As refutações que eu julgo inoperantes por não distinguirem o registro de asserção específico das ciências em questão são extremamente ilustrativas de como o dialogo poderia se estabelecer de maneira sadia para o desenvolvimento do saber científico. O fato de existir na sociologia uma larga e relevante experiência na construção de amostragem significativa de populações levando em conta aspectos relevantes contidos nas informações sociológicas produtoras de viés (classe, grupo, agrupamento etc.) faz com que seja possível a identificação de limites técnicos de amostragem (mesmo para fins de conhecimento de reações neurofisiológicas em indivíduos). O que não pode, é querer que o fenômeno social da violência, identificado e construído sociologicamente, seja negado ou explicado em nome de determinantes que por si sós, só conseguem se auto-justificar a si mesmas no domínio de asserção que lhes são próprias, o da ciência que lhes deu estatuto de realidade. É como querer, pelo contrário, que explicações em termos de legitimidade, ou socialização, expliquem a realidade “contextual” dos nossos códigos genéticos ou coisas dessa natureza. Parece-me, nos dois casos, lógicas absurdas. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-202754286506600228?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/202754286506600228/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=202754286506600228&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/202754286506600228'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/202754286506600228'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2008/01/refutao-sociolgica-do-argumento.html' title=''/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-1501595204102551415</id><published>2008-01-05T12:07:00.000-03:00</published><updated>2008-01-11T08:00:36.126-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;A letra A para novo Ânus...&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é um blogue para aventureiros. Pela falta de ritmo do autor, os parcos e fieis leitores passam semanas sem ter notícia de quando palavras confusas vão novamente jogar para beira-blogue antigas asneiras. Assim, vez por outra, incansáveis, esses bravos arriscam seus olhos nesse bravo mar de incertezas que é o Oxymore.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vou aqui assumir novos velhos compromissos de estabilidade na produção das reflexões até então esparsas desse blogueiro esfarrapado. Mas, porque mais começo do que fim de ano, eu me arrogo aos votos de que a produção de textos seja plena. Ou... ao menos maior e um pouco mais sistemática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Letra A Do ânus do piauiense: da relação entre humor e sociologia&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Neste post trago um comentário meu a respeito do livro &lt;em&gt;Transpiauí, uma peregrinação proctológica&lt;/em&gt;, de Mr. Manson, famoso blogleiro dono do &lt;a href="http://www.cocadaboa.com/"&gt;Cocadaboa&lt;/a&gt;. Tomei conhecimento do livro através de outro blogue, o Biscoito Fino, que considero muito bom e pode ser acessado no seguinte endereço: &lt;a href="http://www.idelberavelar.com/"&gt;http://www.idelberavelar.com/&lt;/a&gt;. Nele o autor comenta de maneira descontraída temas como literatura, futebol, política etc. e indica vez por outra, claro, outros blogues interessantes, como o polêmico e humorístico site de Mr. Manson, autor de grandes peripécias na blogosfera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro, minha reflexão não valerá nunca a experiência de cada um ao ler o texto. Pessoalmente qualificaria de maneira espontânea o livro chamando-o de um verdadeiro experimento de &lt;em&gt;etnohumoristografia anal&lt;/em&gt;, novo gênero que associa etnografia e humor num relato de viagem realizada pelos confins do Piauí (apelidado para fins literários de &lt;em&gt;cu do mundo&lt;/em&gt;). É fortemente aconselhada a leitura bem feita do livro que se encontra na íntegra na internet no site do Mr. Manson.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixando os rodeios, vamos lá... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O nascimento de um clássico&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Minha primeira impressão do livro me diz que se trata de um livro sério, muito sério. Sim, porque nenhum livro de etnohumosristografia que se preze (mesmo sendo esse o primeiro do gênero, talvez por isso já um clássico com marcas indeléveis para a posteridade) pode dispensar a gravidade tensa que se faz presente na produção aparentemente despretensiosa de piadas que evoquem tão fortemente o estranhamento intra-brasil de brasis que, por preconceito (que é tudo aquilo que existia antes da viagem e das piadas do autor), se desconhecem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro todo é acompanhado por essa tensão psicológica que é representada literariamente pela narrativa em primeira pessoa e liga o bom humor ao mau do autor através de (e)vocação humorística. Na luta entre esses dois pólos de natureza psicológica, a piada sempre vence, pois, torna-se o foco narrativo, trazendo a tona desconfortos sórdidos de natureza sócio-culturais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É extraordinário exemplo disso o capítulo que o autor dedica a uma sarcástica e bem humorada descrição de uma revelação mística à Paulo Coelho. Se é certo que brincadeiras com os exercícios místicos propostos pelo autor do &lt;em&gt;Diário de um Mago&lt;/em&gt;, não é nenhuma cartada de gênio, é preciso também convir: o tom falsamente despretensioso de um misticismo que zomba do misticismo aliado à evocação bem alocada de elementos sócio-culturais específicos dão elementos suficientemente contrastantes para nos impelir a uma reflexão bem ou mal humorada a respeito de nossa realidade complexa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vale a pena transcrever trecho revelador nesse sentido:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Já tinha perdido toda a minha fé nas tais “divindades do humor”. Para mim, a brincadeira tinha definitivamente acabado. Se pudesse, sairia dali direto para a minha casa sem pensar duas vezes. Foda-se livro, foda-se peregrinação, foda-se o Piauí! Como eu pude ser tão idiota a ponto de achar que conseguiria sair de casa sozinho, mergulhar no cu-do-mundo sem plano ou estrutura e sair ileso? Todo mundo que me chamou de maluco, me alertou, se preocupou e disse que eu não precisava fazer isso para escrever um livro estava certo. A minha mania de ser sempre “do contra” e a minha arrogante pretensão de querer estar sempre nos “limites do humor” tinham me colocado nessa merda. Me convenci de que o pior desfecho possível para essa viagem era a coisa mais provável e lógica que poderia acontecer. Qualquer ser de bom senso seria capaz de prever isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma hora e dez minutos. Finalmente eu vejo uma moto no horizonte! Estava puto com aquele arrombado, mas não poderia esconder a minha felicidade em vê-lo. Senti um alívio, mas logo percebi algo estranho. Ela se aproximava muito lentamente. Aos poucos percebi que não era uma moto, mas uma bicicleta! Quando já estava bem perto, vi que se tratava de um velhinho com chapéu de palha e cachimbo na boca!&lt;br /&gt;Não sei quem achou esse encontro mais surreal, eu ou o velho! Ele estava diante de um cara fritando no meio do deserto. Eu via um coroa surgido do nada e pedalando debaixo de um sol escaldante rumo a lugar nenhum. De longe, os nossos olhares já se cruzaram. Não con-seguíamos parar de nos encarar. Quando chegou bem na minha frente, ele parou. Ajeitou o chapéu, tirou o cachimbo da boca e ficou olhando para mim, aguardando uma explicação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Eu estava indo para o parque de moto-táxi, só que o pneu furou e o guia teve que voltar até a cidade para buscar outra moto. Já estou há mais de uma hora esperando aqui e nada...&lt;br /&gt;O velho colocou o cachimbo na boca, deu uma tragada, abriu um sorriso meio sacana e disse com uma voz bem falha:&lt;br /&gt;Ôxe, menino! Sai desse sol, tá muito forte. Aproveita que tá com a toalha na mão e vai ali naquele riacho se refrescar...&lt;br /&gt;Riacho? Estava rodando ali há mais de uma hora e não tinha visto nenhum sinal de riacho. Mesmo assim, talvez sofrendo mais um delírio por causa da insolação, me virei e olhei para os dois lados procurando a merda do riacho. Quando me dei conta que poderia estar sendo vítima de uma grande sacanagem, me virei de volta, já puto da vida, e perguntei para o velho:&lt;br /&gt;– MAS QUE RIACHO, PORRA!?!?&lt;br /&gt;Tarde demais. Ele já estava pedalando de novo, se afastando lentamente enquanto sacudia a cabeça num sinal de negação. Negação é o caralho! Aquilo era um sinal de afirmação. Afirmação da minha idiotice, isso sim!&lt;br /&gt;Estava quase apedrejando aquele velho sarcástico filho de uma puta quando escutei um barulho de motor. Era o “guia motoboy” surgindo milagrosamente no horizonte. Ele já chegou estendendo um cantil com água geladinha e dizendo desesperado: – Pôxa, amigo, desculpa! Meu irmão tinha saído com a outra moto, tive que procurá-lo pela cidade inteira. Desculpa mesmo!&lt;br /&gt;Cara, tu não imagina a merda que tu me deixou! Já tava passando mal aqui, com sede e insolação!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram xingamentos, praguejamentos e resmungos para todos os lados. A sorte do cara é que a água que ele tinha trazido funcionou como um calmante, senão ele ficaria escutando minhas reclamações a tarde inteira. Meu mal-estar foi passando aos poucos. Molhei a nuca e consegui me recompor para seguir viagem.&lt;br /&gt;Logo ultrapassamos o velho e a sua bicicleta. Ele acenou para mim e deu um sorriso. Nos quinze quilômetros restantes, refrescando a cabeça com o vento, fiquei pensando naquele episódio inusitado. Será que as “divindades do humor” colocaram aquele velho no meu caminho para me mostrar algo? “Elas” armariam essa situação toda para me provar que, mesmo você estando desesperado, na maior merda do mundo, pode chegar alguém e fazer uma piada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Provei do meu próprio remédio. Era exatamente isso que eu fazia com os outros desde o começo do Cocadaboa. Senti na carne que uma piada recheada com sarcasmo, por mais simples que seja, pode ter um gosto amargo e tirar qualquer um do sério. Mas também tive a oportunidade de descobrir que quando a dificuldade vai embora, a piada fica. E que piada! Aquele velho piauiense mandou bem pra caralho! Durante o resto do caminho fiquei rindo da minha própria miséria, sem conseguir tirar aquele sorriso bobo da cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo que eu escrevia no site passou a fazer sentido. Um velho surgido do nada, numa estrada vazia no interior do estado mais esquecido do Brasil, me ensinou uma coisa que vai me acompanhar para o resto da vida. Revelação mais poderosa do que essa era impossível, nem mesmo se eu fumasse muita maconha nas margens do Rio Piedra ou me embebedasse com chá de cogumelo no cume do Monte Cinco. Agora sim, tinha certeza do sucesso de minha peregrinação. A Transpiauí estava disposta a me dar as respostas para todas as perguntas que eu nunca achei que teria necessidade de fazer. (capítulo 14: A revelação)&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Diria que a descrição por trás da piada, ou a piada descritiva, ou a indiscrição descritiva da piada, ou ainda o desvelar da descrição piadista... etc. são meios de análise que não vagam num vazio abstrato no livro porque vinculados às experiências de vida onde o autor ao mesmo tempo lida e relata a experiência dele com as pessoas que ele encontra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vou aqui discorrer de maneira detalhada sobre o livro para não tirar o gostinho de ler o dito cujo. Mas puxando a coisa pro meu lado, gostaria de trazer um pontinho para reflexão de sociólogos (não é uma reflexão sociológica por isso):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A relação entre humor e a sociologia: um breve comentário sobre uma experiência etnohumoristografica no Piauí como evento de sociologia implícita&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Dizem que por conta de minha formação tendo a ver sociologia em tudo. Talvez. E, quiçá por conta disso, como faço uma pesquisa que visa buscar a sociologia implícita presente na produção literária de um famoso romancista brasileiro, tenho sido acusado de &lt;em&gt;projeção&lt;/em&gt;, afinal, sociólogos tendem a ver sociologia em tudo mesmo. Bem, é o que dizem. Inclusive os “sociólogos”. Não sei por que há tantos que odeiam a sociologia, mas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, por isso, penso ser preciso fazer comentário na defensiva, ou seja, atacando meus conterrâneos de sociologia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é que o Mr. Manson tenha vocação de etnógrafo, mas, parafraseando o dito popular, em terra de cego, quem tem olho para ver o cu do mundo é rei. Dessa forma, atino para as qualidades sociológicas do autor do relato por uma razão de disposição de pensamento que julgo caríssima em sociologia ( e infelizmente totalmente ausente em boa parte de nossa intelectualidade bem pensante): A predisposição para coleta de dados empíricos para “desconstrução” dos pré-conceitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que não se tem ali uma análise fina do ponto de vista estritamente sociológico sobre nenhum aspecto da vida daquelas pessoas, o livro não se propõe a isso e se quer “apenas” um relato bem humorado, ou bem mal humorado, de uma viagem desgraçada. Viagem desgraçada quer dizer, em sentido propriamente analítico do humor, viagem engraçada, ou, em sentido místico, uma peregrinação cheia de graça. Mas eis que meu veio contextetualista e quase crítico de sociólogo me impõe ao questionamento durante a leitura: que sociólogo brasileiro atualmente se dá o trabalho de “verificar”, como fez Mr. Manson, se suas sofisticadas teorias sociais (de sociablidade, de socialização, de legitimidade) explicam ou ajudam a entender melhor as formas atuais de vida de pessoas vivendo em cus-do-mundo (se souberem a resposta, por favor, me passem indicações das obras do referido autor)? Comparado com a punheta teórica a que somos obrigados a nos submeter nos departamentos de ciências sociais das universidades brasileiras, completamente desvinculada de realidades empíricas em demanda de cuidados analíticos e metodológicos suplementares (às suas aplicações em solo de autonomia na produção da teoria sociológica), a leitura de uma tal proctológica peregrinação me parece um verdadeiro exercício de vigor sociológico. Além disso, a situação crítica dada quase que de maneira imanente no ato de descrever o universo de vida de contemporâneos que é própria de uma “situação analítica” historicamente atribuível a qualquer sociologia que se preze, parece-me uma situação similar a do humorista, sempre pronto para aceitar a piada do outro, mesmo se “après-coup”, como o exemplo da piada do velho na bicicleta que, “mand[ando bem” faz Mr. Manson viver em si um outro que era o eu dele mesmo para tantos outros alguéns.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É maravilhoso o modo como o Mr. Manson crava a unha no polegar de nossas mazelas de povo unido por uma estranha diversidade de conhecimentos tácitos (pré-conceitos, que são também incompreensões) que são aos poucos postos em evidência ora pelo tom propositalmente politicamente incorreto, ora pela sincera simpatia impaciente do autor com os estranhos despropósitos de vida daquele fim de mundo se realizando e se materializando em fotos, descrições e, sobretudo piadas de situações e acontecimentos. Tem defeitos, sim, claro. Mas achei um livraço!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-1501595204102551415?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/1501595204102551415/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=1501595204102551415&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/1501595204102551415'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/1501595204102551415'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2008/01/letra-para-novo-nus.html' title=''/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-7988851151145121447</id><published>2007-11-22T08:48:00.000-03:00</published><updated>2007-11-22T10:05:17.233-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;A chave estava no bolso de seu Wilson&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7:00 horas e meu celular toca. Minha ex-mulher com uma voz tremula e confusa me pergunta pela chave do carro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Levou a chave do carro, esqueceu de deixar embaixo?&lt;br /&gt;-- Não, deixei-a com o porteiro. Com o vigia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha passado o início da noite na casa dela, tomando conta de minha filha. Desci com a chave do carro dela porque ele estava estacionado atrás do meu. Fiz a troca de posição dos automóveis e desci do meu carro porque vi que o vigia estava concentrado em algo, ele havia aberto o portão maquinalmente, como sempre fazia. E não havia percebido que queria deixar algo com ele. De fato, a troca de olhares era a maior parte de nossa relação. Em um ano, duas ou três conversas. Ele falou-me de suas filhas. Eu falei da minha, que acabara de nascer. Tímido, feio, sem dentes, lembro de ter levado para ele, uma noite depois dessa nossa conversa, um chocolate quente. Depois disso, apenas um empréstimo de dinheiro (50 reais) ao qual ele me devolveu em dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7:00 horas da manhã e meu celular toca. Minha ex-mulher diz com uma voz tremula e confusa que o porteiro se jogou de cima do prédio e morreu. Lembro imediatamente do tapinha nas costas dele dado por mim ao deixar a chave do carro dela com ele. Ela relata que pediu a chave lá embaixo, não estava. Já bastante confuso tento lembrar do nome dele, como é o nome do porteiro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez ele não tenha se matado por eu não saber seu nome. Quiçá também ele não tenha previsto a frieza mórbida com a qual alguns moradores do prédio falavam a respeito da “morte do porteiro”. É incrível perceber esse tipo de reação nas pessoas: descem, olham o corpo, comentam algo, falam do “vigia”. Qual era o nome dele mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8:00 horas. Chego trazendo uma cópia da chave do carro para minha ex-mulher. Vejo a movimentação no prédio. Policiais, caminhão do IML, curiosos. O portão se abre. O vigia da manhã (qual é o nome dele mesmo?) me vê chegando e faz um sinal com os olhos para o faxineiro vir a mim (ai meu Deus, esses nomes todos!). Ele traz a chave do carro... “estava no bolso de Seu Winson.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não. Não é porque eu não sabia seu nome que ele se matou. Nem mesmo porque a morte dele não parecia importar a ninguém, a não ser ao faxineiro que parecia desolado. A culpa da morte dele é só dele, diz o auto-engano desencontrado de alguém que faz parte de uma sociedade produtora de autocentramento exacerbado, desacertado e insensível. Como vai seu Wilson, por que essa cara tão triste e preocupada? Fale-me mais de suas filhas...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não, deve haver outra explicação que a indiferença. A sociedade não é culpa, é &lt;em&gt;desculpa&lt;/em&gt;. Afinal de contas o suicídio é algo particular, não é mesmo senhor Durkheim? &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-7988851151145121447?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/7988851151145121447/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=7988851151145121447&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/7988851151145121447'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/7988851151145121447'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2007/11/chave-estava-no-bolso-de-seu-wilson-700.html' title=''/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-5902909535883075981</id><published>2007-09-06T07:24:00.000-03:00</published><updated>2007-09-06T08:52:40.177-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;Dubliness...&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A Dublin de Jampa Joyce começa na França. No Aeroporto &lt;em&gt;Internacional  Charles de Gaulle&lt;/em&gt;, onde etretive uma espera digna do apagão  &lt;em&gt;Companheiro De Lula&lt;/em&gt;: 6 horinhas.  Nele pude comtemplar  em minha memoria a completa inexistência de referencias sobre a Irlanda. Olhava para um ponto perdido onde pessoas perambulavam e tentava advinhar se os irlandeses pareceriam assim ou assado. Buscava referencias. Lembrei-me de Cristopher, um camarada irlandês que conheci... onde mesmo? Na França... Definitivamente, tudo dessa ilhota me lembra a...  a França. Ate Saint Patrick's day eu festejei como La fête de la Saint Patrick quoi! Isso  vai mudar, pensei.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Chegada ao Aeroporto de Dublin. 1 hora de interrogatorio no serviço de imigração. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-O Senhor faz o que da vida? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Agora, aqui na Irlanda? Bem, eu vim de férias rever uns amigos franceses que moram e trabalham aqui na Irlanda. Mas de profissão sou sociologo, estou fazendo um doutorado no Brasil. (Tudo isso naquele meu inglês macarrônico... sem comentàrios!).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-Você fala francês? (O interrogatorio é todo feito em tom de sarcasmo e, na minha situação de dependência, minhas respostas eram dadas em uma tonalidade digna de imigrantes politicos que, correndo risco de vida ao voltarem aos seus lugares de origem, imploram por tolerancia das autoridades de "acolhimento").&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Falo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-Como aprendeu? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Morei 6 anos na França. (Pensei, e eu que vim pensando em esquecer minha "Irlanda afrancesada"!).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Se você é brasileiro, como ficou là por tanto tempo?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Além de ter estudado là, fui casado com uma francesa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Quem você veio ver aqui? Você tem um endereço, um telefone? (Passo para ele o papel onde havia anotado o endereço e o telefone em Dublin de onde eu ficaria)... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não vou explicitar até onde a Santa Inquisição foi para averiguar supostos imigrantes como eu. As suas perguntas esdruxulas, muitas delas invadindo um espaço de foro intimo em qualquer cultura, são para mim prova cabal da  eterna e violenta relação de poder entre fortes e fracos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Do avião vi, depois de sobrevoar a Inglaterra, uma Irlanda coberta de nuvens densas. Ainda não visitei Belfast, onde um muro de concreto ainda separa catolicos de protestantes. Lembro que foi indo para Irlanda que uma familia de africanos morreu dentro de um contener de navio. Esse muro invisivel, simbolica, brutal e abruptamente inscrito no modelo inquisitorial do serviço de imigração,  é para mim a marca desse outro muro deles, mais visivel. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Minha mala não chegou. Mas a acolhida foi excelente. As pessoas em Dublin parecem ser no geral simpaticas, acolhedoras e prestativas. A impressão tensa inicial se desfez. Vou tomar uma Guinnes e esperar por minha bagagem... Aproveitar as férias, não mais para equecer a França que dà referencia às minhas impressoes sobre a Irlanda. Até porque o teclado no qual escrevo é francês e a ausência de sinais não me deixaria esquecer dessa verdade: Jampa Joyce definitivamente tem um sotaque de imigrante brasilo-franco-estupido-inglês!  &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-5902909535883075981?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/5902909535883075981/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=5902909535883075981&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/5902909535883075981'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/5902909535883075981'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2007/09/dubliness.html' title=''/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-2399575152365177663</id><published>2007-07-31T18:46:00.000-03:00</published><updated>2007-08-03T17:41:46.064-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Pan, TAM, Pan Boom! De quem é a culpa?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Final de tarde. O compromisso com o mundo de atividades mundanas se esvai com a chuva que começa a cair. Toró. Cordas d’água! Cargas de água. Aquecimento global, penso. Nós humanos, seres imundos que somos. Deu vontade de tomar banho com o molhado que vem do céu. Pororoca sem onda, piracema sem peixe. Menino pulando no asfalto espelhado de lamas. O sorriso desdentado esquecido das faltas, dos problemas políticos, das vitórias e derrotas do Pan, dos desastres de avião. Cadê o menino? Cadê? Ô menino esquecido!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começo de noite. A toada é dos carros. O mundo idílico não pertence a nós, humanos de tipo brasileiro. A culpa é do lirismo, do nacionalismo, do Lula, do piloto, de Jampa (que quer ser menino!). Do acidente não acidental. Da tragédia não trágica. Dos pássaros que aqui gorjeiam. E dos homens que aqui “habiteiam” e dos que hão de habitar. Da História, a culpa é Dela. Fincou na terra, ficou na crosta, golpeou e solapou o fôlego dos esperançosos. Tudo já está dito. Cadê? Há mais algo a dizer? Ô menino esquecido!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escombro de enoitecer. Concordes já não voam mais pelos ares, outros baques o desprojetaram do mundo celeste. Discordes vaiaram, concordes não voam mais, que mundo é esse? Esse deveria ser o último parágrafo de quem não tem nada pra dizer desse mundo... mas fracos como eu insistem em gorjeio. Vai, gorjeia como lá, gorjeia! Cadê? Cadê? Já esqueceu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Pan, Tam, Pan! Boom!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que sórdido canto! Seria Assum Preto, cego dos olhos? Escombros de noite. Noite de chuva. Sem culpa. Sem espelho de água em lama preta. Sem nacionalismo. Sem silêncio, a toada é dos carros. Cadê o menino? Cadê o concorde? E o recorde? Sim, o jornal é o mesmo. Mais gorjeio: Pan, Tam, Pan! Boom!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ironia ou não, no escuro do quarto, no meu colchão de classe média, deito-me ao som de Ludwig Van tocando Pan Pan Pan na televisão... Viro-me. Tento esquecer. Vai ver que a culpa é do aquecimento, do gorjeio (nunca do esquecimento). Do Gorgias de Platão! Do avião. A culpa é da culpa, lá onde tudo é mea culpa. Do reverso, da pista, mais uma vez do piloto, do menino, do cansaço, do “apagão” esotérico supra-lunar dos céus. A culpa é da Fátima Bernardes... é do superfaturamento do Pan, e dos cubanos que, apesar de povo miserável e comunista derrotado, continua na frente no quadro de medalhas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A culpa é do cu, claramente, que é quem sempre começa a palavra culpa. E a catinga de cu, nunca acaba.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-2399575152365177663?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/2399575152365177663/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=2399575152365177663&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/2399575152365177663'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/2399575152365177663'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2007/07/pan-tam-pan-boom-de-quem-culpa-final-de.html' title=''/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-8435683945374472028</id><published>2007-07-07T11:45:00.000-03:00</published><updated>2007-07-07T11:56:49.830-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Le Roi se Meurt : educação pela morte&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Intelectualizar a morte talvez seja algo mórbido para alguns.  Em alguns momentos seria mesmo arrogante tentar tirar lições de tal tema. Não pretendo fazer isso aqui. Esse pequeno texto, pegando minhas recordações de uma leitura antiga, vem apenas exorcizar alguns sentimentos meus que foram gerados pela consciência da dor de alguns amigos diante de uma perda recente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não encontrei o livro. E usarei, nesse breve comentário, algumas notas que fiz na época de minha leitura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns filósofos falam de uma “crise da morte” que envolve o ocidente desde o século XIX e dura até nossos dias. Os dados dessa crise se manifestariam de maneira contraditória: por um lado nós somos eternamente jovens, a medicina nos salva da morte (mesmo que a morte esteja sempre presente?); e de outro, a recusa da morte como problema apareceria como origem mesma da dita crise. O mote dessa crise seria uma verdade tipicamente moderna: a morte não é, para nós, uma “verdade nova”, é uma “verdade que esquecemos”. Eu me sinto profundamente identificado com essa interpretação do nosso lidar desajeitado com esse tema tão fundamental, com essa realidade tão necessária que... “esquecemos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Ao ler o Le roi se meurt de Eugène Ionesco nos deparamos com três fisionomias da morte que atormentam a personagem do rei: o morrer (que é fase terminal da vida, identificável, sobretudo, na velhice e na doença); a mortalidade ou, em outras palavras, o destino biológico, e, por fim, a finitude (consciência da mortalidade).  O rei é que diz: “Não é natural morrer, porque não queremos. Eu quero ser.” O rei é quem encarna em si o “modelo” da citada crise da morte por “querer sempre ser, ele conhece apenas isso” e que sendo “sempre assim” organiza a trama da peça, como personagem principal que, como quer Ionesco, confronta-se aos designos do tempo num dado espaço: “seria preciso que ele não olhasse mais ao seu redor, que não mais se apegasse às imagens, seria preciso que entrasse nele mesmo e que ele se trancasse”, diz Marguerite ao rei, completando a frase dizendo “ não fale mais [da morte], cale-se, fique dentro. Não olhe mais, isto te fará bem”. Houve quem quisesse explicar a modernidade, o seu aparato tecnico e de espetacularização do mundo, como a tentativa de realização desse desejo de esquecimento da morte. Como odeio essas generalizações digo apenas que na peça encontramos os dados da reflexão de Ionesco: a morte como dado, a rejeição da necessidade dela pela vontade, a consciência que tensiona entre vontade e a inevitabilidade do fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O teatro, tido como espetáculo, convence mais do que a realidade. Talvez isso ajude a entender como a trama faz lembrar, dessa forma, um esquecimento nosso: a morte, precisamente sua atualidade que é constante, estando sempre presente, vem sempre a contrapelo do esquecimento que vai “reagir” erigindo-se em tautologias epidérmicas enraizadas em nosso próprio medo: “a vida é contrário da morte. Queremos a vida, a morte é um absurdo”.  A morte, teatralizada, revela assim um paradoxo contido na linguagem: a morte, entendida como ausência/presença, é constrangida a dizer pela linguagem que não existe nada a dizer, um verdadeiro paradoxo dos paradoxos.  Nada mais nada menos do que um problema sem idade: o que é viver quando sabemos que vamos morrer? o que é morrer quando sabemos que devemos viver?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos de fato viver a morte (luto)? E falar a seu respeito, é possível? Sendo possível do que isso valeria?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato, e pensava isso comigo mesmo ao assistir “Six feet under”, a morte quando chega é fator de significação da vida. A sua presença redimensiona prioridades e equaciona valores. O fato de esquecê-la com freqüência, em rito de nossa modernidade frenética e medical, fazem-nos mais vulneráveis ao que chamamos de crise da morte: ao esquecer de nossa condição talvez mais fundamental de seres vivos, a vida e a morte, duas faces da mesma moeda, só se tornam sacras, infelizmente, na dor.  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-8435683945374472028?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/8435683945374472028/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=8435683945374472028&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/8435683945374472028'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/8435683945374472028'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2007/07/le-roi-se-meurt-educao-pela-morte.html' title=''/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-629750170637565919</id><published>2007-06-30T11:26:00.000-03:00</published><updated>2007-06-30T12:26:33.800-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;strong&gt;Sobre Cacos&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;"O ser humano, guiado pelo sentido da beleza, transpõe o acontecimento fortuito [o caco] para fazer dele um tema que, em seguida, fará parte da partitura de sua vida. Voltará ao tema repetindo-o, modificando-o, desenvolvendo-o, transpondo-o, como faz um compositor com os temas de sua sonata" (Milan Kundera, A insustentável leveza do ser).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma vida pode ser lida como um amultuado de cacos. Se guiada pelo ímpeto da beleza, ela pode acomodar os pedaços, compondo as arrestas irregulares e, sem medo de imperfeições,  conceber-se enquanto mosaico. Durante muito tempo esse foi um conceito realativamente aceito de arte, de composição artistica.  &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O que é uma vida bem vivida? Seria essa a pergunta mais fundamental?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Transformar cacos em beleza talvez seja, no fundo(de onde não me perguntem!), a tarefa de todo ser humano adulto diante de sua própria existência real. Reorganizar em lógica que busca harmonia, as frases, os temas (Jorge, não ria de mim, não sou músico!), que, se o compositor for bom,  se fundirão todos em sonata...(em boa sonata). Numa dimensão de totalidade onde as partes interagem entre si de tal forma que não se pode mais notar a natureza fragmentada oriunda dos sons - (caramba, hegelianismo numa fase dessa da vida devia ser estritamente proíbido) , a melodia, ou seja, os cacos de uma vida reagrupados de maneira harmônica (ou harmoniosa), revelam o esforço de apagar dissonâncias (as arestas que são atributos de qualquer caco), e  a "beleza" seria assim entendida como a vitória desse errafecer de disformidades sonoras.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu gosto de mosaicos. São metáforas formidáveis da existência humana. Nele, talvez esse o segredo do seu belo, os fragmentos não desaparecem: eles  se &lt;em&gt;conformam&lt;/em&gt;  à beleza. As vezes, em momentos de paz, sinto-me um mosaico de mim mesmo.       &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-629750170637565919?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/629750170637565919/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6577622&amp;postID=629750170637565919&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/629750170637565919'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6577622/posts/default/629750170637565919'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ooxymore.blogspot.com/2007/06/sobre-cacos-o-ser-humano-guiado-pelo.html' title=''/><author><name>Jampa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05544831303210088272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6577622.post-689928160240301867</id><published>2007-06-28T16:37:00.000-03:00</published><updated>2007-06-28T16:59:03.870-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:78%;"&gt;“[...] E que o desprezo dos metodólogos  por tudo que se distancie tanto dos cânones estreitos que eles mesmos forjaram em termos absolutos do rigor serve frequentemente para mascarar a superficialidade rotineira de uma prática sem imaginação e quase sempre alijada daquilo que constitui a condição verdadeira do verdadeiro rigor: a crítica reflexiva das técnicas e dos procedimentos.” (P. Bourdieu)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;strong&gt;Por uma sociologia dos sociólogos recifenses&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;Primeira Parte&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1-     Homo Academicus à CFCH: lição de estranhamento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A aula inaugural de Pierre Bourdieu no College de France começa com as seguintes palavras:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Nós devíamos poder pronunciar uma lição, mesmo que inaugural, sem se perguntar com qual direito: a instituição está aqui para descartar essa interrogação, e a angustia ligada ao arbitrário que se faz presente dentro dos começos.” (Leçon sur la Leçon, les editions de minuit, 1982.p 7)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bourdieu sabia que era isso mesmo que ele estava fazendo, pronunciando uma aula que lhe era de direito e que lhe atribuía legitimidade. Tanto sabia que usou desse recurso para mostrar que a ciência que ele ali representava estava lá para &lt;em&gt;por em suspenso&lt;/em&gt;, ou ao menos &lt;em&gt;em suspeita&lt;/em&gt;, algumas das legitimidades ali presentes. A sociologia, dizia ele,  " ciência da instituição e da relação, feliz ou infeliz, à instituição, supõe e produz uma distância intransponível, e às vezes insuportável, e não apenas para instituição; ela arranca o estado de inocência que permite de preencher &lt;em&gt;com alegria (grifos do próprio Boudieu)&lt;/em&gt; as expectativas da instituição."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Para ele, imagino, jogando com o jogo de palavras e de posições que estão ao seu alcance, fazia-se possível, porque decorre daquilo mesmo que a sociologia exige e produz, uma defesa da reflexividade como propriedade mais fundamental da ciência que assumiu como sua: “todas as proposições que esta ciência enuncia podem e devem se aplicar ao sujeito que faz a ciência”.  Não vou aqui discorrer sobre o que, nessa visão, acarretaria na &lt;em&gt;falta de alegria&lt;/em&gt; dos intelectuais ao se verem como um objeto de estudo da sociologia. Mas falarei mais de meus incomodos de não poder tomar meu universo como objeto de conhecimento sociológico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começar falando de uma aula magistral (e aqui, realmente magistral, porque dada com a presença dos mestres já consagrados da instituição), realizada na França, numa das instituições de maior prestigio daquele país, para falar de meu estranhamento com o universo do CFCH, pode parecer, no mínimo dos mínimos, esdrúxulo. Mas como negar, de minha parte, que, tanto a leitura como o contato direto com uma sociologia tributária dessa perspectiva reflexiva, são fontes constantes de angustias e inquietações com relação aos padrões de produção sociológica do qual hoje faço parte? Mais. Em auto-crítica, ou em esforço disso,  pergunto-me se minhas angustias com relação aos tais padrões, já que não estão, como tudo o mais, embasadas (as angustias) em um verdadeiro inventário sociologicamente fundado de razões, pergunto-me se não são elas apenas caprichos arrogantes herdados da assimilação de uma cultura sociológica produzida nos grandes centros de produção acadêmica. O que foi assimilado nesses centros parece ou aparece como deslocado quando transferido para uma região periférica de produção acadêmica. Essa é minha impressão. E estas as questões que dela decorrem: não estaria eu reproduzindo, em moldes um pouco diferentes, uma lógica normativa de imposição de uma maneira de lidar com a sociologia digna de uma mente colonizada? Não estaria assumindo para mim parte daquilo que imagino criticar quando extravaso minhas angustias?&lt;br /&gt;De fato, digo-me, enquanto a angustia permanece em estado latente, como acontece comigo, ela não se torna capaz de elaborar a pergunta que seria a meu ver a única sociologicamente rentável: o padrão de produção da sociologia cefichiana não poderia ser ele, como pede a reflexividade própria à sociologia a qual me inspiro objeto de aplicação do conhecimento sociológico?&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é sem auto-complacência que se diz que não se entra em sociologia sem esgarçar as aderências e adesões pelas quais integramos um grupo, sem condenar as crenças que são constitutivas do pertencer e renegar toda ligação de afiliação ou filiação. Mas para entrar em sociologia é preciso o quê? Quando e como podemos nos considerar sociólogos e ser considerados como sociólogos? Não seriam essas dúvidas que a instituição deveria neutralizar? Para quem essas questões realmente importam?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pertencer ao mundo do CFCH para mim é entender que esse estranhamento meu deve encontrar respaldo na sociologia mesma na qual deposito minhas crenças (esperanças de elucidação e esclarecimento do &lt;em&gt;modus operandi&lt;/em&gt; do mundo social) e com a qual me esforço de entender o mundo, inclusive o meu mundo de produção (o universo dos intelectuais cefichianos). Mas entender isso significa &lt;em&gt;apenas e não mais do que isso&lt;/em&gt; um dizer-se a si mesmo que em um momento ou em outro seria preciso um debruçar-se propriamente sociológico sobre esse mundo, saindo assim de mera doxa intelectualizada com vínculos em visões sociológicas já feitas do mundo, para construção de um discurso real e sociologicamente embasado a respeito das condições de um tipo de produção que hoje de alguma forma desmereço sem conhecer realmente suas razões de ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas falsas brincadeiras com amigos nas quais falamos de “cefichismo” (doença intelectual com sintomas como “teoréia aguda” ou o “mal da erudição empaca pesquisa”, ou ainda um “antisociologismo crônico”), estamos diante desse estado de coisas cujo meu estranhamento é apenas mais um sintoma: ele é uma vontade de entender por que alguns valores da produção do conhecimento sociológico são postos em questão de maneira concreta, apesar de velada, por todos nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por razões que julgo obvias não tomaria como objeto de estudo os intelectuais das ciências humanas e sociais do CFCH. Tão obvias quantos minhas razões seriam o valor de uma sociologia que, descrevendo nosso mundo de produção sociológica, mais ou menos do jeito que ele é e produz, nos daria os meios de entender, entre outras coisas, porque continuamos a não conseguir querer de fato saber quem nós somos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Jampa.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6577622-689928160240301867?l=ooxymore.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ooxymore.blogspot.com/feeds/689928160240301867/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://w
